quinta-feira, 8 de junho de 2006

Elogios

Repare-se no tom pomposo e enfático do discurso.
Bom para teatro, péssimo para a vida real. Soa muito a falso...

Comentários à notícia

Que pena os nossos dirigentes não conhecerem os programas!!!!!!!!
Salta pocinhas
2006-06-07 20:41
Muito folgo em ouvir o nosso Primeiro Ministro e a nossa ministra da Educação!! Lamento, no entanto informar os "dirigentes da Nação" que além de pouco inovarem, demonstram desconhecer totalmente as áreas curriculares obrigatórias do 1.º ciclo. Assim, esclareço ambos. As áreas curriculares são: Língua Portuguesa; Matemática; Estudo do Meio; Expressão Físico-Motora,Expressão Plástica;Expressão Musical;Expressão Dramática.Todas estas áreas têm, definido pelo ME programa próprio e todos os alunos são avaliados nestas áreas.Obrigatório também no 1.º ciclo, mas sem programa definido pelo ministério, encontram-se as áreas de estudo acompanhado, educação cívica e área de projecto. Todos os alunos são também avaliados nestas áreas.Onde está então a novidade??????? De acordo com a srª Ministra à excepção da Língua Materna, da Matemática e do Estudo do Meio tudo pode ser actividades de enriquecimento curricular, que são obrigatórias para as escolas e facultativas para os alunos. Isto é promover a inclusão, a igualdade de oportunidades???? Tem que me dizer onde sr.ª Ministra pois aqui eu só vejo desigualdade e clivagem social.Essa promoção vai ser feita através das bibliotecas escolares das eb1???? só se os alunos consultarem os livros do "antigo regime", porque esses, todas as escolas têm!!!Recursos aos computadores????? Quais??? Aquele que existe na escola, com ligação à net apenas quando o rei faz anos? Ah, sim é esse!!! gostei de saber porque por norma há um computador para cada 25 alunos. Tem muita qualidade não tem??? Também concordo. E esse investimento (11 milhões não é???) é muito mais importante do que dotar os nossos estabelecimentos de material concreto, necessário ao desenvolvimento e consolidação dos conteúdos dos nossos alunos?Acho que sim, o professor compra e leva. ACORDE SENHORA MINISTRA.Eu concordo que há muitos erros no nosso sistema de ensino e sabe qual é o primeiro? Falta de ensino pré-primário obrigatório e escolas com materiais e condições para que possamos trabalhar.
toma lá que é para aprenderes
Fantasma d'El Rei
2006-06-07 20:05
daqui a dez anos vamos ver os resultados;aumento radical da ignorância. e essa é a parte que mais interessa a governos totalitarista.
Cremos em vós ò Deus!
mario.janeira
2006-06-07 19:55
Era a música que se ouvia nos derradeiros momentos do Titanic, auto proclamado o barco mais seguro do mundo.E a água estava tão fria.Sim; num «século e meio» de governação, a cinistra da deseducação já conseguiu uma coisa:- Há pedacito um aluno, que estava a fazer barulho perto da sala de professores, foi repreendido por uma docente.Conseguem ver a cena da arrogância do miúdo do 10º ano, certo?Bem; no final da conversa ele diz para a professora:- É uma pena que a sua avaliação não seja já para este ano!Parabéns ao governo e à sua cinistra da deseducação. Já estamos a ver resultados.E a procissão ainda vai no adro!Quando for grande também quero ser estúpido.Não respondam, que ainda vai passar muito tempo!!!
Já estão na fase em que se elogiam a eles mesmos...
Luis Piteira Barros
2006-06-07 19:01
"Presunção e água-benta cada um toma quanta aguenta", diz o povo...Não será cedo demais para se auto-elogiarem? É certo que se nota que o povo está feliz com esta governação e que já não é necessário propaganda perante a obra feita. a obra já fala por si!Todos notam que está melhor que no tempo de Santana Lopes.Dá-me vontade de gritar: "Viva o PS"!

OUTRO ELOGIO...


O fumo e o fogo
DN de 7.06.06 Pedro Rolo Duarte






Um dia destes acordei a odiar Maria de Lurdes Rodrigues, a ministra da Educação. As manchetes dos jornais diziam que os pais dos alunos iam avaliar os professores, e atrás destes títulos vieram os professores aos gritos dizer que isso era o fim do mundo, e atrás dos professores vinham os intelectuais do costume a bradar que os pais são uma cambada de analfabetos que mal sa-bem avaliar os filhos, quanto mais os professores dos filhos. E a bola de fumo cresceu, cresceu, cresceu, e eu deixei de ver o fogo que lhe dera origem. Mas pensei: realmente, não cabe na cabeça de ninguém, em seu perfeito juízo, ter os encarregados de educação a classificar professores que mal conhecem ou cujo trabalho pura e simplesmente ignoram...O problema é que havia um pequeno fogo de onde saía todo este fumo. E foi preciso ler a entrevista da ministra no Público para perceber que, uma vez mais (e presumo que sem recurso a empresas de comunicação...), o peso corporativo dos professores caiu ao colo de muitos jornalistas e o que saiu nos jornais foi apenas a cortina de fumo para pôr o País aos gritos.Lendo o projecto do Governo, o que se percebe é um esforço meritório para aproximar os pais das escolas, deixar as escolas abrirem-se aos encarregados de educação e permitir que, em casos devidamente previstos (por exemplo, quando os pais participarem activamente nas reuniões das escolas), aqueles que estiverem em melhores condições possam efectivamente fazer uma avaliação sobre os professores. Mas essa avaliação não é única nem taxativa - ela será ponderada num conjunto vasto de outros critérios e pontuações, de que resultará enfim uma avaliação do professor. Não são portanto os pais que vão decidir quem são os bons e os maus professores - os bons pais apenas vão contribuir, à sua pequena escala, para uma avaliação global. Tão diferente, não é? Tão defensável, certo? Por que raio andam sempre a atirar-nos areia para os olhos? Quem é que tem gosto em enganar o incauto leitor de jornais?Um dia destes acordei a odiar a ministra. Mas depois de a ouvir, adormeci a gostar sinceramente do seu trabalho. Lamentavelmente, ao mesmo tempo, adormeci a gostar menos de muitos dos meus colegas jornalistas...
Será que chegou mesmo a ler o ECD? Pois é claro que não...
Porque a avaliação pelos pais é uma questão menor... Há outras muito mais gravosas, não para os professores, mas para o próprio sistema de ensino.
Mas... quem não sabe é como quem não vê.

terça-feira, 6 de junho de 2006

Na imprensa

A ministra está atenta
Instada na Maia acerca da assustadora realidade da violência nas escolas, que há muito faz parte do quotidiano de professores, funcionários e alunos, mas que só agora, em virtude de uma reportagem da RTP, chegou à agenda mediática, a ministra da Educação limitou-se a dizer que "está atenta". Podemos, pois, ficar tranquilos. Só até Abril deste ano, a PSP já detectou, em escolas de todo o país, 50 armas na posse de alunos, facas, navalhas, mas também sete armas de fogo, mas a ministra está atenta. Os furtos e roubos multiplicam-se, mas a ministra está atenta. Em mês e meio, a PSP instaurou 22 processos por venda de álcool a menores nas proximidades de escolas, apreendeu 40 doses de cocaína, 52 de heroína, 1498 de haxixe e recebeu 49 queixas de atentado ao pudor, mas a ministra está atenta. No ano lectivo 2004/2005, o próprio Ministério registou mais de 1200 agressões no interior das escolas (às vezes dentro da sala de aula) e 191 alunos, professores e funcionários tiveram que receber tratamento hospitalar, mas não temos que nos preocupar porque a ministra está atenta. E, provavelmente, virá um dia destes a público dizer que a culpa é dos professores e que a coisa se resolve pondo os pais dos delinquentes a avaliar a sua competência.

PROFESSORES LINCHADOS

Paulo Fafe
in Diário do Minho de 2006/05/06


A Sra. Ministra da Educação veio a público decla rar que o insucesso escolar se deve aos professores. Este terrorismo contra os docentes insere-se, quanto a nós, numa clara intenção de fazer os seus remendos (reforma educativa não é), com o beneplácito da popula ção. Para isso, achou a Sra.. Ministra que a melhor táctica seria desmoralizar primeiro a classe dos professores, atá-los no pelourinho público para serem linchados. Depois que o terreno estivesse arado ficaria pronto para a sementeira. E teremos que louvar a Sra. Ministra porque a táctica está a resultar. O fermento mau também leveda.
(...)
Mas nada disto é por acaso. Não foi ao acaso, ou levianamente como se poderia pensar ou como os mais ingénuos pensam, que a Sra. Ministra procedeu ao descrédito dos professores. Depois de os achincalhar na praça pública, depois de os comprometer seriamente perante o País, depois de os denegrir como profissionais, parece que está aberta a via para impor os seus remendos. A classe dos professores nem no regime deposto em 25 de Abril de 1974 foi tão atacada como o está a ser agora pelo governo socialista. Nem o governo socialista teve tão boa e fiel intérprete como a actual responsável pelo Ministério da Educação.
Para impor as suas doutrinas económicas, encontrou na pessoa da Sra. Doutora Maria de Lurdes Rodrigues o que Salazar encontrou em António Carneiro Pacheco. Durante dois anos e meio, Salazar teve três Ministros da Instrução Pública, sem nenhum deles ser a medida dos seus desígnios. Conseguiu Salazar (1936) encontrar, em António Carneiro Pacheco, um executor implacável da doutrina política do governo. Neste nosso tempo, tempo de democracia, a doutrina política do governo de Sócrates é acabar com direitos adquiridos pelos professores.
Car­neiro Pacheco fez uma profunda remodelação em todo o sistema. educativo. Na remodelação do Ministério da Educação Nacional, pode ler-se quesitos como: «selec­ção do professorado de qualquer grau de ensino (...), exigências da sua essencial cooperação na fun­ção educativa», avaliação por per­centagens de aprovação, etc., etc. Transposto para os dias de hoje e dados os retoques finais que o sistema democrático exige, o espírito da Sra. Ministra da Educação não vai beber a outra fonte. Sócrates conseguiu em Maria de Lurdes o seu Carneiro Pacheco? Tudo indica que sim. O que se recomenda aos professores é que não tenham medo. Que se unam. Que pensem que as perseguições não duram mais que uma próximas eleições. Não há bem que sempre dure nem mal que não acabe. Que se apoiem decisiva mente nas suas organizações de classe. Que pensem sempre que se não há ensino sem alunos tam­bém não há ensino sem professores. Que os ministros passam e os professores ficam. Que para cer­tos traumas ministeriais não há catarse. Paciência. Estamos plena­mente convencidos que o ensino em Portugal só melhorará quando houver menos ministério e mais escola. Os professores têm tam­bém direito à indignação. Sentem-se ofendidos pela Ministra da Educação e como quem se não sente não é filho de boa gente, há que reagir contra a ofensa na mesma intensidade com que fo­ram esbofeteados.

