segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Avaliação da Reforma

Gostava de ter acesso ao relatório.
http://www.min-edu.pt/np3/457.html


Nota de Educação Física
por - Friday, 15 December 2006, 19:47

Boa noite. De novo um assunto já aqui aflorado: a tremenda injustiça que se pode estar a praticar ao incluir a nota de Educação Física na nota de acesso ao Ensino Superior. Acabo de constatar as maiores aberrações com esta disciplina, numa mesma escola: tectos para una professores, para outros não; critérios a serem aplicados ao milímetro para uns, para outros não há critérios; apreciações subjectivas da importância da disciplina num Agrupamento Ciências e Tecnologias) e para outro ( Artes) não e por isso podem-se inflaccionar as notas! E deste modo alunos com uma média de 18 valores a todas as disciplinas podem ver na pauta um 9 na referida disciplina e depois terão que ir para Espanha tirar determinados cursos. Nós até não precisamos deles para nada! Que aberração!Haja Bom senso.
Re: Nota de Educação Física
por - Friday, 29 December 2006, 13:59

Eu até nem me importava que EF contasse para média de acesso....desde que contasse para todos. Se a Srª ministra decidiu fazer exames comuns este ano para evitar desigualdades (o que eu apoio), então eu sugiro que olhe para além dos exames e veja também que há disciplinas comuns às duas reformas e que são avaliadas para acesso de modo diferente
Re: Nota de Educação Física
por - Saturday, 30 December 2006, 19:38

Sou Professor de Educação Física há mais de 20 anos no Ensino Secundário, tenho 2 filhos, um no 10º e outro no 12º. Compreendo as apreensões de pais, alunos e professores sobre este assunto. O princípio da igualdade nesta disciplina é questionável por vários motivos. São exemplos disso: 1- as condições de instalações, equipamentos e materiais muito diferentes de escola para escola; 2- os programas desigualmente abordados nas escolas, muitas vezes com matérias impossíveis de trabalhar, dado fundamentar-se noutras matérias que o aluno deveria ter abordado no seu percurso escolar desde o 1º ciclo e não o fez, não sendo sua a culpa; 3- a existência de alunos parcialmente ou totalmente impossibilitados da prática de exercício físico (ex. atestados médicos); 4- a existência ainda de escolas privadas sem a disciplina ou então dada de forma leviana.

Entendo que a situação actual é susceptível de injustiças graves, pelo que defendo outra ponderação para a disciplina com menos influência no acesso ao ensino superior.

PS. Aproveito para manifestar também a minha discordância com os privilégios dados no acesso ao ensino superior aos atletas de alta competição.

Re: Nota de Educação Física
por - Sunday, 4 February 2007, 17:59

Concordo inteiramente. A possível (provável?) inclusão da classificação de Educação Física na média para acesso ao ensino superior parece-me claramente injusta. Até ao passado ano lectivo (2005/06), essa classificação não era considerada, certamente, por se entender que não têm sido asseguradas a todos os alunos as condições indispensáveis ao desenvolvimento físico, de forma a poderem competir uns com os outros, a esse nível, em pé de igualdade. Medida sensata!

E o que mudou do ano passado para este ano, a esse nível? Nada! As desigualdades permanecem: nem todas as escolas secundárias (públicas) estão igualmente equipadas; e que garantias temos de que a Educação Física é encarada com o mesmo nível de exigência nas várias escolas ou, até, por diferentes professores na mesma escola? os critérios (e as condições) do ensino público e do privado são idênticos?

A primeira injustiça é esta: embora os alunos de ambos os currículos (o antigo e o novo) tenham feito a sua aprendizagem nas mesmas condições (porque nada se alterou, a não ser os programas), para uns a nota de Educação Física não conta, para os outros conta. Onde está a igualdade de oportunidades?

Segunda injustiça. O desempenho dos alunos no ensino secundário depende, também, das aprendizagens efectuadas ao longo do ensino básico. Ora, sabe-se que, ainda hoje, nem todas as escolas básicas estão dotadas dos mesmos equipamentos e instalações. Isto é, no que à Educação Física diz respeito, os alunos chegam (e terminam) o ensino secundário em condições desiguais. Transferir essa objectiva desigualdade para o processo de candidatura ao ensino superior é injustiça ao quadrado.

Terceira injustiça. Os finalistas do ensino regular (diurno) não são os únicos candidatos às vagas do ensino superior. Os alunos do ensino recorrente por módulos capitalizáveis podem igualmente fazê-lo, o que é inteiramente justo, tanto mais que se submetem, no ensino secundário, ao mesmo currículo. Ao mesmo currículo, com uma diferença, neste caso, radical. Os alunos do ensino recorrente NÃO TÊM EDUCAÇÃO FÍSICA!

A única maneira de colocar todos os candidatos ao ensino superior em pé de igualdade é, obviamente, retirar a nota da Educação Física da fórmula que determina o acesso ao ensino superior.

Re: Nota de Educação Física
por - Monday, 5 February 2007, 09:57

Cara equipa do GAAIRES

O que falta ainda argumentar mais para que o Ministério assuma, de uma vez por todas, que a nota de Educação Física não pode relevar para efeitos de acesso ao ensino superior?

Aproximam-se os exames e aumenta o nível de ansiedade dos alunos e pais.

Todos ficariam muito agradecidos se tal questão pudesse ser resolvida e esclarecida rapidamente.

Até porque, como muito bem acima se expõe, a inclusão de tal nota apenas para alguns no mesmo concurso de acesso viola descaradamente o princípio constitucional da igualdade de acesso ao ensino superior.

Evitem-nos os tribunais!

Re: Nota de Educação Física
por s - Tuesday, 6 February 2007, 17:12

Boa tarde. Só mais uma experiência quanto à questão da Educação Física: Sou professora de Filosofia, este ano com 10ºs anos, cujos alunos apresentam IMENSAS lacunas no domínio da língua materna, leitura, interpretação, ausência de vocabulário, enfim um rol de consequências da maravilhosa Reforma a que foram submetidos(só dois blocos de Português é o que dá e o mesmo se aplica à Matemática!). Ora eu pretendia dar-lhes apoio na minha disciplina, mas para além do apoio na disciplina de Matemática e outras, bem como as obrigatórias explicações, os meus alunos vão ter aulas de apoio a Educação Física e já não comportam mais apoios! Tenhamos dó, por muito importante que a disciplina seja e é, porque o futuro vai ser negro para eles, com tanta obesidade, sedentarismo, etc, como solucionar este dilema? Só vivemos contradições!
Re: Nota de Educação Física
por - Friday, 23 February 2007, 18:57

Boa tarde. Muito me agrada participar neste fórum sobre o Ensino Secundário. Interessante também esta implicíta (?) forma de dissertar sobre a importância da Educação Física (EF) no que respeita à consideração da sua avaliação no acesso ao Ensino Superior (ES). Queiram os amigos saber que a EF não contava no acesso ao ES a partir de um despacho (anos noventa) de um Sr. Secretário de Estado que achou mais fácil lançar esta pérola legislativa do que proporcionar condições de prática para a EF em todas as escolas, ou mais fácil ainda, utilizar médias ponderadas.
De facto ao longo destes anos, tem sido muitos os alunos prejudicados, por não lhes considerarem a avaliação da disciplina de EF que faz parte do seu currículo do 1º ao 12º ano (!).
Maravilhosa dualidade corpo-alma: o problema estrutural reside no facto de não se conseguirem resolver em três anos do Ensino Secundário os problemas a montante de 9 anos problemáticos. Não são, regra geral, as aulas de apoio que resolvem as insuficiências de base nas várias disciplinas entre as quais a EF. Obrigado pela atenção.