CNAF

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1259853&idCanal=58
A Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF) declara-se entretanto contra a proposta da tutela de os pais avaliarem os professores. A CNAF reúne cerca de uma centena de organismos ligados à família, intervenção social e ensino e é presidida pela ex-secretária de Estado Teresa Costa Macedo. Num comunicado ontem divulgado considera que a actividade dos docentes não deve ser avaliada por quem é interessado no processo.
  • Só a Ministra não vê.

http://jn.sapo.pt/2006/06/06/ultimas/Apelo_demiss_o_dos_conselhos.html
Apelo à demissão dos conselhos executivos de todo o paísFederação Nacional do Ensino e Investigação contra os "ataques de incompetência" da ministra da Educação
A Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei) apelou hoje a todos os professores dos conselhos executivos para colocarem os lugares à disposição, em sinal de protesto contra os "ataques de incompetência" da ministra da Educação.
"Não há memória histórica no país de sistemáticos ataques de incompetência, desautorização, manipulação, falta de arbítrio e imparcialidade como os manifestados pela titular da pasta do Ministério da Educação (ME)", refere a Fenei, em comunicado hoje divulgado.
Para a federação, a tutela tenta mobilizar a sociedade civil contra os professores, denegrindo a classe docente e "colocando-a em situação de confrontação total com pais e alunos".
Como exemplo, a Fenei aponta as recentes declarações da ministra num seminário realizado na Maia na semana passada, onde Maria de Lurdes Rodrigues responsabilizou os professores e as escolas pelos elevados índices de insucesso escolar e acusou os conselhos executivos de criarem turmas de bons e maus alunos.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Um comunicado da Fenprof.

MINISTRA DA EDUCAÇÃO NÃO FALOU VERDADE QUANDO ACUSOU A FENPROF DE NÃO QUERER NEGOCIAR O E.C.D.

A ministra da Educação sabe que considerar "inaceitável" a proposta que apresentou não é o mesmo que a considerar "inegociável". Sabe, mas interessa-lhe confundir os conceitos.

É vergonhoso usar estes estratagemas...

A nova política...


A nova política e uma ministra que olha para os professores como se fossem os criados de uma patroa - João Baptista Magalhães (Jurista)


Sempre que um ministro recebe duras criticas pelas medidas que anuncia, vímo-lo a multiplicar-se em entrevistas aos diferentes meios de comunicação. Por detrás deste frenesim está o trabalho das empresas ou agências de comunicação. Elas encarregam-se de disponibilizar os meios que permitam ao ministro convencer as pessoas de que as suas polémicas medidas são orientadas pelos motivos mais nobres da governação. É que o ministro sabe, como sabem as agências de comunicação, que quanto mais convencer o auditório universal (todos os que o ouvem) mais pressão pode exercer sobre o auditório particular ou específico (os que vão ser objecto das suas medidas).
Este truque perverso da política-espectáculo denuncia uma nova tirania: a de, através das referidas agências, um ministro poder impor determinadas políticas, deixando o trabalho mais sujo para os meios de informação que, em vez de promoverem o contraditório, se encarregam de deixar que o ministro possa fazer crer que só ele tem razão.Se houvesse contraditório à propaganda da ministra da Educação ter-lhe-ia sido perguntado:
1º Na hipótese de dar aulas, como entenderia a eventualidade de ser avaliada a sua relação com os alunos pelos pais dos 40% dos alunos que faltaram ao exame da primeira época e dos cerca de 20% que chumbaram?!...
2º Tendo-se como certo que a educação que os alunos recebem em casa se reflecte na escola, como vê os pais que, por diferentes razões (estão ausentes, pertencem a famílias desestruturadas ou em conflito com os filhos, etc.,) não conseguiram educar os seus filhos, estarem, agora, a avaliar a relação que os professores estabelecem com eles na escola?!...
3º Só uma minoria de pais se preocupa com os filhos que frequentam as escolas. Quem responde pelos outros pais que, por diferentes razões, estão alheados da escola?!... Será que esse tipo de avaliação não contribuirá para discriminar os alunos na escola?!...
4º A parcela de avaliação dos professores atribuída aos pais não poderá constituir um instrumento perverso de pressão sobre alguns professores mais exigentes, mais disciplinadores, na atribuição de notas?!... E isso é ou não factor de discriminação e maior diminuição da qualidade do ensino?!...
5º Serão os professores os maiores culpados do insucesso escolar ou políticas de ensino que permitiram programas onde a mesma matéria se dá de formas diferentes em diversas disciplinas; horários que fizeram da escola o armazém onde os pais podem deixar os filhos durante oito e nove horas por dia; directivas que minaram a autoridade dos professores (como aconteceu com os regulamentos disciplinares) possibilitando que alunos com dezenas de participações disciplinares por comportamentos graves e, por vezes, criminosos, nunca pudessem ser expulsos ou sujeitos a um programa de reabilitação por especialistas?!...
6º Serão os professores culpados dos “rodriguinhos pedagógicos” que encharcaram a escola do “faz de conta”?!...
Estas questões do direito ao contraditório podiam continuar. Os professores são maltratados pelos alunos, pelos dirigentes (que deixaram de ser professores) das associações de pais, pela instabilidade de emprego, pela mediocridade que domina os directórios do sistema e, agora, pela verbo utilizada por uma ministra que olha para os professores como, antigamente, as patroas olhavam para as suas criadas.
Esta ministra não sabe avaliar o sistema que dirige, nem as consequências do seu verbo na desmotivação e degradação da imagem dos professores e, consequentemente na imagem do ensino.
Esta ministra pode ser uma boa dona de casa, mas desconhece os factores que influenciam o ensino, que estabelecem as relações de aprendizagem e, por isso, não é uma ministra da Educação.
Arranje-se uma ministra, antes que a ilusão de termos uma ministra se torne num pesadelo de termos este governo!

Em que país?

Em que país estava a ministra da Educação?
Beatriz Pacheco Pereira (Publico de 5 de Junho de2006)

O passado é negro, mas a culpa não é, seguramente, dos professores. Os que resistiram a todos estes erros da responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão.
Sucedem-se os ataques violentíssimos aos professores como únicos responsáveis pelo desaire do ensino público (note-se, público, não privado, como se eles não fossem os mesmos...). Caso é para perguntar à sra. ministra onde andava e que informação tinha sobre o que se passava, de há trinta anos para cá, no Ministério que agora tutela. Ninguém chega a ministro sem saber o que está para trás. Mas nada se nota. Se não está bem informada do passado, aqui ficam alguns dados que explicam bem como se pode ter chegado aos descalabro que apregoa. Pergunta-se pois, sra. ministra, onde andava quando o seu Ministério...
1- ...aprovou cursos de professores primários em que se proibiam as cópias e a memorização da tabuada (Institutos Piaget e quejandos...)
2- ...deixou professores primários dar aulas em aldeias remotas em escolas sem água, sem luz e com alojamentos dignos de eremitas? E todos ou outros em verdadeiro trabalho missionário por esse país fora?
3- ...deixou que o concurso de professores enviasse, anos e anos a fio, pessoas com uma qualificação de nível superior (as que devia mais estimar) pelo país inteiro, à custa de suas famílias destroçadas e dos filhos que não podiam ter ou ter consigo?
4- ...ignorou ostensivamente que eles pagavam os transportes do seu bolso, viajando 100-120 quilómetros até, sempre sem qualquer ajuda de custo, diminuindo dramaticamente os que lhes sobrava no fim do mês? Não seria isto imoral e desumano?
5- ...teve inúmeros ministros que se sucediam a ritmo alucinante, cada um puxando pelos seus galões de docentes universitários, vomitando reformas continuamente e sempre sem ter em conta a sua adequação, implementação e financiamento?
6- ...deixou que a dotação financeira de uma escola secundária fossse absolutamente ridícula durante décadas, mal dando para pagar a água, luz, os edifícios escolares se degradassem de tal modo que nenhum professor se aventurava nas instalações sanitárias dos alunos, e não havia recintos desportivos ou actividades extra-escolares?
7- ...permitiu horários dos alunos que alcançam as 8-9 horas por dia, uma carga insuportável para qualquer pessoa? (tive uma turma destas este ano lectivo, e eu dava a 9º aula do dia...)
8- ...não se preocupou com o tempo de estudo dos alunos. Quantas horas sobram semanalmente para os alunos estudarem? Na escola, onde se pode estudar se não há salas de estudo organizadas e, em muitas, as bibliotecas, se funcionam, não têm espaço para tal? Será em casa, à noite, com pais que se demitem cada vez mais da sua função de vigilantes e educadores?
9- ...esvaziou o quadro das escolas de funcionários, deixando que sejam poucos, mal preparados e pouco mais do que empregados de limpeza?
10- ...obrigou os professores (especialistas nas suas matérias, não se esqueçam) a passar muitas horas extra-horário, a fazer tarefas administrativas que antes competiam aos funcionários não-docentes, ou então em reuniões absolutamente improdutivas mas obrigatórias? Não sabia que os professores já passavam muitas noites e fins de semana a preparar aulas e material lectivo?
11- ...permitiu que o Sistema Disciplinar se esvaziasse, em nome da retenção quase obsessiva de alunos dentro de portas e do aumento da população discente nas escolas, minando sistematicamente a autoridade dos professores? Este ano, sei que alunos com comportamentos irregulares, e até criminosos, com 20 ou mais participações disciplinares, não foram expulsos nem submetidos a nenhum programa de reabilitação por especialistas credenciados... Porque reduziu o Ministério o poder de sanção dos professores?
12- ...só deu atenção ao número de computadores por escola e ao acesso à Internet mas não permitiu aos alunos compreender o poder dos media? Afinal os alunos passam o resto do escasso tempo diário a ver uma televisão que lhes mostra só publicidade de telemóveis, futebol, escândalos e anedotas... Os valores dos jovens hoje são ensinados pelo matraquear de televisões mal regulamentadas. Porque não age o Ministério sobre elas também? Porque será que abdicou da sua função reguladora deixando que canais abertos dêem pornografia encapotada, publicidade que ofende os direitos humanos e dos animais, programas impróprios a horas do jantar? Porque nunca interagiu o Ministério da Educação com o da Cultura?
13- ...permitiu que se extinguissem os Exames por puras razões estatísticas? Ninguém no Ministério sabia que era preciso separar os que sabiam dos que não sabiam, e desde o início da escolaridade? Porque facilitou sempre a passagem dos que tinham níveis negativos?
14- ...deixou que as escolas tivessem apenas um psicólogo (quando o tinham, claro) que além de fazer sozinho a orientação vocacional, não tinha tempo para lidar com os casos mais graves que surgiam nos alunos? Porque, entre eles, não havia futuros desajustados da sociedade, nem doentes mentais, nem vítimas de abuso sexual, nem de violência doméstica, nem problemas de droga. Ou havia?
15- ...não se deu conta da crescente feminização das nossas escolas? Por que razão isso aconteceu, é simples - ser professor era (é) das tarefas mais exigentes, mal pagas, de carreira mais difícil e incerta. Portanto, óptima para o lado mais fraco da nossa sociedade. Depois, com algum malabarismo, ainda deixava algum tempo livre para as tarefas domésticas. Os homens, simplesmente não se sujeitavam a isto e partiam para outras profissões, mesmo dentro da função pública como para repartições e organismos de gestão do Ministério da Educação. Esta acomodação a padrões de sociedade retrógrados nunca incomodou o Ministério? (A propósito, os professores-homens estão a voltar ao ensino, não porque sintam vocação, mas porque há falta de empregos...)
Podia continuar estas interrogações que apontam para coisas que a sra. ministra, estranhamente, prefere não falar. O passado é negro, concordo, as estatísticas não se podem ignorar, mas a culpa não é, seguramente, dos professores. Porque os que resistiram a todos estes erros da responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão. Sabe a sra. ministra porque é que, em Inglaterra, já ninguém quer ser professor e andam à procura deles em Espanha e até em Portugal ?