Relatório do Grupo de Acompanhamento da Reforma
por - segunda-feira, 26 Fevereiro 2007, 13:19

Boa tarde. Ainda não é possível ter acesso ao Relatório supra-citado, no entanto a síntese disponível já me permite uma conclusão óbvia. A componente prática das disciplinas de Física e Química e Biologia e Geologia tem sido, como constato, com o meu filho, completamente descurada por falta de tempo para a leccinação dos ditos, extensos programas. E agora aí está a recomendação! E quem repõe o prejuízo causado a estes jovens? Como vão eles para exame? O que tiveram que fazer as famílias para suprir o que, nas escolas, não se pode pôr em prática ou mesmo leccionar correctamente? Que preparação levam eles para o ensino universitário?Não importa, são cobaias de um sistema a quem os seres humanos pouco, desculpem, NADA importa.Ainda há quem fale em rigor, que bom que seria, se os nossos dirigentes/responsáveis começassem por dar o exemplo.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Prémios

Recebi por mail. Não deixem de participar na votação :)

http://www.sprc.pt/asps/votapirata.htm

Rebelião?

Nas alturas em que se verifica maior injustiça, e impotência perante ela, surgem vestígios de «rebeldia». É assim que temos visto petições e/ou manifestações e, depois, revolta silenciosa e solitária.
Respira-se isto no nosso meio e sente-se a necessidade de mudar alguma coisa.
Logo após ter tido conhecimento desta 2ª versão do Concurso para Titulares, um colega liga-me:
-É necessário ir mais longe do que o «barulho». É necessário ir, não enquanto membro de uma classe ou de um sindicato, mas enquanto cidadão, queixar-me a instâncias superiores. Escreve lá um texto, pá, que tens mais jeito. Isto não pode ficar assim. Estão a gozar connosco! É em Tribunal, é fazer uma queixa na U.E, é o que for!

É realmente a sensação que dá. De imbecilidade em imbecilidade lá vamos cantando e rindo para a estupidez total.

Leia-se aqui no Miguel Pinto ou aqui no Paulo Guinote.
Ordem? Via jurídica? Ambas?

Piada do ano

Entrevistador:
Como é que revisão do Estatuto, manteve o equilíbrio entre as alterações introduzidas e as expectativas dos professores?

Maria de Lurdes Rodrigues:

Conseguimos um sistema de avaliação, rigoroso, exigente, que valorize sobretudo os professores que estão nas escolas e dão aulas. O essencial da avaliação incide sobre o acto de leccionar, através de mecanismos de supervisão, de acompanhamento, de verificação da qualidade das aulas ministradas. Associámos depois a progressão na carreira a esta avaliação, premiando os melhores professores, com a possibilidade de terem uma progressão mais rápida e prémios remuneratórios. Ao mesmo tempo, podem ser penalizados ou mesmo excluídos da carreira os professores que revelem não reunirem as condições. Também foram alteradas as condições de recrutamento e de selecção, com a introdução de um exame para entrada na carreira e do ano probatório, os quais ajudarão a ter uma carreira docente mais exigente. Finalmente, uma das alterações mais importantes foi a estruturação da carreira em duas categorias, com a atribuição de maior responsabilidade aos professores que têm mais competências, que são mais velhos.


VER A REACÇÃO NATURAL A ESTA RESPOSTA :)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Tá boa!

Mais de nove faltas por ano não dão pontos a docentes candidatos a titular
22.02.2007 - 17h22 Lusa

Os docentes que tenham faltado mais de nove vezes num ano lectivo, mesmo que por doença, são classificados com zero pontos no factor assiduidade, um dos principais critérios de selecção do primeiro concurso para professor titular.

De acordo com a segunda proposta do Ministério da Educação (ME) para o acesso à categoria mais elevada da nova carreira, é avaliada a assiduidade do candidato nos cinco anos lectivos em que deu menos faltas, entre 1999 e 2006.

Nesses cinco anos lectivos, são consideradas todas as faltas, licenças e dispensas dos professores candidatos a titular, incluindo as justificadas com atestado médico, sendo um aspecto que os sindicatos do sector já classificaram como ilegal.

Sem faltas é classificado com nove pontos

Em cada um desses cinco anos, se o candidato não tiver dado faltas é classificado com nove pontos, se tiver faltado entre uma e três vezes é classificado com sete, entre quatro e seis tem uma pontuação de cinco e entre sete e nove faltas obtém apenas um ponto. Com mais de nove faltas a pontuação é zero.

Todos os pontos contam, já que uma classificação final inferior a 120 determina a não aprovação do professor no concurso para titular.

Segundo a proposta do ME, a que a Lusa teve acesso, são ainda considerados outros critérios, além da assiduidade, como a habilitação académica, a avaliação de desempenho e a experiência profissional, incluindo o exercício de cargos de coordenação ou gestão.

Professor com grau de mestre tem 15 pontos

Um professor com o grau de mestre tem automaticamente 15 pontos, uma classificação que duplica caso o docente tenha concluído o doutoramento.

Já o cargo de presidente do conselho executivo da escola é pontuado com nove valores, enquanto o de presidente do conselho pedagógico merece sete, por exemplo.

Ao nível da avaliação de desempenho, é considerada a melhor menção qualitativa obtida pelo professor entre os anos lectivos 1999/2000 e 2005/2006.

A uma menção "Satisfaz" corresponde apenas um ponto, enquanto uma classificação "Bom" é valorizada com cinco.

Ministério especifica pontuação dada a cada critério

Nesta segunda proposta, enviada ontem à noite às organizações sindicais, a tutela especifica a pontuação dada a cada critério, um aspecto que não constava do documento anterior, mas não altera substancialmente as regras para o concurso de acesso à categoria de titular.

No concurso, a que o ME estima poderem concorrer mais de 50 mil docentes, a classificação obtida pelos candidatos não basta para chegar a titular, uma vez que há quotas estabelecidas para esta categoria, a que só poderão pertencer um terço dos professores do quadro de cada agrupamento de escolas.

A segunda proposta da tutela é discutida hoje e amanhã em mais uma ronda negocial com os sindicatos, no âmbito da regulamentação do novo Estatuto da Carreira Docente, que foi publicado em Diário da República a 19 de Janeiro.

2ª versão

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Bem-estar

UNICEF: Portugal nos últimos lugares em matéria de bem-estar educativo
14.02.2007 - 09h45 Lusa

Portugal ocupa os últimos lugares da tabela em matéria de bem-estar educativo, mas está à frente da Áustria, da Hungria, dos Estados Unidos e do Reino Unido na classificação geral, revela um relatório da UNICEF publicado hoje.

De acordo com o relatório sobre "O bem-estar das crianças nos 21 países da OCDE", realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Portugal também ainda nos últimos lugares em matéria de bem-estar material das crianças. Este valor é medido, nomeadamente, pela percentagem de crianças que vivem em lares com rendimentos inferiores a 50 por cento da média nacional mas também pela percentagem de crianças que declaram ter menos de dez livros em casa ou que têm na família um adulto desempregado.

Pior nesta dimensão do bem-estar material só os Estados Unidos, o Reino Unido, a Irlanda, a Hungria e a Polónia (que ocupa a última posição).

Baseado neste critério, a pobreza infantil relativa mantém-se acima dos 15 por cento em Portugal, em Espanha e em Itália e em três países anglófonos (EUA, Reino Unido e Irlanda).

Os seis critérios tidos em conta neste relatório sobre a felicidade das crianças são o bem-estar material; saúde e segurança; educação; relações com a família e com as outras crianças; comportamentos e riscos; e bem-estar subjectivo.

Na classificação geral, que atende aos seis critérios do bem-estar da criança, o relatório da UNICEF situa Portugal no fim da tabela mas com desempenhos melhores do que a Áustria, a Hungria, os Estados Unidos e o Reino Unido (este último no fim da tabela).

A UNICEF nota, a propósito do bem-estar educativo que as crianças que saem da escola e não têm formação vocacional ou emprego "correm indubitavelmente maior risco de exclusão e marginalização", consequência que considera "preocupante" para os países do fundo da tabela.

Bem-estar não tem ligação directa com o PIB

"Não há relação directa entre o nível de bem-estar das crianças e o PIB por habitante", nota ainda o relatório da UNICEF. A República checa, por exemplo, obtém uma melhor classificação geral do que vários países nitidamente mais ricos como a França, a Áustria, os Estados Unidos e o Reino Unido", salienta o relatório.

"Os níveis de bem-estar da criança não são inevitáveis, antes são condicionadas por políticas", sublinha a UNICEF, que quer fazer do seu relatório "um guia elementar e realista de melhoria possível para todos os países da OCDE".

domingo, 11 de fevereiro de 2007

As faltas...

Absentismo

Autor: Diáfana



Antes de mais, gostaria de informar que sou a favor de actividades de substituição, insisto na palavra “actividades”, aquando da falta de um docente numa turma. O artigo que hoje faz a 1ª página do JN tem, a meu ver, dois desméritos: reitera a ideia sobre os altos índices de falta de assiduidade dos docentes que supostamente se verificava e, bem pior do que isso, elege as ditas aulas(?!) de substituição como panaceia das medidas “patchwork” do Ministério da Educação.

Estes dois aspectos em nada contribuem, quer para a recuperação da dignidade dos docentes, quer para a resolução do tal combate ao absentismo e subsequente melhoria do processo ensino-aprendizagem dos alunos.
Vamos a exemplos concretos. Um docente de Físico-Química tem 150 aulas previstas para o ano lectivo. Por razões que não me interessam, o referido docente apresenta falta de assiduidade de forma justificada, à luz do enquadramento legal e, no final do ano, o total de aulas leccionadas pelo professor foi de 120 aulas, as restantes 30 foram colmatadas por “aulas” de substituição. Na teoria, os alunos tiveram 150 aulas de Físico-química ( os sumários são numerados e mesmo que seja um docente de Inglês a ocupar os alunos, por exemplo, com a discussão em torno da importância da Revolução Industrial, ou do papel de W.Churchill na 2ª guerra mundial, ou ainda sobre assuntos/actividades sobre Cidadania, a numeração como aula de Físico-Química segue a ordem.) mas efectivamente, e na prática, o programa da disciplina não foi dado na totalidade. Impossível. As ditas substituições vieram encobrir com o seu manto diáfano o falacioso absentismo mas a falha de aprendizagem/conhecimentos a Física-Química permanece. Dentro do que está previsto, os pais quererão saber por que razão o programa da dita disciplina não foi cumprido. Lógico. E como a classe docente tem ( aspecto talvez desconhecido por muita gente) de justificar, e bem, em acta as razões do não cumprimento de programas/panificações, adivinhem o resto…Talvez o Ministério da Educação distribua uns boletins a preencher, futuramente, com cruzinhas.
Segundo exemplo, no ensino secundário: os “API” – apoio pedagógico individualizado – visa apoiar alunos ao abrigo do 309 ( comprovadamente com deficiências físicas ou psíquicas) e ainda alunos vindos recentemente de países estrangeiros( mormente no que diz respeito à disciplina de Português)- são disponibilizados pelas Escolas, desde que estas tenham, e costumam ter, condições para os dar. Como esclarece a própria designação, trata-se dum apoio adaptado ao aluno, onde se trabalha ombro a ombro, no aqui e agora. Estes apoios têm lugar, isto é, encaixam-se, nos momentos em que a turma a que pertence o aluno a apoiar está sem aulas, ou seja, furo de horário. O docente de Português falta num dia e como é difícil fazê-lo substituir por outro da mesma disciplina, envia-se um professor de qualquer outra disciplina para dar a tal substituição! E enumera-se a dita aula, e o aluno, “voilá”, teve “aula” e a ausência do titular da disciplina foi liminarmente erradicada. Mas a turma estava em furo de horário… mas o aluno precisava de apoio a Português, logo, que ganha este aluno? Nada. Perdeu a possibilidade de conviver com os colegas da turma que se encontrava em furo de horário, perdeu o seu tempo a falar de nadas que nada tinham a ver com as suas dúvidas a uma determinada disciplina….perdeu, talvez, a inocência( falamos de alunos com mais de 15 anos e eles não são parvos!) ao acreditar que o M.E o queria ajudar, sentiu ( e tenho provas disso) que o M.E. não respeita a sua individualidade, o seu estatuto, percebeu que o M.E. o quer atulhar com fardos de palha e aditivos….mas se é em nome do combate “eficaz” ao absentismo, ideia aplaudida pela nossa sociedade de experts, omnipresentes, quer no talho ao lado, quer por entre a charcutaria das grandes superfícies, quer por uma larga maioria dos jornalistas da nossa praça, respeite-se, pois, esta política e continue-se a ovacionar e a tecer loas que é na quantidade que está a qualidade.
Da dignidade profissional dos docentes, estamos mais que esclarecidos, mas roubá-la aos nossos jovens “acarneirando-os”… até quando?
E eu que até sou favorável às “aulas” de substituição, noutros moldes, claro, fará se o não fosse..

Saudações domingueiras

Diáfana


sábado, 10 de fevereiro de 2007

Professor titular

Professor titular: Assiduidade é factor decisivo no concurso
Assiduidade, currículo e avaliação de desempenho são os principais critérios de selecção do primeiro concurso para professor titular, a categoria mais elevada da nova carreira, a que a tutela estima poderem concorrer mais de 50 mil docentes.

De acordo com a proposta enviada hoje aos sindicatos, a que a agência Lusa teve acesso, o Ministério da Educação (ME) estipula que os professores que actualmente beneficiam de uma dispensa total ou parcial da componente lectiva por razões de doença ficam automaticamente excluídos do primeiro concurso.

Para efeitos de selecção, o ME sublinha que serão consideradas todas as faltas, licenças e dispensas dos candidatos entre os anos lectivos 2000/01 e 2005/06, mesmo que tenham sido dadas por doença ou maternidade, por exemplo.

Além da assiduidade, são privilegiados outros factores como os graus académicos de mestre e doutor, a formação especializada, o desempenho de cargos de coordenação e supervisão pedagógica ou o exercício de funções no conselho executivo das escolas.

Ponderados todos os factores, cada professor é avaliado numa escala de 0 a 100, tendo de obter um mínimo de 60 valores para a sua candidatura poder ser aprovada.

No entanto, a classificação obtida não basta para o acesso a professor titular, uma vez que há quotas estabelecidas para esta categoria, a que só poderão pertencer um terço dos docentes do quadro de cada agrupamento de escolas.

Em caso de empate, a assiduidade é mais uma vez o factor decisivo, sendo escolhido o candidato com menos faltas, licenças e dispensas nos últimos seis anos.

Os professores só poderão concorrer a lugares de titular nos estabelecimentos de ensino onde leccionam.

O júri do concurso, cujas candidaturas são apresentadas por via electrónica, é presidido pelo director regional de educação e ainda o presidente do conselho executivo e o director do centro de formação da associação de escolas local, não havendo lugar a reclamação.

(...)

Com a publicação do ECD em Diário da República, ficaram consagradas todas as alterações à carreira, faltando, no entanto, regulamentar 24 diplomas relacionados com as principais mudanças, num processo que obriga a nova negociação com os sindicatos e que arranca segunda-feira.

Diário Digital / Lusa

09-02-2007 19:22:00
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1º CONCURSO PARA TITULAR

Lá está! A idade é um posto, como todos já sabíamos, e quem não falta é melhor 'professor' (ou organizador?).

sábado, 3 de fevereiro de 2007

APP ea TLEBS

http://educacaocor-de-rosa.blogspot.com/2007/02/carta-da-app.html

Mais TLEBS

Caro professor de Português



Vasco Graça Moura
Escritor

Se perguntar alguma coisa ao Ministério da Educação quanto à vigência ou não vigência da TLEBS, de certeza que ninguém lhe dará uma resposta concreta... Está-se perante uma perniciosa pescadinha de rabo na boca. A TLEBS está em vigor, não estando. Ou não está em vigor, estando. Ontem, ia ser suspensa. Hoje, parece que só vai ser suspensa para o próximo ano lectivo e se pretende aplicá-la no que resta do ano corrente, não obstante as suas muitas e reconhecidas deficiências.

Simplesmente, esta aplicação, intercalar e provisória, não faz qualquer sentido, uma vez que não se trata apenas das falhas científicas de que a TLEBS enferma, mas também da impossibilidade prática de ensinar com base nela, mesmo com a melhor das boas vontades.

Por isso, é impossível considerar que exista uma obrigação de aplicá-la. O próprio ministério o reconhece, uma vez que já a suspendeu quanto aos manuais do 8.º ano, anuncia a intenção de suspendê-la globalmente para 2007/2008 e pretende seja efectuada uma revisão científica.