Jogo pelos professores

Vítor Serpa A BOLA - 03-06-2006
http://www.abola.pt/colunistas/index.asp?op=ver&texto=2451
Os professores andam em pé de guerra. Como os professores são normalmente distantes uns dos outros, os seus pés de guerra andam por aí semeados como pés de salsa, espalhados pelo País. De norte a sul.
Os professores estão descontentes. Com a vida que lhes corre mal, porque ninguém os valoriza; com os colegas, que só se interessam por resolver a sua vidinha; com os alunos, que os desconsideram e maltratam; e, acima de tudo, com o Governo da nação, que os desvaloriza, os desautoriza e os desmoraliza. Nunca fui um estudante fácil e sabia que um professor desautorizado era um homem (ou umamulher) morto na escola. Não quero dizer fisicamente mas profissionalmente. Como sempre fui bom observador, conhecia de ginjeira os professores fortes e os professores fracos. Os fortes resolviam, por si próprios, a questão. Alguns pela autoridade natural do seu saber e da sua atitude, outros de forma menos académica. Os fracos eram defendidos pelos reitores. Ir à sala de um reitor era, já por si, um terrível castigo. Mas bem me lembro que professores fracos e fortes, bons e nem por isso, se protegiam, se defendiam e se reforçavam na sua autoridade comum. Já nesse tempo se percebia que tinha de ser assim, porque, se não fosse, os pais comiam-nos vivos e davam-nos, já mastigados, aos filhos relapsos. E isso a escola não consentia. Os pais, dito assim de forma perigosamente genérica, sempre foram entidades pouco fiáveis em matéria de juízo sobre os seus filhos e, por isso, sobre quem deles cuida, ensina e faz crescer. Os pais sempre foram o pavor dos professores de natação, dos técnicos do futebol jovem, dos animadores das corridas de rua. Os pais, em casa, acham os filhos umas pestes; mas na escola, no campo desportivo, no patamar da casa do vizinho, acham os filhos virtuosos e sábios. Os pais são, individualmente, insuportáveis e, colectivamente, uma maldição. Claro que há pais... e pais. E vocês sabem que não me refiro aos pais a sério, que são capazes de manter a distância e o bom senso.
Falo dos outros, dos pais e das mães que acham sempre que os seus filhos deviam ser os capitães da equipa e deviam jogar sempre no lugar dos outros filhos. O trágico disto tudo é que são precisamente esses pais os que, na escola, se acham verdadeiramente capazes de fazer a avaliação, o julgamento sumário dos professores dos seus filhos, achando que eles só servem para fazer atrasar os seus Einsteinzinhos.
Por isso eu aqui me declaro a favor dos professores. Quero jogar na equipa deles contra a equipa dos pais e ganhar o desafio da vida real e do futuro deste país contra o desafio virtual dos pedagogos de alcatifa.

Carta Aberta

Carta Aberta à Sr.ª Ministra da Educação (recebi por email)


Esta carta, que será divulgada também na comunicação social, tem como
objectivo contribuir para a reflexão acerca da Qualidade da Educação do
nosso país.

Neste sentido, e ao invés de contestar ponto por ponto a sua proposta de
alteração ao Estatuto da Carreira Docente, os docentes deste país ficam-se
pelas suas consequências, o tal efeito prático que a Sr.ª Ministra prefere
dissimular num jogo falacioso e perigoso, atirando-nos, pais e professores,
uns contra os outros.

Embora tenha surgido como o maior engodo - o de chamar os pais à escola - da
história da Educação deste país, na verdade, a avaliação dos Docentes pelos
Pais e Encarregados de Educação, representa apenas uma ponta da ponta de um
iceberg, uma linha de texto num documento de 54 páginas. Interessa apenas a
quem se limita a promover manobras de diversão facilmente identificáveis,
parecendo ignorar que nenhum professor sério irá temer se for avaliado de
forma séria. É vergonhoso, até para nós que somos portugueses, verificar o
calculismo e a facilidade com que a Sr.ª Ministra aborda a questão complexa,
como é a de avaliar os desempenhos dos professores, sem o mínimo de
profundidade, preferindo, sem olhar a meios, o populismo fácil e barroco.

Recorrendo a meras hipóteses, se o novo estatuto fosse, numa eventualidade
pouco inteligente, aprovado, o docente teria um número fechado de vagas para
Muito Bons e Excelentes. Assim, perguntamos nós: e se, num acaso, os
professores de uma escola excederem o número premeditado de Excelentes?
Escolher-se-iam os melhores dos melhores e passar-se-iam os outros para
Muito Bom e os que tinham a dita nota para o Bom? Ou, numa outra
eventualidade, rasurar-se-iam as notas, de forma a não se levantarem
polémicas no seio de uma escola que se quer unida e sempre controlada?

Talvez se vislumbre uma resposta se se conhecerem melhor os dezasseis pontos
em que o hipotético docente será avaliado, previsto no artigo 46º do
hipotético novo estatuto:

. o professor será avaliado pelos resultados escolares dos alunos.
Explicar-nos-á a Sr.ª Ministra como pode um professor de uma má escola, e em
muitas "má" será sempre um doce eufemismo, ter o mesmo nível de qualidade na
sua avaliação de um colega seu numa boa escola? Será então que os
professores têm as mesmas medidas e oportunidades de uma boa avaliação? Ou,
por outro lado, bastará que se avalie positivamente os alunos,
independentemente da realidade?

. o professor será avaliado pelas taxas de abandono escolar? Certamente que
no Ministério ainda andam à procura de uma resposta coerente a esta
pergunta. Imaginemos que existe uma comunidade de etnia cigana numa escola
ou que em determinada localidade, e não são assim tão poucas, os pais querem
retirar os filhos da escola para que trabalhem com eles. Como pode o
professor ser penalizado por uma situação como esta onde a responsabilidade
não lhe cabe? Não se deveriam criar medidas coerentes para um mundo real?
Neste caso como seria, então? Seriam penalizados todos os docentes daquela
escola ou apenas daquela turma? Não será esta uma medida oportunista, em que
se acusam os professores da incompetência, de um governo que não cria
segundas verdadeiras opções para os jovens que abandonam o ensino ou que
simplesmente querem mais? Não será esta medida economicista, visto que,
deste modo, os professores ficam limitados na sua avaliação, o que prejudica
seriamente a sua progressão e,
naturalmente, os impede de subir de escalão e vir a auferir um melhor
salário?

. apreciação do trabalho colaborativo do docente? O que significa
exactamente trabalho colaborativo? E para colaborar com o quê? Ou com quem?
Terá a Sr.ª Ministra intenção de instigar ao mau ambiente na sala de
professores ou a de tornar menos transparentes algumas avaliações? Haverá
aqui uma vontade de tornar ambíguo o que se quer simples e preciso? Talvez,
na sua visão, "dividir para reinar" faça um sentido que não cabe nesta
profissão!