Mas... de que revisão estaremos a falar? No seu já célebre texto da Internet (http/jperes.no.sapo.pt), João de Andrade Peres escreve que "a discussão em torno da TLEBS só terá a ganhar se for claro e pacífico que é em primeiro lugar aos fonólogos, aos morfólogos, aos sintaxistas (...), aos semânticos, aos dialectólogos, aos historiadores da língua e a outros profissionais da Língua academicamente credenciados (...) que cabe a tarefa de analisar e discutir a validade científica de um produto que é eminentemente linguístico e, mais concretamente, gramatical", para além das questões emergentes de outros planos de análise, que requererão outros contributos.

Ora o ministério, que ainda não se apercebeu da extensão e da profundidade deste problema, limitou-se a incumbir duas pessoas desse trabalho, sendo altamente discutível e deontologicamente inaceitável a intervenção de uma delas por previsível conflito de interesses (marido de uma das autoras da TLEBS e consultor científico de uma gramática para o 3.º ciclo do básico e secundário, conforme à terminologia e publicada por uma editora comercial, a Lisboa Editora).

De tudo isto resulta que a TLEBS não está, nem estará tão cedo, em condições de ser utilizada: citando ainda o artigo referido, ela não conta com uma boa gramática de Português em que possa apoiar-se, é insensata pela sua extensão, apresenta um número impressionante de deficiências metodológicas, de erros de formulação e de erros conceptuais, pretendendo-se introduzi-la abruptamente e com total desprezo pela coesão intergeracional. Sem contar as discrepâncias e descoordenações entre o elenco terminológico constante da Portaria 1488/2004 e o material fornecido pela base de dados (esta, não fazendo parte da portaria, não tem aliás qualquer valor cominativo...).

Ora o meu caro professor não pode ser obrigado a ensinar o erro. E ainda menos pode ser obrigado a ensinar aquilo que não consegue entender, apesar da sua qualificação académica, de ter recebido formação para ser professor, de não ser intelectualmente destituído e de ter com certeza uma válida experiência do seu trabalho. O ministério, aliás, tem conhecimento da sua justificadíssima reacção negativa por um relatório de Setembro de 2006, em que se conclui pela rejeição generalizada da terminologia por parte dos docentes.

Por isso, venho apelar ao seu sentido de responsabilidade cívica, cultural e profissional. Recuse-se a aplicar a TLEBS! Nem sequer se tratará de desobediência civil que, aliás, sempre se justificaria, atentos o imperativo de defesa da nossa língua e as demais circunstâncias.

E também não se pode falar aqui de respeito da legalidade: Andrade Peres já demonstrou que os programas são ilegais porque violaram legislação vigente à data da sua homologação, atribuindo valor legal a um simples documento de trabalho, além de que a homologação dos programas do secundário não está publicada no jornal oficial.

No vazio instaurado, a si, caro professor, o que lhe resta é ir ensinando, provisoriamente, com base na Nomenclatura Gramatical Portuguesa de 1967 e na Gramática de Celso Cunha e Lindley-Cintra. Não serão perfeitas nem inteiramente satisfatórias, mas pelo menos não bloqueiam as suas possibilidades de se assumir a sério como professor de Português.

Até a TLEBS ser objecto de uma revisão decente, só resta um caminho: se o ministério se obstina em não repor a vigência da Nomenclatura, reponhamo-la nós!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Ensino Especial

Há falta de docentes no Ensino Especial


Noventa e cinco docentes de educação especial, 102 de apoio educativo e 69 auxiliares de educação fazem falta na Região Centro. Estes são os resultados do estudo sobre a educação especial, desenvolvido em 30% de escolas não agrupadas e 50% de agrupamentos da região Centro, apresentado ontem pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC).

Mário Nogueira, coordenador do SPRC, qualificou os resultados desta iniciativa, que se enquadra num levantamento global da situação da educação na Região Centro, de "panorama grave". Num país como Portugal, que ratificou em 1994 a Declaração de Salamanca da UNESCO, a qual prevê a integração de alunos com necessidades educativas especiais em turmas de escolas regulares com um máximo de 20 alunos, a conjuntura é, para Mário Nogueira, "altamente preocupante", criando "piores condições de trabalho para os professores, o que leva a um pior ensino e a uma pior escola pública".

Na conferência de Imprensa, ontem, professores e mães de crianças com necessidades especiais expuseram as suas dificuldades em manter os filhos no ensino "clássico".
Laura Cazaban, Jornal de Notícias
Mas se apostamos em mão-de-obra barata, não é necessário formar ninguém. Basta entreter.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

domingo, 28 de janeiro de 2007

Geografia

A minha mais nova tem esta semana 3 testes. Um deles de Geografia sobre países e respectivas capitais de todo o mundo. Encontrei este programa fantástico freeware de Marianne Wartoft. Até eu estive a decorar os novos países da Europa (que ainda não sabia onde ficavam).

sábado, 27 de janeiro de 2007

Hã?!

Nova terminologia linguística só será suspensa no próximo ano lectivo 26.01.2007 - 19h21 Lusa

O secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, precisou hoje que a experiência pedagógica associada à nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) só será suspensa no próximo ano lectivo.
O responsável esclareceu que a portaria que será publicada no próximo mês só terá efeitos práticos em 2007/2008, ano lectivo em que, mesmo assim, "não vai realizar-se a experiência pedagógica com os alunos, já que não há condições técnicas para isso".
Ontem, o secretário de Estado tinha afirmado à agência Lusa que em Fevereiro seria emitida "uma nova portaria a suspender a experiência pedagógica da TLEBS", sem referir que a suspensão só entraria em vigor no próximo ano lectivo.
Segundo o primeiro subscritor da petição que reuniu mais de oito mil assinaturas contra a aplicação nas escolas dos novos termos gramaticais, o mesmo terá dito Jorge Pedreira na reunião que ontem realizou com os responsáveis daquela iniciativa. "O secretário de Estado garantiu-me que iam parar a experiência já este ano lectivo, através de uma portaria que vai sair dentro de poucos dias", disse José Nunes, autor da petição que será discutida no Parlamento.
No entanto, o governante esclareceu hoje que "este ano [lectivo], tudo se mantém na mesma" relativamente à experiência que tem estado a decorrer nas escolas. "A portaria é publicada em Fevereiro, mas a suspensão da experiência pedagógica só tem efeitos no próximo ano lectivo", afirmou.
Deste modo, o Ministério da Educação assegura não existir qualquer contradição entre Jorge Pedreira e o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, que na semana passada afirmou ao “Diário de Notícias” que "seria pouco responsável, a meio do ano lectivo" suspender a referida experiência.
Além de precisar a data de entrada em vigor da suspensão, Jorge Pedreira esclareceu igualmente que o trabalho de revisão científica e adaptação pedagógica não estará concluído em Maio, como afirmou ontem, mas apenas no início do próximo ano lectivo, o que inviabiliza a realização de qualquer experiência em 2007/2008, mesmo que num "grupo restrito de escolas".

:-))

Depois de saber que os professores do Funchal foram chamados para prestar declarações e como não me apetece comentar tão estúpido facto, prefiro rir-me com o que me mandam por mail (já conhecia, mas rio na mesma):
Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me lá quem escreveu "Os Lusíadas"?
O aluno, a gaguejar, responde:
-Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui.
E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:
-Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu "Os Lusíadas" e ele respondeu-me que não sabia, que não foi ele...
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já se fosse o irmão...
Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da G.N.R.,diz-lhe o comandante:
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não, imagine que perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas" respondeu-me que não sabia, que não foi ele, e começou a chorar. O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um "aperto", vai ver que ele confessa tudo!
Com os cabelos em pé, a professora chega a casa e encontra o marido sentado no sofá, a ler o jornal. Pergunta-lhe este:
- Então o dia correu bem?
- Ora, deixa-me cá. Hoje perguntei a um aluno quem escreveu "Os Lusíadas". Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele, e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R . quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto? O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...!