. apreciação realizada pelos pais e encarregados de educação. Consegue a
Sr.ª Ministra avaliar com a exacta certeza uma pessoa que nunca viu e cuja
imagem foi construída apenas por uma criança ou pelos comentários de outras?
Serão todos os pais capazes de avaliar os professores através de quase nada?
É essa a avaliação que pede aos professores, quando se trata de avaliar os
seus alunos? Avaliar com pouco? Mas sempre num nível positivo, de forma a
não transtornar os pais? A Sr.ª Ministra quer que nós acreditemos que uma
avaliação realizada desta forma irá ser objectiva e transparente? Muito
embora cada um dos pontos tenha um peso, que ainda não se conhece, tal
questão parece-nos irremediavelmente condenada ao fracasso, pelo menos se
observada de um ponto de vista sério e rigoroso.

. avaliação através da observação de aulas? Quais são os critérios adoptados
pela Sr.ª Ministra? Imaginemos que decorre a avaliação de dois docentes
distintos em dois locais diversos. Cada um dos quais está a ser medido por
um hipotético professor titular. Imaginemos que são duas escolas em meios
diferentes. Encontra-se a Sr.ª Ministra capaz de nos assegurar que ambas as
avaliações serão correctas ou que, sendo invertidos os lugares, os docentes
manteriam a mesma qualificação ou quase? Nestas contas entram factores
demasiado subjectivos. Numa mesma escola, o mesmo professor pode obter dois
níveis diferentes, se for avaliado, por exemplo, por titulares de distintas
sensibilidades. Suponhamos, por outro lado, que a aula corre mal, porque o
professor está engripado ou porque os alunos vieram de uma visita de estudo.
Será sério avaliar todo um ano escolar com três visitas à sala? Será sério
fazer depender a progressão na carreira desta forma?

Os docentes passariam a ser avaliados em dezasseis pontos ou itens de
classificação como lhe chama a Sr.ª Ministra. Destes, quinze são
perfeitamente subjectivos, e um deles, o que respeita à assiduidade, o único
preciso porque se trata de um número, a Sr.ª Ministra trata-o com a
ligeireza que parece ser o seu maior dom.

A Sr.ª Ministra não se nega a coarctar aos docentes qualquer esperança,
ainda que infeliz, de poderem assegurar o seu desempenho se caírem doentes
numa cama. O professor passa, assim, a ser obrigado a cumprir 97% do seu
serviço lectivo, se quiser progredir na carreira. À priori, esta medida
parece ser finalmente a resposta aos pedidos dos pais e encarregados de
educação dos nossos alunos. Será assim tão óbvia e tão simples esta leitura?
Três por cento de faltas como máximo, representa cinco dias de faltas por
ano? Explique-nos, por favor, a Sr.ª Ministra como justifica o facto de não
poder estar doente. Fazemos notar que não falamos apenas de nós próprios,
aqui também cabe a assistência à família. Repare a Sr.ª Ministra que os
professores lidam com crianças, cerca de vinte e cinco por cada uma das
cinco turma (em média, claro está), e que estas mesmas crianças adoecem e se
constipam e nos constipam. E nós sabemos que às vezes mais vale ficar um dia
em casa e recuperar a saúde
, do que prestar um mau serviço público. Os docentes têm um grande respeito
pela sua profissão. Nenhum professor sério falta para ficar a dormir.
Teremos que "contagiar" toda uma escola necessariamente, em nome da
graduação profissional, uma vez que só serão devidamente justificadas as
doenças em regime ambulatório.

Por outro lado, repare Sr.ª Ministra, pois talvez ainda não o tenha feito,
que a grande maioria dos docentes está deslocada da sua casa, longe dos seus
familiares. Esta enorme massa humana que se desloca pelo país, em milhares
de quilómetros mensais, aos princípios e fins-de-semana, em veículo próprio,
e que entrega dinheiro ao estado nos impostos de combustíveis, está muito
sujeita a ter contratempos na estrada ou com a mecânica do seu automóvel, e
que, a partir de agora, estes mesmos cidadãos manterão esta distância
durante três e depois quatro anos!

No que diz respeito às mães ou futuras mães, não compreendemos como pode a
Sr.ª Ministra querer avançar com um estatuto que as espartilhará - a
maternidade é um direito protegido pela Constituição da República
Portuguesa. É-nos dito que, no decorrer desse ano, a docente não será
avaliada, pelo que a mãe terá nesse ano a mesma classificação que lhe for
atribuída no seguinte, ou seja, bastar-lhe-á faltar seis dias para que não
progrida na carreira dois anos. Saberá a Sr.ª Ministra o complexo que é
cuidar de uma criança durante os primeiros meses e anos de vida? Numa
primeira fase, a do período do parto, o novo estatuto salvaguarda as mães
para depois as deixar desamparadas numa segunda fase, como se a maternidade
se esgotasse no acto de "dar à luz".

Contempla alguns destes dados na sua proposta, Sr.ª Ministra, ou prefere
tratá-los com a distância da sua demagogia? Como quer a Sr.ª Ministra
estabilidade docente, aquela que tanto aclama, convencendo apenas quem
ignora a realidade do que é ser educador, se qualquer uma das acções que
toma vai no sentido de criar instabilidade e insatisfação? Como quer a Sr.ª
Ministra docentes produtivos e colaborativos se instiga ao fascismo redutor,
como se lidasse com gente disposta a rebaixar-se aos seus pés sem que lhe
fosse levantado um par de olhos? Como quer a Sr.ª Ministra um alto nível de
rendimento escolar e uma enorme qualidade para a Educação quando atira
medidas laças para cima de uma mesa, onde se discute o futuro?

Este é um assunto sério, Sr.ª Ministra, nenhum professor está aqui para
brincar! À Sr.ª Ministra interessa ter os pais do seu lado,
independentemente dos meios, o que lhe interessa são os fins economicistas,
cada vez mais sublinhados por cada medida que assina.

Pretende convencer os professores deste país que um tecto ao fim de doze
anos de carreira é um objectivo para quem tem que ser avaliado e
classificado todos os anos? As demagogias criadas para iludir a opinião
pública são os instrumentos de trabalho utilizados pelo estado, mas do tempo
da outra senhora, quando a Sr.ª Ministra ainda tinha a esperança de viver
numa democracia - se é que teve.

Parece-nos que todas estas medidas foram lançadas ao ar para justificar o
trabalho de alguns caciques que há muito não leccionam e que pululam de
gabinete em gabinete na esperança, certamente vã, de lhe apresentar algum
trabalho, uma vez que, somente quando já não tiver professores no seu
ministério, vossa Senhoria ficará plenamente satisfeita.


Junho de 2006

Um grupo de Professores desrespeitados

domingo, 4 de junho de 2006

A entrevista

Muita clareza no discurso da senhora: o professor está qualificado para lidar com TODOS os alunos. «Tem que saber trabalhar com crianças! TODAS!»
  • Uma de 6 anos é exactamente igual a uma de 1o ou a uma de 17... (isto toda a gente sabe)
Justifica-se assim a orientação para a organização do próximo ano lectivo que diz:
Os docentes sem componente lectiva, independentemente do seu ciclo de ensino, devem ser afectos, de acordo com as necessidades do Agrupamento/Escola, à Dinamização de actividades de prolongamento do horário no 1º ciclo.
Fechem-se já os cursos de Psicologia e de Assistência Social! Porque é esse o nosso papel.
Ficou claro que o nosso papel já não é ensinar conteúdos curriculares a quem quer aprender. É reunir.
  • Palavra de ordem: REUNIÃO! Somos uma organização. Precisamos de reunir. A reunião é o caminho para a resolução de todos os problemas.
Com o trabalho em equipa vamos com toda a certeza fazer com que alunos como os que foram aqui ou aqui focados passem a olhar para a escola de uma forma completamente diferente.
- Que estão 30 professores a fazer na sala de professores, se na sala ao lado está um colega com um problema de disciplina? Em que escola isto acontece? Estaremos no mesmo país?

As aulas de substituição servem para minimizar os problemas de indisciplina? Só pode ser anedota. É aí que se têm verificado mais problemas... E servem para se ver a escola como um «espaço de convívio e socialização com os bens e meios culturais» (?!?) ... (chinês?)

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Outras formas de luta

Para além de todas as greves convocadas, que farei (embora a actuação dos dirigentes sindicais me tenha demasiadas vezes desiludido), a melhor de todas as formas de luta é efectivamente a demissão de quem está obrigado a cumprir o estipulado pela tutela: executivos, coordenadores, delegados...
Esta petição é outra delas...
A análise deste texto presente no blog da Teresa é esclarecedor.

Cromos TSF - José Pedro Gomes
Porque não pensar como este comentador das notícias do Público que diz:
Será que a educação de um país deve depender da cor politica do governo? Não seria melhor ter um organismo permanente, com pessoas capazes e especializadas a planear as reformas realmente necessárias no sistema de ensino em Portugal? Quando é que se vai levar a educação a sério em Portugal? As vezes parece-me que a educação em Portugal se resume a uma guerra entre ministério e professores.

Opiniões

http://edutica.blogspot.com/2006/05/post-aberto-ministra-da-educao.html

http://dn.sapo.pt/2006/06/02/opiniao/educacao_insistir_modelo_futuro.html



Adenda:
De outròÓlhar ouvir isto :)


Sobre os alunos, elemento tão importante nesta coisa das escolas:
http://blogdosindocentes.blogspot.com/2006/06/os-alunos-2.html

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Parabéns

Colegas demissionários do Conselho Executivo da Escola Inês de Castro

Muitos parabéns pela V. coragem, determinação, honestidade... Se fôssemos todos assim, ninguém nos insultava desta maneira.

Muito obrigado e espero que outros a exercer cargos sigam o V. magnífico e honroso exemplo.


http://jn.sapo.pt/2006/06/01/ultimas/Professores_demitem_se_ap_s_dec.html

A visitar


http://contratado.blogspot.com/

A questão dos pais é menor, perante os atentados à nossa classe neste estatuto... mas gostei :)


quarta-feira, 31 de maio de 2006

Orientações 2006/2007

Aos docentes, independentemente do seu grupo de recrutamento, poderá ser atribuída a leccionação de qualquer disciplina, de qualquer ciclo, para a qual o docente tenha habilitação adequada. (mas o que é adequada?)
Os docentes sem componente lectiva, independentemente do seu ciclo de ensino, devem ser afectos, de acordo com as necessidades do Agrupamento/Escola, à:
- Dinamização de actividades de prolongamento do horário no 1º ciclo.
O QUÊ? SERÁ POSSÍVEL? Então agora mesmo sem qualquer preparação, formação ou vocação somos pau para todo o serviço???????? Qualquer dia temos de limpar a escola, dispensar o pessoal da secretaria e tratarmos de tudo isso também! Mas será que mais uma vez todos nos vamos calar e aceitar estas incongruências? O enfermeiro vai fazer diagnósticos e o médico vai pôr o soro e dar injecções? Agora somos animadores sociais?

terça-feira, 30 de maio de 2006

Revolta

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=689314&div_id=1731
A ministra da Educação traçou ontem um quadro arrasador da falta de orientação das escolas e dos professores para os resultados dos seus alunos.
Turnos da manhã reservados a turmas dos melhores alunos e filhos dos funcionários da escola, preocupação quase exclusiva para o cumprimento «burocrático-administrativo» das leis e distribuição das melhores turmas aos melhores professores são alguns dos exemplos apontados por Maria de Lurdes Rodrigues para dizer que a escola tem-se preocupado em dar aulas, mas não com o sucesso educativo dos alunos, noticia o «Diário de Notícias».
Este retrato foi desenhado pela ministra na abertura de uma série de seminários, promovidos pelo Conselho Nacional de Educação, no Fórum da Maia, numa plateia com professores. Apesar do rosto desagradado de muitos face ao discurso de Maria de Lurdes Rodrigues, as manifestações públicas foram escassas.
Isabel Cruz, professora da Trofa, foi, perante os jornalistas, a voz do protesto que os colegas silenciaram: «Estou perfeitamente revoltada. A senhora ministra tem que respeitar os principais agentes da educação. Fez um retrato da escola no qual não me revejo». A docente assinalou a «gravidade» do que disse a ministra e acusou-a também de «ignorar e não escutar» os professores.

Comentários à notícia

Tenho vergonha da Senhora Lurdes
Por: Carlos Pinto
[ 2006-05-30 19:53 ]
Como ex-professor e tendo tido, durante vários anos, cargo de chefia do Ministério da Educação, peço desculpa à Senhora Ministra, enquanto pessoa, por a tratar como a tratei no título. Na verdade é em pagamento pela falta de respeito que demonstra para com a classe docente. A Senhora Ministra, dando a força que está a dar à indisciplina dos alunos e à ignorância dos pais, está a desautorizar os professores. Espero que não venha a acontecer como em Inglaterra que os bons professores começaram a abandonar o ensino público, tendo mais tarde as autoridades de recorrer aos professores aposentados para se tentar impôr a ordem. Tenho vergonha dos governantes que tenho, nomeadamente da Senhora Ministra da Educação.


Simples comentario
Por: Joao Marinho
[ 2006-05-30 17:44 ]
Exma Sra MinistraApesar de nao ser professor, mas na qualidade de pai e Portugues surpreende-me os comentarios da senhora e entao nao pude resistir a deixar um pequeno e simples comentario.Como emigrante a residir em Londres fico surpreso com a hipotese que me parece muito provavel de a senhora nunca ter visitado escolas fora de Portugal como por exemplo aqui em Londres(caso nao saiba, fica na Inglaterra um pais situado num grupo de ilhas a norte de Penbinsula Iberica), desempenho no meu dia-a-dia de trabalho funcoes que me levam a visitar bastantes escolas que vao desde as primarias as universidades e em todas encontro inumeras salas de aulas com elevado numeros de computadores, laboratorios equipados de excelente material, cozinhas, enfim todo um conjunto de solucoes que permitem aos alunos ter uma boa formacao desde o inicio da sua vida escolar, sera que a senhora dispoe de tudo isso nas suas escolas? sera que teram de ser os professores mal pagos a adquirir tais equipamentos? pelos vistos e o que pretende ao chamar as pessoas de incompetentes.Fico tambem surpreendido com o facto de colocar a hipotese de serem os pais a avaliar os professores, realmente a ideia nao e ma de todo mas se ao mesmo tempo estes poderem tambem avaliar os ministros, talvez por cada professor com nota negativa por parte dos encarregados de educacao existam 10 ou mais ministros(sera que ja pensou nessa hipotese?)E de facto de lamentar que o nosso pequeno pais seja governado por pessoas assim, mas talvez seja a justificacao para cada vbez mais se encontrarem Portuguese por toda a parte do mundo e nao ha um unico que diga que o faz por gosto mas sim porque o nosso pais esta de rastos.

A culpa é sempre do treinador!
Por: Fernando
[ 2006-05-30 14:41 ]
muitos imigrantes existem em portugal. Uns da europa de leste, outros de áfrica... falou-se muito de uma turma, julgo que em braga, com alunos de 23 nacionalidades diferentes...ainda assim, verifica-se que os alunos da europa de leste, apesar das condicionantes da língua, aprendem mais que os portugueses ou os imigrantes de outros locais. com os mesmos professores...Nas recentes jornadas da lingua portuguesa, incrivelmente, uma das 6 finalistas era estrangeira, de um país de leste... a competir com os melhores portugueses!Serão mais inteligentes? Têm professores próprios? Ou um professor passa a ser bom quando ensina alunos destes, poruqe aparece o aproveitamento?Obviamente, existem bons e maus professores. Obviamente existem bons e maus alunos. Obviamente existem bons e maus políticos (os bons desapareceram faz algum tempo). Acima de tudo, existem bons e maus pais.Instaurou-se uma necessidade de quotas de aproveitamento (ridículo) porque os meninos têm que passar o ano. Como se viu por outros artigos, até nas universidades, quem mais copia é quem tem melhores notas. Os pais descartam-se completamente da educação porque chegam a casa depois de 4 horas diárias nas filas do IC 19 e querem é ver a telenovela que no dia seguinte é dia de trabalho, dia de mercado (sábado) ou dia de praia (domingo). Não há tempo para os filhos... mas eles têm que passar o ano para poderem ter um canudo e não fazer nenhum no futuro... e se isso não acontece, se o puto não chega lá, pois claro... a culpa é do professor...Como no futebol, se a equipa joga mal, a culpa é do treinador, independentemente da qualidade dos jogadores e da sua motivação.Pretende-se dar a estes pais a responsabilidade de avaliar os professores. Se eu fosse professor, só dava boas notas... assim certamente era bom... mesmo que fabricasse ignorantes com boas notas!Felizmente não sou professor... E recusar-me-ei a julgar algum professor sem primeiro julgar os alunos e os seus pais. A educação dá-se em casa. na escola ministram-se conhecimentos.

Viva o passado
Por: Aluno
[ 2006-05-30 13:40 ]
Viva Salazar e a sua politica de ensino

O insucesso educativo.
Por: Maria
[ 2006-05-30 13:10 ]
É verdade, as escolas não estão preparadas para o sucesso educativo dos alunos. Mas, as escolas e os professores não são os principais responsáveis pelo insucesso educativo. São sim as famílias, que não acompanham os seus filhos, quer nos trabalhos de casa, quer na assiduidade, quer na disciplina. Felizmente, no meu tempo de aluna não era assim. Convém não ter memória curta e saber que após o 25 de Abril de 1974 a uma "vaga" de professores apenas com o 7º. ano, sem mais qualificações, lhes lhes foi permitido o direito de ensinar. Será que não foi aqui que todo o insucesso educativo começou?! Culpa de quem? Só pode ser de quem vem governando este país deste essa altura. Não sejamos hipócritas, analisemos todas as variáveis que influem no sucesso educativo, e deixemos de culpabilizar quem não nem tem culpa de nada.
Mas hoje no debate o sr jorge não conseguiu justificar decentemente nada.
A opinião pública há-de perceber...

segunda-feira, 29 de maio de 2006

O que é ser professor?

Artigo 36º
Conteúdo funcional
1- A carreira docente reflecte a diferenciação profissional inerente ao exercício das funções de cada uma das categorias a que se refere o nº1 do artigo 4º, devendo ser exercida com plena responsabilidade profissional e autonomia técnica e científica, assente numa lógica de participação activa na comunidade escolar, na comunidade local e com outros parceiros educativos.