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

A paixão


Francisco José Viegas
Desde os anos setenta que o Ministério da Educação tem sido ciclicamente invadido por técnicos que se acham investidos de uma luminosa presciência para educar o povo - impondo modelos pedagógicos e científicos (na matemática como no ensino da História ou da Língua) conforme a sua vontade de experimentar e de mudar, mas vivendo na impunidade e na quase inimputabilidade. Muitos desses técnicos estão afastados do mundo real das escolas há muitos anos, circulando de seminário em seminário, de congresso em congresso, certamente munidos de muito boa-vontade, mas ignorando que a boa-vontade não é um instrumento generoso quando se trata de educação. Seria, aliás, muito útil saber quanto o Estado despendeu, nos últimos anos, em "reformas pedagógicas" incompletas e inconsequentes e na sucessivamente chamada "inovação pedagógica" ou "curricular". E, paralelamente, o que sobra dessas experiências, cujas vítimas são, em primeiro lugar, os alunos do básico e do secundário e, depois, os próprios professores que vivem parte do seu tempo de trabalho ocupados a interpretar o "eduquês" das senhoras e dos senhores técnicos do Ministério da Educação, distribuído por inenarráveis documentos que aparentemente são escritos em português e que, virtualmente, talvez falem de educação e de ensino. Recomendo que os interessados visitem os "sites" do Ministério e leiam, com atenção, os documentos teóricos sobre pedagogia, ensino da Língua e da Matemática - e que, se sobreviverem, entrem nos domínios reservados pelas associações de professores dessas matérias.

domingo, 21 de janeiro de 2007

TLEBS

Mais importantes desenvolvimentos no Nocturno com Gatos.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Telemóvel

Repare-se na extrema concentração destes alunos...
Não perdem pitada da matéria.
Tanto cá...



Como lá...

:-)

http://jn.sapo.pt/2007/01/19/ultima/optimismoprecisase.html

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Relevar

Novo estatuto:
Artigo 46º
5—A atribuição de menção qualitativa igual ou superior a Bom fica dependente do cumprimento de, pelo menos, 95% das actividades lectivas em cada um dos anos do período escolar a que se reporta a avaliação.
8—As ausências legalmente equiparadas a serviço efectivo nos termos do artigo 103.º relevam para o cumprimento das actividades lectivas a que se refere o n.º 5.

relevar:
do Lat. relevare

  1. v. tr.,
    dar relevo a;
    fazer sobressair;
    tornar saliente;
    permitir;
    consentir;
    desculpar;
    aliviar;
  2. v. int.,
    estar condicionado por depender de;
    ter relação necessária de sujeição;
    importar;
    interessar;
    ser conveniente, necessário.

Qual destes significados tem este «relevam para»????
Será que ainda estou mentalmente diminuída devido à (derivado da :)) febre???

Equidade

Entre os 38 e 39 graus de febre desde a última terça, fiquei em casa a fazer companhia à minha mais velha que está na mesma. Só hoje consegui baixar a febre para os 37,5º. Só hoje me consigo levantar e andar a direito.
Com 4 familiares médicos, nunca recorri ao Serviço Nacional de Saúde, a não ser para as vacinas das crianças. Muito raramente justifiquei faltas com atestado. O último foi há 4 anos, por dois dias. Normalmente usava o artigo 102º, descontando um dia de férias.

Agora, veja-se aqui, sempre que estiver doente, tenho de ir (é a isto que acho mais piada) para a bicha/fila do Centro de Saúde ou das urgências.

São disparates em cima de disparates, em nome da convergência.
http://dn.sapo.pt/2007/01/08/economia/a_aberracao_o_senso_justica.html
Adenda:
Os meus pais contam as visitas aos doentes que, inicialmente, faziam de bicicleta a kms de distância. O pagamento? Galinhas vivas ou mortas, vinho, um borrego (ainda me lembro dele - simpaticíssimo, que, qual cão, nos vinha dar marradinhas ternas quando o íamos visitar no espaço que lhe foi reservado do quintal- morreu de velhice, claro) ... Outros tempos, obviamente. Mas bons costumes. Agora impera a desconfiança militante.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Discurso político

Sotôr...


Recebido por mail :-)
Dissolução vs Solução

Qual é a diferença entre uma dissolução e uma solução?

Uma dissolução seria meter um político num tanque de ácido para que se dissolva.

Uma solução seria metê-los a todos.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Aleluia?

Será que partiu mesmo desta preocupação? Ou surgiu exactamente porque se «ouviu» a polémica em torno da TLEBS?
Parece-me que aquando da reformulação dos programas o «barulho» foi pouco...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

???


Tutela diz que experiência da TLEBS se mantém


Bárbara Wong



Escolas escolhem modo como desenvolvem aplicação. Subscritor da petição contra a terminologia contesta



A generalização da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário foi ou não suspensa? A pergunta é da Associação dos Professores de Português e do primeiro subscritor da petição contra a efectivação desta experiência pedagógica, José Nunes.


A questão surge depois das declarações do director-geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação (ME), Luís Capucha, em entrevista ao PÚBLICO no sábado passado, em que anunciou que a tutela suspendeu a generalização da aplicação da terminologia (TLEBS) e que esta só será generalizada em 2008/2009. A terminologia tem como objectivo uniformizar os termos gramaticais. Luís Capucha anunciou ainda que o ME criou dois grupos de trabalho, um que será responsável pela correcção da lista de termos e outro que vai aplicar a nova lista aos vários ciclos de ensino.


Quer Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação dos Professores de Português (APP), quer José Nunes questionaram o ME sobre esta questão. A resposta foi: "A generalização está suspensa, mas a experimentação generalizada mantém-se." "O que é que isto quer dizer?", perguntam.


O director-geral explica: "A experiência pedagógica continua e é feita ao ritmo das escolas, quando a TLEBS for aplicada de forma generalizada, então todas as escolas terão de a aplicar."
O quê? Desculpe. Importa-se de repetir? Repare-se neste documento onde se lê: ponto 5. o departamento curricular decide; ponto 6. sai nos exames. Afinal decide o quê? Se há-de ensinar ou não o que vai sair nos exames?

Em Setembro, as escolas receberam um documento de orientação onde era dito que podiam escolher a modalidade e os prazos para fazer a experiência pedagógica, ou seja, para experimentar a TLEBS. "Em princípio todas as escolas devem fazer esta experimentação", explica o director-geral.


Quanto à obrigatoriedade de aplicar a nova terminologia, a chamada generalização, será apenas em 2008/2009, mas só depois de todos os professores de Português fazerem formação e de haver materiais didácticos disponíveis. Portanto, "a experiência pode prolongar-se por mais um ano e a generalização ser adiada", acrescenta.


José Nunes "presume" que a TLEBS possa ser inconstitucional, porque tem erros científicos, reconhecidos pela tutela, o que viola a garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar, uma vez que os alunos estão a aprender com erros. "Esta é uma geração que é carne para canhão, que está em desigualdade comparativamente às gerações antes e pós TLEBS", lamenta. "O caso é muito sério e pode prefigurar, a partir de agora, um dano causado pelo Estado, de forma reiterada, contínua e consciente, sobre menores de idade, sobre os nossos filhos", conclui.



Público,10.01.2007

Ilegalidades

Mais uma aluna de Coimbra repetiu exame de Química

Bárbara Wong

Ordem dos Advogados diz que situação deveria ter sido resolvida antes de chegar aos tribunais
Aconteceu no dia 12 de Dezembro do ano passado. Uma aluna da Escola Secundária da Quinta das Flores, em Coimbra, fez o exame nacional de Química. Subiu assim para cinco o número de casos conhecidos de estudantes que recorreram aos tribunais e conseguiram ver ser-lhes reconhecido o direito de repetir a prova. O Ministério da Educação poderia ter evitado estes casos, diz a Ordem dos Advogados.
Vários estudantes recorreram a diferentes tribunais administrativos e fiscais, em Coimbra, Leiria e Viseu, alegando que não tiveram a mesma oportunidade que foi dada pelo Ministério da Educação (ME) aos colegas que puderam fazer as provas nas 1.ª e 2.ª fases. A tutela decidiu, a meio da época dos exames do ano lectivo passado, permitir que os estudantes pudessem repetir as provas de Química e de Física. Só que os alunos que decidiram fazer as provas na 2.ª fase, cerca de dez mil, não tiveram a mesma possibilidade. Por isso, alguns recorreram aos tribunais, alegando que não houve igualdade de oportunidades para todos.
"Teria sido bom que no plano administrativo se tivesse conseguido evitar a intervenção dos tribunais e repor a plena igualdade ao dar uma segunda oportunidade a todos os alunos", defende o bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves.
Também Carla Amado Gomes, assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, concorda que a tutela deveria ter dado uma segunda oportunidade a todos os alunos. "O Estado devia ter aberto uma época especial para todos a quem não deu essa hipótese", diz.