2 - O docente desenvolve a sua actividade profissional de acordo com as orientações de política educativa e no quadro da formação integral do aluno, cabendo-lhe genericamente: gosto particularmente deste «genericamente»
a) Identificar saberes e competências-chave dos programas curriculares de forma a desenvolver situações didácticas em articulação permanente entre conteúdos, objectivos e situações de aprendizagem, adequadas à diversidade dos alunos; (mínimo de 25 por turma - será que chegam 25 planos de aula por dia?)
b) Gerir os conteúdos programáticos, criando situações de aprendizagem que favoreçam a apropriação activa, criativa e autónoma dos saberes da disciplina ou da área disciplinar, de forma integrada com o desenvolvimento de competências transversais; (as tais de que falava António Nóvoa - para além de ensinar o que está no programa, há que lhes «ensinar» tudo o resto)
c) Trabalhar em equipa com professores e outros profissionais, envolvidos nos mesmos processos de aprendizagem;
d) Desenvolver, como prática da sua acção formativa, a utilização correcta da língua portuguesa nas suas vertentes oral e escrita;
e) Assegurar as actividades educativas de apoio e enriquecimento curricular dos alunos, cooperando na detecção e acompanhamento de dificuldades de aprendizagem;
f) Assegurar e desenvolver actividades educativas de apoio aos alunos, colaborando na detecção e acompanhamento de crianças e jovens com necessidades educativas especiais;
g) Utilizar adequadamente recursos educativos variados, nomeadamente as
tecnologias de informação e conhecimento, no contexto do ensino e das
aprendizagens; (sem elas já ninguém sabe ensinar nem aprender)
h) Utilizar a avaliação como elemento regulador e promotor da qualidade do ensino, das aprendizagens e do seu próprio desenvolvimento profissional;
i) Participar na construção, realização e avaliação do projecto educativo e
curricular de escola;
j) Participar nas actividades de administração e gestão da escola, nomeadamente no planeamento e gestão de recursos;
l) Participar em actividades institucionais, designadamente em serviços de exames e outras reuniões de avaliação;
m) Colaborar com as famílias e encarregados de educação no processo educativo, em projectos de orientação escolar e profissional; (temos agora de saber aplicar os testes de orientação que cabiam aos psicólogos?)
n) Promover projectos de inovação e partilha de boas práticas, com outras escolas, instituições e parceiros sociais;
o) Fomentar a qualidade do ensino e das aprendizagens, promovendo a sua
permanente actualização científica e pedagógica apoiado na reflexão e na
investigação; (tempo para reflexão? tempo para investigação?)
p) Fomentar o desenvolvimento da autonomia dos alunos, respeitando as suas diferenças culturais e pessoais, valorizando os diferentes saberes e culturas e combatendo processos de exclusão e discriminação;
q) Demonstrar capacidade relacional e de comunicação, assim como equilíbrio emocional nas mais variadas circunstâncias; (há que ter capacidade para engolir todos os insultos com cara serena e sorriso subserviente)
r) Desenvolver estratégias pedagógicas diferenciadas, promovendo aprendizagens significativas no âmbito dos objectivos curriculares de ciclo e de ano;
s) Assumir a sua actividade profissional, com sentido ético, cívico e formativo;
t) Desenvolver competências pessoais, sociais e profissionais para conceber
respostas inovadoras às novas necessidades da sociedade do conhecimento;
u) Promover o seu próprio desenvolvimento profissional, criando situações de autoformação diversificadas, nomeadamente em equipa com outros
profissionais, na resolução de problemas emergentes de educativas situações; (isto deve ter sido copiado do inglês...)
v) Avaliar as suas práticas, conhecimentos científicos e pedagógicos e gerir o seu próprio plano de formação.

Proposta de Adenda:
x) Engraxar convenientemente quem interessa engraxar.
y) Dar boas notas a todos os alunos, independentemente do seu «saber».
z) Usar o tempo disponível depois disto tudo, para comer e dormir, dispensando, claro, acompanhamento à auto-suficiente família (estou a aplicar a regra da alínea u) e o descanso.

Progressão condicionada

Artigo 25º
Estrutura
1- Os quadros de pessoal docente dos estabelecimentos de educação e ensino abrangidos pelo presente diploma fixam dotações globais para a carreira docente de modo a conferir maior flexibilidade à gestão dos recursos humanos da docência disponíveis, sem prejuízo do disposto no número seguinte.
2- O número de lugares de professor titular a prover por concurso de acesso a esta categoria não pode exceder, por escola, um terço do número de professores do respectivo quadro.
Natureza e estrutura da carreira docente
2 - A carreira docente desenvolve-se pelas categorias hierarquizadas de professor e professor titular, às quais correspondem funções diferenciadas pela sua natureza, âmbito, grau de responsabilidade e nível remuneratório.
3 - Cada categoria é integrada por escalões a que correspondem índices remuneratórios diferenciados.
Sistema de classificação
3 – Por despacho conjunto do Ministro da Educação e do membro do Governo responsável pela Administração Pública são fixadas as percentagens máximas de atribuição das classificações de Muito Bom e Excelente, por escola ou agrupamento de escolas.
Artigo 39º
Acesso
1 -O recrutamento para a categoria de professor titular faz-se mediante concurso de provas públicas de avaliação e discussão curricular aberto para o preenchimento de vaga existente no quadro e destinada à categoria e grupo de recrutamento respectivo.
2 - Podem candidatar-se ao concurso de acesso à categoria de professor titular os professores que detenham, pelo menos, dezoito anos de exercício de funções na categoria com avaliação de desempenho igual ou superior a Bom.
5 - O concurso a que se refere o nº1 consiste na apreciação e discussão pública do currículo profissional do candidato e de um relatório elaborado para o efeito, incidindo sobre o trabalho desenvolvido pelo docente, perante um júri de âmbito regional que integrará professores da disciplina ou área disciplinar da categoria a prover, cuja última classificação tenha a menção de Excelente, e ainda docentes dos estabelecimentos de ensino superior da área geográfica respectiva.
6 - O número de lugares a prover nos termos do nº1 não pode ultrapassar a dotação anualmente fixada por despacho do Ministro da Educação.
7 - As normas reguladoras do concurso de acesso são definidas por portaria do Ministro da Educação.
Isto interessa-me particularmente... Com 18 anos de serviço, já sei que vou passar muuuuiiiitos anos aqui estacionada. Vagas? Tá bem, tá.
Mas mais engraçado: quando houver vaga vou ter de «competir» com colegas e amigos, alguns deles como se família fossem... Bonito!

domingo, 28 de maio de 2006

Novo Estatuto

Opiniões
Transcrevo esta:

2 – Na avaliação efectuada pela direcção executiva são ponderados, em função de dados estatísticos disponíveis, os seguintes indicadores de classificação:
a) ...
b) Resultados escolares dos alunos;
c) Taxas de abandono escolar;

O José Sousa vai ter que me deixar avaliar todos os seus outros serviços: hospitais, finanças, transportes... e se eu souber que alguém morre no hospital... coitados dos médicos que nunca mais progredirão.
Este ano comecei com 40 alunos no 12º... agora já só tenho 22, pois, por não terem média suficiente (10º, 11º e 12º), anularam para poderem ir a exame. No ano que vem, já sei: nota mínima 10. Afinal, só estarei a contribuir para o seu sucesso... (não percebo porque me irrito)
Muito bem.
(Mas se calhar com 10 reprovam no exame e isso é mau para mim... humm... vou ter que subir uns cinco valores a cada um para não correr riscos.)
Já me sinto melhor agora.
A nossa atenção e preocupação está a centrar-se na questão da participação dos pais, mas há muitos outros factores preocupantes... Ver e/ou acrescentar em Aragem

sábado, 27 de maio de 2006

Provas de aferição de 6º


- Então, filha, como correu a prova?
- Bem! Não fiz três perguntas.
- Não fizeste três?!? E isso é «correr bem»?
Encolhendo os ombros:
- Então, aquilo não conta pra nada! Que é que interessa?
- Mas não fizeste porquê? Não sabias?
- Sei lá... Tinha que fazer muitas contas e aquilo não conta para nada!

...

Não sabia? Sabia.
E os resultados o que vão indicar? Que não sabia, que a prof não ensinou? Claro.
Foi assim? Não.

Para rir

Será possível?

Há alguns anos atrás, quando dei pela primeira vez aulas aqui onde estou, os pais de uma aluna de 9º ano com 2 a quase todas as disciplinas tocaram-me à campainha. Como não sabia quem era nem qual o assunto, abri. A minha casa estava realmente um pouco despida pois estava em início de vida. Para eu dar 3 à sua filha que «afinal, coitadita, só queria ser professora» ele (pai) «enchia-me a casa toda» e com um gesto largo apontou para as paredes vazias...

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Praias


Com o calor que aqui esteve hoje já só penso nisto. E a «minha» tá limpinha... (e os últimos testes ali estão a olhar, sarcasticamente, para mim).

domingo, 21 de maio de 2006

Gestão

Todos os dias, a formiga chegava cedinho à oficina e desatava a trabalhar. Produzia e era feliz.
O gerente, o leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão.
Se ela produzia tanto sem supervisão, melhor seria supervisionada? E contratou uma barata, que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios.
A primeira preocupação da barata foi a de estabelecer um horário para entrada e saída da formiga.
De seguida, a barata precisou de uma secretária para a ajudar a preparar os relatórios e contratou uma aranha que, além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas.
O leão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com índices de produção e análise de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito.
Foi então que a barata comprou um computador e uma impressora laser e admitiu a mosca para gerir o departamento de informática.
A formiga de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo!
O leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária trabalhava.
O cargo foi dado a uma cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete.
A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente (que trouxe do seu anterior emprego) para a ajudar na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalho e no controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e a cada dia se mostrava mais enfadada.
Foi nessa altura que a cigarra, convenceu o gerente, o leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente. Ao considerar as disponibilidades, o leão deu-se conta de que a Unidade em que a formiga trabalhava já não rendia como antes; e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse soluções.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes que concluía : "Há muita gente nesta empresa".

Quem o leão começou por despedir?
A formiga, claro, porque "andava muito desmotivada e aborrecida".
recebi por email

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Parabéns

Parabéns IC :)

Pessoa disse: «Ah, nesta terra também, também/ O mal não cessa, não dura o bem.»
Eu não concordo... Melhores dias virão...

:) ....... :( ?




quarta-feira, 17 de maio de 2006

Negócios?

Português 1 x 2


de Vasco Graça Moura no DN de hoje

Recebi na semana passada um ofício assinado pelos ministros da Educação, da Cultura e dos Assuntos Parlamentares convidando-me para integrar a Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura (PNL). Aceitei o convite muito penhorado, tanto mais que se prevê a possibilidade de a referida comissão aconselhar na execução do plano e participar em acções e iniciativas que venham a ser lançadas no seu âmbito.
O PNL "concretiza-se num conjunto de medidas destinadas a promover o desenvolvimento de competências nos domínios da leitura e da escrita, bem como o alargamento e aprofundamento dos hábitos de leitura, designadamente entre a população escolar". Da leitura da síntese do relatório que me foi facultada resulta a impressão de que o PNL articula bem as medidas e os objectivos que se propõe.
Na carta que dirigi à ministra da Educação tive, no entanto, ocasião de fazer dois reparos genéricos. O primeiro tem a ver com a reformulação dos programas escolares de Língua Portuguesa: o PNL não poderá ser levado a bom termo enquanto não se fizer essa reformulação, reabilitando devidamente o papel da Literatura no ensino da língua. Sobre este ponto, muito se tem escrito, pelo que não vale a pena desenvolvê-lo aqui. O segundo reparo manifestava a minha apreensão pela anunciada adopção do sistema de testes de escolha múltipla (multiple choice) nos exames de Português. Artigos de Maria do Carmo Vieira e de Eduardo Prado Coelho já falaram disto, que, diga-se desde já, se afigura absolutamente contraproducente quanto aos objectivos visados pelo PNL. Leio agora, no suplemento Educação do JL, de 10 a 23 de Maio, uma entrevista de Paulo Feytor Pinto (PFP), presidente da Associação de Professores de Português (APP), que me deixa ainda mais preocupado.
PFP procura justificar o novo sistema pela distinção entre "avaliação da leitura" e "avaliação da escrita", por, diz ele, "o facto de se avaliar a leitura através da escrita faz com que por vezes não saibamos se os erros ou incorrecções se devem à dificuldade de compreender ou à dificuldade de produzir um texto". E considera que as perguntas "que são assim são para um tipo de avaliação específica que é a avaliação da leitura", embora também possa haver "perguntas relacionadas com a avaliação da leitura que não sejam de resposta fechada".
A justificação não colhe. Ao nível escolar daquilo que é de exigir-lhe, pois não é de esperar que se exprima como Demóstenes, se um aluno tem dificuldade na escrita é porque não aprendeu bem.… Se não teve aproveitamento e não é capaz de produzir um texto, o teste de resposta múltipla só vai dissimular esse problema e contribuir para um resultado injusto. Isto para não falar na situação escandalosa de o aluno ter 25% de hipóteses de acertar logo à partida (em quatro quadradinhos para pôr a cruzinha, um deles há-de corresponder à resposta certa). Além disso, a pergunta, a que terá de responder com a tal cruzinha, não lhe dá qualquer possibilidade de desenvolver uma leitura diferente da insinuada na própria questão. O sistema cerceia a manifestação da personalidade do estudante e da sua capacidade interpretativa. O examinador não avalia assim nada de relevante.
Há também uma clara e chocante depreciação do papel da memória na aprendizagem: diz PFP que até agora só são utilizados como textos de referência os dados na aula, "o que faz com que não estejamos na realidade a avaliar a competência de leitura. Avalia-se se [os alunos] conseguiram memorizar o que foi dito na sala de aula sobre os textos". Então não é também para isso que eles têm aulas? Isto é verdadeiramente bizarro numa altura em que se valoriza cada vez mais o papel da memória na aprendizagem… Sem recurso à memória é que não há nem capacidade de leitura, nem capacidade de escrita.
Se o novo sistema se aplica à interpretação dos conteúdos dos textos, ele só irá reforçar a lei do menor esforço, a pretexto de dispensar os alunos de se exprimirem correctamente, de se lembrarem seja do que for e de mostrarem o que sabem. Se se aplica apenas à gramática, não faz qualquer sentido a distinção entre avaliação da leitura e avaliação da escrita e cria um perigoso precedente que virá a alastrar inevitavelmente às outras áreas da disciplina.
Continuam os equívocos pedagógicos numa área tão sensível. Não sei que luminárias os engendram. Mas sei que não se pode aceitar que os exames de Português obedeçam ao princípio do Totobola.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

...

Imersa -e quanto prazer isso me dá- na preparação de Memorial do Convento, (que abismal diferença faz da imersão em terminologia) não tenho tempo para o blog. Também não tenho sentido motivação para desabafar. Estou, como sempre acontece quando me canso, apática. Vejo passar à minha frente os diversos disparates da política e cinjo-me à minha vida caseirinha de preparar aulas, tomar conta das minhas 'mais que tudo' e vendo o choque tecnológico a electrocutar as cotas na Assembleia da República. Deixo aqui, no entanto, esta nota para todos os que visito regularmente, que me proporcionam sempre mais um tempinho de reflexão, para ver se não caio na apatia total.

domingo, 2 de abril de 2006

Bom senso

Um sinal de bom senso:

No final do ano passado (em Agosto) vi afixado no placard de informações da minha escola um ofício-circular que determinava que se as minhas filhas (maiores de 10 anos) adoecessem, iriam sozinhas ao médico e ficariam sozinhas em casa, pois essas faltas, que eu daria para as acompanhar, descontavam para tudo e mais alguma coisa.
Na altura ficámos atónitos e conversas inflamadas sobre a 'loucura' do governo circularam pela sala de professores. Mas o mais caricato foi que na presença de todas as 'inovações' que se apresentaram nessa altura, todos nos calámos. Todos aceitámos e eu, que costumo sempre criticar por escrito, nada fiz, pois contra a loucura e surdez considerei que nada podia fazer. Mas esta 'determinação' mantinha-se pairando como sombra sinistra sobre a minha cabeça...

Agora estou aliviada. Alguém, pelos vistos, deve ter alertado para a incongruência de tal lei, que se vê agora anulada.

sábado, 1 de abril de 2006

Pérolas

:)
«Há buracos na camada Diozoni!»

Horas e Horas


Aqui está um quadro com 3 casos específicos analisados no final do ano lectivo passado que servem de exemplificação para se determinar as horas que um prof cumpre na sua componente não lectiva nas 36 semanas em que decorre o ano lectivo e das quais, quem não conhece, não reconhece e não contempla. Os docentes aqui representados são casos reais...



De fora ficam as horas gastas em:
. reuniões de avaliação;
. lançamento de termos;
. matrículas;
. formação de turmas;
. serviço de exames;
. correcção de exames;
. elaboração de horários;
. planificação do ano lectivo;
. plano anual de actividades;
. Projecto Educativo.

Convido-vos a marcarem as horas que, este ano, estão a «gastar» semanalmente nesta profissão... (se arranjarem tempo).

quinta-feira, 30 de março de 2006

Exercícios

Ministério da Educação propõe exercícios em vez de provas-modelo
Alunos queixam-se de não conhecer modelo dos exames do secundário

Os alunos que estão a terminar o 12.º ano queixam-se que o Ministério da Educação não disponibilizou provas-modelo como referência do que poderão ser os exames nacionais que os esperam, em Junho. A tutela responde que, desde Maio passado, estão disponíveis, na Internet, exemplos de "itens" da matéria, a partir da qual os jovens podem estudar. O Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), responsável pelos exames, declara que não tenciona publicar mais nada.

Para terminar o ensino secundário é necessário realizar exames nacionais, que também contam para o acesso ao ensino superior. Este ano, os alunos do 12.º ano têm disciplinas com novos programas, diferentes dos do ano anterior.

Na página da Internet do Gave, www.gave.pt, não há provas-modelo para estas novas cadeiras, como as que existem para o antigo secundário. Em vez de provas, há listas com exemplos de exercícios.

Catarina e os colegas da secundária Rainha D. Leonor, em Lisboa, consideram que estão a ser "alvo de uma injustiça" e que podem ser prejudicados em relação aos estudantes que vão fazer exames segundo as disciplinas do antigo ensino secundário. Esses alunos têm provas-modelo, por isso, podem treinar, ter uma ideia do que pode ser perguntado nos exames, argumenta Catarina. "Estamos a ser cobaias porque estamos a estudar por programas novos que nunca foram experimentados e vamos fazer exames que não sabemos como serão", queixa-se a estudante do 12.º ano.

Resolver exercícios propostos

A decisão do Gave foi a de dar uma "informação diferente", ou seja, em vez das provas-modelo, é fornecida informação com "itens que são exemplificativos do que pode ser o exame", explica a presidente do gabinete, Glória Ramalho. "Os alunos podem tentar resolver aqueles exercícios e os professores, à custa dos exemplos que lá estão, podem fazer exercícios variados", sugere.
(he he he...)

Alguns professores do ensino secundário, ouvidos pelo PÚBLICO, queixam-se de não ser possível saber quais serão as questões de escolha múltipla e as de resposta aberta. Além disso, também não se sabe quanto valerá cada pergunta.

A partir das provas-modelo, publicadas nos anos anteriores, os docentes tinham uma noção do que poderia ser perguntado e quanto valia, argumentam. Glória Ramalho responde que, no exame, a relevância de cada matéria será "proporcional à importância que o programa lhe dá".
(Preciso de explicações...)

"As pessoas dão demasiado ênfase à prova-modelo e procuram uma tranquilidade que não é proporcional àquela que esta lhes pode dar, já que não se sabe que perguntas vão ser feitas este ano", analisa Glória Ramalho.

Caso do Português

No que diz respeito à disciplina de Português, os professores estão preocupados porque o novo programa prevê uso de nova terminologia - por exemplo, as palavras formadas por justaposição ou aglutinação passam a chamar-se "compostos morfosintáticos".
(Se fosse só isto...)

Glória Ramalho garante que o Gave terá "todo o cuidado em acautelar distúrbios por causa desta inovação". Esta tem sido a resposta dada pelo Gave aos e-mails e faxes que chegam de escolas e de professores de Português com a mesma dúvida, revela a presidente do Gave.