Aprofundar a desigualdade
Agora, por cada vez que a tutela cumpre uma decisão dos tribunais administrativos, está a "renovar a violação do princípio de igualdade" relativamente a todos os outros que não tiveram igual opção. "Cada aluno que realiza essas provas, fá-lo em circunstâncias desiguais", defende.
Só que essa "desigualdade" não é imputável ao ME, mas aos tribunais, alerta o professor de Direito Administrativo da Universidade Católica Portuguesa, Luís Fábrica. "Ao Ministério cabe apenas executar rigorosamente a sentença - é inadmissível que sobreponha o seu juízo ao do tribunal e diga: "Não executo a sentença, porque isso só vai piorar as coisas"", explica.
Os tribunais têm decidido que o ME deve realizar nova prova de Química e que, no caso de as notas possibilitarem a entrada nos cursos pretendidos, sejam abertas vagas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior.
Foi o que já aconteceu a dois alunos, que estão a frequentar Medicina, na Universidade de Coimbra. Anteontem houve um estudante de Viseu que fez a prova de Química e soube-se ainda que há um aluno de Leiria que se está a preparar para a nova prova. O caso de mais uma aluna de Coimbra, da secundária Quinta das Flores, a quem foi dada a oportunidade de repetir o exame só ontem foi conhecido. A jovem obteve 18,4 valores na prova, mas o PÚBLICO desconhece se a classificação lhe abriu as portas ao curso pretendido. A Universidade de Coimbra ainda não foi contactada pelo ministério de Mariano Gago, que não comenta.
Conhecer os seus direitos
Haverá injustiça social pelo facto de alguns alunos terem recorrido aos tribunais e outros não? Não, porque o que aconteceu é que quem não fez queixas foi porque se conformou com a situação, considera Luís Fábrica. Ou não o fez porque desconhecia os seus direitos, acrescenta Rogério Alves: "A Ordem dos Advogados tem militado por informar todas as pessoas dos seus direitos.
"O Código de Processo dos Tribunais Administrativos abre a possibilidade aos alunos que não recorreram à justiça de poderem fazer os exames. Mas, para tal, será necessário que existam cinco casos individuais cujas sentenças finais sejam "perfeitamente idênticas", de maneira a pedir a extensão dos efeitos. Ou seja, é preciso esperar pelos resultados dos recursos dos dois ministérios e que estes confirmem as sentenças favoráveis aos alunos.
Isto pode demorar muito tempo, porque os ministérios recorreram aos tribunais centrais administrativos e podem ir até ao Supremo Tribunal Administrativo, caso as sentenças lhes sejam desfavoráveis.
Tudo isto poderia ter sido evitado, reforça Rogério Alves. "A intervenção dos tribunais pode dar origem a decisões divergentes, demoradas e que lançam insegurança na vida dos estudantes", conclui.

Ministérios não comentam
Os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior não comentam, nem disponibilizam informação sobre o caso dos exames de Química. "O senhor ministro diz que já deu todas as explicações sobre o assunto e que não comenta", declara Dulce Anahory, assessora do ministro Mariano Gago depois de o PÚBLICO colocar algumas questões sobre as situações conhecidas esta semana. Também o assessor de imprensa da Educação, Rui Nunes, diz que "não há nada a adiantar": "Os tribunais estão a funcionar."
Quando foi conhecido o primeiro caso de uma aluna de Coimbra a quem o tribunal decidiu que o Ministério da Educação deveria fazer o exame, Maria de Lurdes Rodrigues deixou claro que a tutela cumpriria a ordem judicial. Quanto a Mariano Gago, informou, nos dois casos de alunos de Coimbra, que a tutela iria criar as duas vagas adicionais na Faculdade de Medicina de Coimbra para estes alunos serem admitidos. B.W.


Público.10.01.2007

Evasivas


TLEBS: as seis evasivas

Vasco Graça Moura



Luís Capucha, director-geral do Ministério da Educação, deu uma entrevista sobre a TLEBS [Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário] publicada no Público de 06.01.2007.
A novidade de monta é a de a generalização da terminologia a todo o ensino básico e secundário ter sido suspensa.
No entanto, pelo art. 4.º da Portaria n.º 1147/2005, de 8 de Novembro (do actual Governo), a aplicação da experiência pedagógica da TLEBS foi generalizada ao universo das escolas do ensino básico no corrente ano lectivo.
E, pelo art. 7.º do mesmo diploma mantêm-se em vigor os preceitos da Portaria 1488/2004 (que aprova a TLEBS) relativamente ao secundário.
Onde está a agora portaria que determina a suspensão? Se não existe, está-se, não perante um progresso na matéria, mas perante uma evasiva destinada a iludir a opinião pública...
Outra evasiva resulta desta eufemística passagem: "Provavelmente não teria feito sentido que o anterior Governo a tivesse aprovado." De acordo. Mas é preciso saber quem induziu o anterior Governo a fazê-lo. E só podem ter sido os serviços do Ministério. Os mesmos que também induziram este Governo a aprovar a Portaria 1147/2005, em plena concordância com o teor da TLEBS, o que continua sem fazer sentido… E continua sem se saber quem é que, no Ministério, patrocinou junto de um Governo a adopção da medida e, junto de outro, a sua manutenção e, agora, pelos vistos, a sua suspensão. Volto a perguntar: o Ministério faz esta tristérrima figura e não acontece nada aos serviços responsáveis por isso?
A terceira evasiva, porventura a mais delirante, está em se imputar à "forte componente de ensino de textos de literatura" o insucesso escolar e a iliteracia: pretende-se justificar a TLEBS como panaceia, em vez de se considerar que há uma desordenada componente de textos e autores organizada sem qualquer critério cultural ou pedagógico digno desse nome. Sem falar das omissões escandalosas…
A quarta evasiva está no expediente da revisão. Somos informados de que os profs. João Costa e Vítor Aguiar e Silva foram incumbidos da correcção das deficiências. Isto significa que o Ministério reconhece ter começado por forçar a aplicação de um instrumento que tem muitas deficiências (aliás, também se reconhece que "não há ainda formação de professores que seja passível de sustentar a introdução da TLEBS"). Ou seja, nos últimos dois anos, o Ministério tem andado a gozar com toda a gente, professores, alunos, responsáveis pela educação, cidadãos em geral!
Aguiar e Silva é uma das mais conceituadas e isentas figuras da nossa Universidade, não da área da Linguística, mas da área da Literatura. Não é de questionar, antes é de saudar a sua intervenção.
Mas João Costa só tomou posições públicas em defesa da TLEBS (Visão, de 16.11.2006; Público, de 15.11.2006). Considera que não houve nela a assunção de um modelo teórico específico (Visão), mas deixa entrever que há uma remissão para a gramática chomskyana (Público). Entende que a TLEBS não revoga os programas vigentes, mas ignora a Circular n.º 3/2005 do Ministério, que informa terem os termos adoptados sido "observados na elaboração dos Programas homologados de língua materna e de línguas estrangeiras na Revisão Curricular do Ensino Secundário", e a Circular n.º 14/2005 cujo ponto 2.1 diz que ela "não se sobrepõe aos programas vigentes, mas actualiza-os", isto é, interfere neles, alterando-os…
Na estrutura criada há um patente desequilíbrio quanto à presença de orientações científicas diferentes. O único linguista que dela faz parte acabará por se reconduzir à figura do juiz em causa própria. Impunha-se a presença de, pelo menos, um dos catedráticos altamente qualificados que deram a cara contra a TLEBS, apontando-lhe publicamente os vícios inumeráveis e os erros calamitosos (o que João Costa não fez, antes silenciou). Refiro-me evidentemente a João de Andrade Peres e Jorge Morais Barbosa.
A quinta evasiva está em se afirmar que o trabalho de correcção, "depois de concluído, vai ser debatido e só depois haverá homologação". Se é assim, mais uma razão para a suspensão da TLEBS ser decretada por portaria que dissipe de vez todas e quaisquer dúvidas.
A sexta evasiva respeita aos editores de materiais escolares. Não foram desmentidas as declarações de Vasco Teixeira, presidente da Porto Editora e da APEL, ao DN de 23.11.2006, segundo as quais o Ministério contactou os editores e induziu-os a seguirem as recomendações no sentido da generalização aos 3.º, 5.º e 7.º anos. Diz-se agora que "se as editoras fizeram manuais antes da revisão científica final, provavelmente haverá ajustamentos a fazer". O Ministério não pode escamotear a sua responsabilidade nos termos prenunciados por esta dúbia tomada de posição.
Infelizmente, tudo parece indicar que nem mesmo no tocante ao ensino da língua o Estado pode ser considerado uma pessoa de bem...