Na página de Internet do Gabinete de Avaliação Educacional estão disponíveis todas as provas que já se fizeram, desde 1997. No que diz respeito aos novos programas, foram publicadas, em Janeiro e Maio de 2005, informações com tipos de exercícios para cada disciplina.
Um professor, para fazer uma prova ( e está referenciado na lei, no ponto 5.6.2. do Despacho Normativo nº 11/2003) elabora obrigatoriamente uma matriz, pois só assim se pode saber (ele e os alunos), consoante as cotações, o peso a atribuir a cada uma das áreas do respectivo programa e assim saber a importância a atribuir a cada uma dessas áreas.
Esse peso não está definido nos programas.
O que o Gabinete de Avaliação do Ministério está a dizer aos professores é que ninguém tem de fazer matrizes e que nem professores nem alunos têm de saber sequer qual a estrutura das provas, dos exames, dos testes.
Tudo às escuras. Vamos em frente. Se cairmos, levantamo-nos logo a seguir. É bom para o crescimento. Este Ministério está a ajudar-nos a todos a crescer.
Fico feliz por todos nós.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Finlândia

http://www.jornaltorrejano.pt/jt/opiniao.htm#opiniao7


Artigo publicado no jornal "O Torrejano" de 10 de Março.
No passado foram construídas escolas em Portugal com armários para skis?

quinta-feira, 9 de março de 2006

Diálogos II

IC disse...
"Como será possível que a responsabilidade passe apenas pela escola e não sejam pedidas ou exigidas contrapartidas aos alunos?" Pois será possível pela fraude, pelo medo incutido aos professores de chumbarem alunos mesmo que dos planos de recuperação não cumpram sequer fazer os TPCs... (Chegou hoje à minha escola, embora ainda não o tenha lido, um ofício (ou qualquer coisa parecida) a elucidar que alunos com plano de recuperação só em caso excepcional (julgo que o ofício diz "em último caso")poderão reprovar. (Pelos vistos, os do nono também deverão ir todos a exame mesmo que não trabalhem um milímetro, para depois poderem apontar as culpas dos resultados aos professores)

f... disse...
Lindo!!!Se os que não têm plano de recuperação não podem reprovar porque não foi feito plano de recuperação e por isso, mesmo que desapareçam no 3º período, não lhes podem ser atribuídas notas negativas, ou baixar as que têm ... se os que têm plano de recuperação mesmo que não se esforcem, mesmo que não façam nada, tiverem que ser aprovados, este ano ninguém reprova, a não ser que isso aconteça nos exames!!!Porque não vamos todos para casa?! Pelos vistos não estamos lá a fazer nada ... nem nós, nem eles! O sucesso está garantido ... as estatísticas estão todas acima do nível de água! Não interessa que saibam ou aprendam, não interessa que ensinemos! Apenas interessam que os resultados digam SUCESSO, mesmo que não exista!

Prof24 disse...
Isto é tudo uma palhaçada. Rousseau dizia que o homem é naturalmente bom; a sociedade é que o corrompe (por acaso esta história está mal contada, mas fico-me por aqui). Aplicado a certas tendências ideológicas da Educação nos últimos anos, o aluno é sempre visto como VÍTIMA de insucesso; nunca como AGENTE do seu próprio insucesso. Não nego a existência de factores condicionantes do melhor ou pior aproveitamento de cada um, mas BOLAS, chegamos ao ponto em que se o aluno reprova é porque O PROFESSOR não o soube guiar. Isto é ridículo e faz-me um profundo nojo.
Anónimo disse...
Colegas
Como somos os únicos responsáveis pelo insucesso dos alunos está na hora de denunciar a demagogia educativo do governo. Temos de denunciar o lastimável sistema de avaliação dos alunos no ensino básico: não é necessário trabalho, nem empenho, nem ter material de trabalho porque os professores são obrigados a passar todos os alunos. Quando os alunos reprovarem nos exames só existirá um culpado. Não, não é o aluno! Nem o choque tecnológico!
Brevemente
Seremos um pântano educativo. Mas não devemos esquecer que a educação das elites está garantida e não é na escola pública. Façam o favor de denunciar a "passagem" sem sucesso dos alunos. E aproveitem para o fazer com as associações de pais.
Mas será possível??? Os deuses devem estar loucos!!! (ou é o nosso Ministério?)

Diálogos

PCosta - Começando pelo texto da Alzira, continuo a dizer que lhe reconheço, para além da qualidade do português, argumentos poderosos na defesa do ensino da literatura, da exigência, da qualidade, do rigor, aspectos que no entender dela, e de tantos nossos colegas, andam um pouco afastados do ensino.
Este ´abaixamento da fasquia`, como todos sabemos, deve-se à massificação do ensino (eu prefiro chamar-lhe democratização), pois houve a entrada obrigatória para o sistema educativo de todas as pessoas com idade escolar, fossem elas amarelas, azuis, deficientes, disléxicas, coxas, do campo, gordas... e isso parece que atrapalha. Acredites, ou não, a sociedade no geral, no seu conjunto e em termos de médio e longo prazo, beneficia mais com um sistema destes, do que com um sistema em que os principais valores sejam a rigidez, a selecção, ... as tais qualidades utilizadas demagógicamente: rigor, exigência, qualidade, etc. Bem, mas o que me interessa mais no meio disto tudo é que não vejo outra forma, fosse eu iluminado, para defender a nossa dama: a literatura, sem que com isso, não sejamos corporativistas. Dito de forma ainda mais simples, há que lutar contra a Arte, contra a Educação Física, contra a Matemática, contra, contra, contra, porque o espaço é curto, as horas são poucas...

(...)
Soledade Santos – (...) alguns dos colegas com quem experimento maior afinidade são justamente da Matemática. Que afinal também é uma linguagem. E o desenvolvimento da competência (esta palavra faz-me ranger os dentes) de leitura não é exclusivo do Português. Costumo dizer aos meus alunos que a vida é um texto. E seguramente a Literatura ajuda a decifrá-lo. Mas como andamos todos a brincar às escolas do Paraíso e a tapar o sol com a peneira... Desabafemos, se isso nos desoprime um pouco. E agora sou eu quem diz: coragem! (...)

No texto da Alzira Seixo não estava em causa a proeminência de uma disciplina face às outras, não se tratava de guerrinhas corporativistas entre grupos disciplinares. (...) E tb na Educação Física se lê/aprende a ler. Estava em causa, sim, uma dada concepção de escola (a que pastoreia crianças, os Bons Selvagens - alguém nas ESE(s) e no Min-Edu está a precisar de ler o "Senhor das Moscas"- e, no que concerne à disciplina de Português, os novos programas, centrados na (obcecados pela?) perspectiva comunicacional e (vou ranger os dentes outra vez) transaccional, encarando a literatura como "componente decorativa e obsoleta". Segunda coisa: tens razão quando referes a massificação do ensino e os problemas que isso trouxe à escola. Mas a solução não é entreter crianças, inventando simulacros de sucesso. É respeitá-las, porque elas merecem todo o nosso respeito, é "puxá-las para cima", e não descer ao nível mais raso; é não ter medo de ser politicamente incorrecto e assumir, de uma vez por todas, que a escola dita "inclusiva" é na verdade profundamente injusta, exclusiva e selectiva (a selecção fá-la-á a vida, mais tarde, e da forma mais cruel). Isto porque enfiar crianças "amarelas, azuis, deficientes, disléxicas, coxas, do campo, gordas" nas mesmas (e cada vez maiores) turmas, e fingir que é possível, nessas condições, um ensino diferenciado e uma leccionação eficaz, é condená-las, à partida, ao insucesso. É enganá-las. Tem de haver outro caminho: começar por admitir a diferença; e permitir a cada aluno chegar tão longe quanto puder, em lugar de nivelar todos pelo mais baixo denominador comum. Pastorear crianças e jovens, promover uma cultura da impunidade e da mediocridade, infantilizá-los, mantê-los na ignorância e depois largá-los, impreparados, num mundo cada vez mais hostil, parece-me criminoso. Dói-me, revolta-me! Muito mais que as provocações e humilhações da Sra Ministra. E é isto que eu penso.


Eu acrescentaria: que a escola está massificada (e muito bem) é claro. O que «antigamente» se fazia na escola não serve para hoje - porque os alunos são outros, a educação que (não) trazem também. Mas o que hoje se faz, definitivamente, também não serve. É preciso arranjar alternativas. Se os pais não educam, se a escola é onde eles têm de passar a maior parte dos seus dias, então é necessário dotá-la de instrumentos eficazes e não inundá-la de leis avulsas de quem parece nada perceber do que está a fazer... (planos de recuperação para alunos que respondem como este?)
É preciso TEMPO para tudo. Os horários sobrecarregados de componente curricular em sala de aula são claramente exagerados.... (falo do que vejo cá em casa – para se manterem numa fasquia de classificações elevada, as minhas filhas não têm quase tempo de apenas vegetar).

Mas há os que não precisam de Estudo Acompanhado, porque têm quem os acompanhe em casa. Há os a quem a Formação Cívica é dada em casa. Então porque perdem essas horas em «actividades» na escola?
Porque não atribuir a cada turma 2 directores/tutores, um de cada área (letras, ciências), com, por exemplo, metade do seu horário lectivo para atender às solicitações que a mesma peça. Se o que falta às crianças é acompanhamento, orientação, educação, então que se dê aos DTs espaço para «falar» com eles, para os orientar (tarefa de substituição de pais sem tempo ou sem formação). Em vez de estarem com 25 (na confusão), estariam apenas os que necessitassem, os que os pais solicitassem, e, fundamental, com tempo para atender individualmente a cada um. Como se organizaria? Caberia às estruturas pedagógicas pensá-lo (sala destinada à recepção de alunos problemáticos, sala(s) de estudo....) Os outros, que não precisam de acompanhamento e se «estragam» com as confusões a que se vão gradualmente habituando, esses poderiam frequentar os clubes ou as outras actividades organizadas na escola.
Não custaria muito ao erário público e possibilitaria aos DTs realmente «ouvirem» e «educarem» os seus alunos... Que se deixe as aulas, para instrução, que tão necessária é.

Informação



Quando é muita, confunde?
Programas extensos... Confundem?

segunda-feira, 6 de março de 2006

sábado, 4 de março de 2006

sexta-feira, 3 de março de 2006

Forum Ensino Secundário

É um espaço para apresentação de dúvidas... do Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Secundário.

quinta-feira, 2 de março de 2006

É triste...

Leia-se aqui , não para onde vai, mas onde já está a educação...
A 'minha' escola é pacata, numa vila do interior e o que aqui é relatado também na minha já acontece.
A educação começa em casa. Enquanto se desculpabilizarem as 'criancinhas' e os 'paizinhos' (porque estão muito cansados do trabalho e/ou não têm tempo/disponibilidade para os educar (aturar?)), enquanto se entregar à escola toda a responsabilidade de os 'educar' para além de os 'instruir' sem lhe dar os meios para o fazer...... NADA FEITO. (ponto final, parágrafo)