DN de 10.01.07

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Abrantes é na Finlândia?

Mais de 300 computadores vão ser adquiridos pela Câmara de Abrantes, durante este ano lectivo, para distribuir pelas escolas do primeiro ciclo, alargando o projecto pioneiro de educação com novas tecnologias a todo o Município.
O Projecto «Mocho XXI» teve início em 2005 com um programa-piloto na escola de São Facundo que, a pouco e pouco, se tem estendido a outros estabelecimentos do Concelho, estimando-se que, em 2008, a média seja de um computador por cada dois alunos do primeiro ciclo.
Em comunicado, a autarquia explica que vão ser investidos cerca de 500 mil euros em 303 portáteis, 27 computadores fixos, 27 impressoras e vário material informático de apoio.

Diário Digital / Lusa

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Pimba

O Ministério pimba da Educação

Desidério Murcho, Professor de Filosofia


Público.4 jan.2007


A propósito do livro Desastre no Ensino da Matemática: Recuperar o Tempo Perdido, organizado por Nuno Crato, Edições Gradiva, 2006

Os Encontros de Caparide foram uma louvável iniciativa do Ministério da Educação, que pretendia ouvir as sociedades científicas sobre o ensino de algumas disciplinas fundamentais (Português, Matemática, Filosofia) cujas deficiências a nível de currículos são gritantes. Foram tempos áureos, em que um ministro da Educação, David Justino, se preocupava com questões relacionadas com o ensino e não apenas com questões laborais e meramente organizacionais. O cerne da excelência do ensino é a solidez científica dos currículos e a formação científica dos professores, mas as discussões públicas nacionais sobre educação nunca abordam estes aspectos centrais. Até parece que tudo o resto é que é a finalidade do ensino, quando na verdade são apenas meios.
Dos Encontros de Caparide resultaram dois livros. O primeiro, dedicado à Filosofia (Para a Renovação do Ensino da Filosofia, Plátano), foi publicado no início deste ano. E este volume, dedicado à Matemática, surgiu agora. No primeiro caso, trata-se de discutir uma proposta concreta que visa melhorar a qualidade científica e didáctica dos programas de Filosofia do ensino secundário. No segundo, trata-se de discutir questões pedagógicas gerais que afectam não apenas a disciplina de Matemática, mas todas as outras.
As desastrosas doutrinas pedagógicas que imperam em Portugal, algo pós-modernaças e "construtivistas", são elitistas - apesar de fingirem o contrário - e têm por denominador comum um ódio visceral às Ciências, à Matemática, à História, à Gramática, à Literatura, à Filosofia; enfim, a tudo o que se pareça com verdadeiros conteúdos escolares. Em vez de conteúdos, fala-se de competências - como se pudesse haver competências sem conteúdos. E em vez de se distinguir cuidadosamente o que são verdadeiros conteúdos escolares do resto, procura-se transformar a escola numa espécie de entretenimento com ademanes de educação para a cidadania - tudo, menos ensinar seriamente Matemática ou Geografia ou Filosofia ou História ou Música. A origem destas ideias remonta a Rousseau e à fantasia do bom selvagem, e o que se visa é acabar com as Ciências, as Artes e as Letras, pois tudo isso corrompe a criança, que é presumivelmente mais feliz a ver televisão e a jogar à bola. Claro que tudo isto é fantasioso porque para andar a entreter os meninos com conversa fiada não é preciso escola: as crianças divertem-se muito mais fora da escola, e no mundo de hoje não têm sequer tempo para se aborrecer.
Fantasioso é também querer certificar manuais escolares quando os programas das disciplinas, que foram certamente certificados pelo próprio ministério, são o locus classicus do erro científico e do disparate pedagógico. Em muitos casos, para que um manual seja cientificamente bom e pedagogicamente adequado, é obrigado a não respeitar o programa. Isto porque os programas se degradaram de tal maneira ao longo dos anos que, hoje em dia, ao ler um programa curricular de Filosofia ou Português ou outra disciplina, uma pessoa pergunta-se onde está a Filosofia ou o Português. Os pedagogos ministeriais impuseram ao país a original perspectiva de que se pode ensinar Português sem Português, Filosofia sem Filosofia e Matemática sem Matemática. Ao mesmo tempo que os estudantes são massacrados com inúmeras disciplinas vácuas sem qualquer centralidade escolar, não têm uma educação básica em Música, nem em Literatura ou Filosofia ou Geografia. Se um estudante de 15 anos quer saber alguma coisa sobre estas coisas, tem de o fazer fora da escola. Mas se quiser brincar aos índios, pode fazê-lo nas chamadas "actividades educativas", em substituição das aulas de Matemática. É esta a educação pimba que temos.
Mas não é esta a educação que a sociedade, no seu todo, quer. Os pais, com maior ou menor formação escolar, queixam-se de que a escola não ensina. Os miúdos cantam, com razão, que "na escola nada se cria, nada se transforma, tudo se perde". Os professores andam há anos a denunciar este estado de coisas. Mas os pedagogos ministeriais vão passando de governo para governo, conseguindo ora mudar a Gramática toda, prejudicando gravemente a possibilidade da excelência do ensino do Português (se antes poucos professores sabiam e ensinavam Gramática, agora ainda menos - ou será que a ideia é mesmo essa?), ora suspender documentos que introduzem conteúdos científicos sérios num programa que carece deles (como foi o caso da badalada suspensão das Orientações de Leccionação do Programa de Filosofia). A ideia de trabalhar pelo bem do país, pela excelência do ensino, em defesa do interesse público, é alheia a estes originais pedagogos.
Numa cultura como a portuguesa, na qual nunca se valorizou realmente o conhecimento - afinal, no tempo da outra senhora, o conhecimento era um ornamento social para exibir em conversas amenas enquanto se tomava chá -, compete à escola entusiasmar os jovens e a sociedade, dando-lhes uma percepção clara do valor intrínseco do conhecimento. Mas quando é o próprio ministério da educação que não acredita no valor intrínseco do conhecimento, dificultando cada vez mais o estudo aos muitos professores sérios que temos por esse país fora, afogando-os em trabalho burocrático e em horas contabilizadas nas escolas só para marcar ponto, que se pode esperar do nosso futuro? Como poderemos recuperar o tempo perdido, tanto no que respeita ao ensino da Matemática como no que respeita às outras disciplinas? Seja qual for a estratégia, o primeiro axioma tem de ser este: o conhecimento tem valor intrínseco, em si e por si, e é do maior interesse público protegê-lo e transmiti-lo, e ensinar a produzi-lo - e só a escola pode fazer isso, ainda que infelizmente o tenha de fazer contra o Ministério pimba da Educação.

Exames 2007

Indicações para Exames

Continuam a não fornecer informações sobre grupos e seus pesos relativos na prova de Português de 12º.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Follow Through

Novo ano, velhas práticas aparentemente mais proveitosas... Post e comentários no blogue do Paulo Guinote a não perder.



(...)
(Pois claro que não...)
I, personally, would not advocate mandating Direct Instruction, even though it was the clear winner. I don't think that mandates work very well. But every educator in the country should know that in the history of education, no educational model has ever been documented to achieve such positive results with such consistency across so many variable sites as Direct Instruction. It never happened before FT, and it hasn't happened since.

domingo, 31 de dezembro de 2006

Bom ano 2007



...ou, pelo menos, melhor que os anteriores...

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Estratégias...

O exame intermédio de Matemática de 12º ano foi MUITO mais fácil que o mesmo do ano lectivo anterior. (Enorme e satisfeita estranheza entre os alunos que resolveram nas aulas o do ano anterior e se depararam com este...) Se o exame final for deste tipo...

Já estou a ver as parangonas nos jornais com o discurso rejubilante da nossa ministra:
Plano nacional da Matemática, implementado por este Executivo, mostra os primeiros resultados!

domingo, 10 de dezembro de 2006

Avaliação

Gosto muito de «ler» a teia das reflexões da Teresa...

Finalmente!

Fiz estes dois últimos testes com a estrutura de exame.

  • Grupo I - Perguntas de interpretação de um texto;
  • Grupo II - Perguntas de escolha múltipla e correspondências;
  • Grupo III - Texto expositivo/argumentativo.

Cerca de onze horas para ver o primeiro grupo; à volta de três para ver o segundo; mais de 6 horas para ver o terceiro. (Tenho de arranjar maneira de ser tudo cruzinhas...)

Aqui está o exemplo de um aluno que há 3 anos insiste em fazer companhia a mim e a alguns colegas meus:





e exemplo de um que me vai sair rapidamente das mãos:




Depois de passar 20 horas à volta de 40 testes + 1 a coligir toda a informação, acabei a avaliação de 2 turmas.
Contei os trabalhos de casa; lancei todas as notas, das 2 fichas feitas na aula e das 8 feitas no moodle, no excel, para chegar à média; juntei as 2 dissertações e a oitava que fizeram e apreciei tudo.

Custou, muito, mas já está. Estou feliz! (ainda por cima há poucas negativas!)



Amanhã poderei olhar para as minhas filhas e ajudar a mais nova que ainda vai ter dois testes.



Quer isto dizer que na próxima semana só trabalharei 14? Ah pois está claro que não!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

E continua...

Excertos de «ELEMENTOS PARA UMA CRÍTICA CIENTÍFICA DA TERMINOLOGIA LINGUÍSTICA PARA OS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO (TLEBS)»
de João Manuel de Andrade Peres
Linguista, professor catedrático
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
(...)
Não obstante o que afirmei na secção anterior acerca do papel dos linguistas na avaliação de uma terminologia linguística, é com pena que verifico que, entre as vozes críticas da TLEBS que nos últimos meses surgiram nos jornais e na televisão, estiveram muito poucos linguistas (tanto quanto me apercebi, apenas Jorge Morais Barbosa, catedrático da Universidade de Coimbra). Este facto perturba- me, pois dele resulta a imagem ilusória de que estamos todos a cerrar fileiras em defesa da Terminologia. Sei que isto não é verdade e reputo importante que o país o saiba. Por isso avanço agora com esta posição pública, apesar de me ser penoso pôr em causa o trabalho de colegas e possivelmente magoá- los, de tal modo que por muito tempo protelei a iniciativa e pelo menos três vezes contactei uma das autoras da TLEBS, responsável por algumas das partes que considero mais problemáticas. A primeira reacção desta Colega de departamento foi de surpresa e alguma displicência, mas, num segundo momento, informou-me de que se previa uma revisão para Setembro passado e alertou-me para que uma intervenção pública da minha parte poderia pôr em causa o trabalho de muitos anos de linguistas em prol do ensino da gramática. Setembro passou, estamos em Dezembro e nada vi ou me foi dito até hoje que justifique a manutenção do silêncio.
À circunstância que acabo de expor acresce o facto de o público estar a receber uma imagem dos linguistas que quase faz deles um bando de incompetentes malfeitores que teria por objectivo torturar professores e alunos e pôr de rastos o ensino do português.
Não conheço nenhum linguista a quem assente bem esta (minha) descrição hiperbólica, mas entendo perfeitamente que alguns de nós sejam acusados de ter agido de forma pouco profissional.
(...)
Tenho plena consciência de que, ao intervir, poderei afectar o prestígio de alguns linguistas e reduzir a margem de influência que tenham conquistado. Porém, considero de muito maior monta o prejuízo que esses mesmos linguistas estão, com a TLEBS, a infligir a muitos milhares de crianças e jovens deste país e a alguns milhares de docentes.
Depois de muito instado por antigos alunos que hoje são professores de português, opto, como considero ser de boa norma, pelo mal menor e procedo como quem cumpre um dever cívico. Faço-o na esperança de que mais vozes se ergam, levando o Governo a tomar consciência da gravidade da situação, da qual se constituiu responsável último, ao ter-lhe dado força de lei, não obstante o processo ter sido herdado, praticamente concluído, de governos anteriores (o que é de rigor afirmar, como aliás tem sido feito, mesmo por uma voz insuspeita de preferência política pela actual governação, como é a de Graça Moura).
(...)
A meu ver, a TLEBS não é um objecto inaceitável pelo facto de ser inovadora nos termos (ainda que as inovações possam ser discutíveis), nem por nela se pretender assumir uma postura científica, nem por conter termos de estrutura complexa e difícil de apreender. Não, a TLEBS deve ser rejeitada, antes de mais, porque cientificamente não merece crédito (quod est demonstrandum, obviamente). Adicionalmente, e dado o fim a que se destina a Terminologia, não é também despiciendo o facto de que, mesmo que ela tivesse mérito científico, se tornaria um objecto inútil por não ser servida por materiais de consulta sólidos, nomeadamente uma boa gramática do português de perspectiva inovadora, que não existe. Acresce ainda que a TLEBS é chocante pela sua insensatez no que respeita a extensão, pelo carácter abrupto (direi mesmo brutal) do seu modo de introdução (por oposição a um processo eventualmente faseado ao longo de anos) e pela insensibilidade que revela à importância da coesão inter-geracional, criando rupturas absolutamente inúteis.
Antes de formular as minhas críticas, respondo a uma pergunta que pode surgir no espírito de quem me lê: mas, então, a TLEBS não está já avaliada e creditada cientificamente, uma vez que a sua base de dados de definições foi elaborada exclusivamente por docentes universitários? Lamento responder que não está. Pelo menos por três razões, as duas primeiras das quais espero que fiquem evidenciadas no presente texto: em primeiro lugar, alguns dos autores não são, de modo algum, as pessoas mais qualificadas do país nas suas áreas e estas não foram chamadas a dar o seu contributo crítico sobre o seu trabalho; em segundo lugar, alguns dos autores claramente excederam os limites das suas competências específicas, trabalhando sobre questões de que pouco ou nada entendem; finalmente, por mais elevada que pudesse ser a qualidade do trabalho realizado separadamente por oito entidades distintas (nuns casos, indivíduos, noutros grupos), só por milagre a conjugação dessas peças autónomas no todo da TLEBS poderia ter resultado em algo de coeso e consistente, quando nem uma única vez essas diferentes entidades trabalharam em conjunto para articular a nova terminologia para o ensino do português. Eu sei que é inacreditável esta última afirmação, mas oiça-se o cândido depoimento de uma das autoras, que se pode encontrar no sítio oficial da TLEBS, na secção de “perguntas mais frequentes”: “Na TLEBS há duas definições para Adjectivo, como para Advérbio, Nome e Verbo. Esta duplicação resulta de cada domínio ter sido tratado por um diferente autor e nunca ter sido feito um cruzamento dos dados.” Lê-se e não se acredita. Como é possível que, em tais condições, tenha sido assumida a responsabilidade de fazer chegar a Terminologia ao Diário da República e que ela esteja hoje a ser imposta ao país inteiro? Alguém terá de responder por tamanho absurdo.

(...)
A concluir as minhas notas críticas e avaliativas, lamento dizer que os comentários que aqui expendi (com a ironia que, para mim, quadra bem com tudo o que é tragicómico) mais não representam do que – acentuo bem – uma pálida amostra do muito mais que há para dizer de negativo acerca da TLEBS, nuns casos por manifesta insuficiência ou incorrecção da informação dada, noutros por uma estreita visão do objectivo a atingir, a que faltou um rasgo de coragem para as inovações e as rupturas fundamentadas que se impunham. Apesar disso, eu quero muito não perder mais tempo com a TLEBS, ou, dito de outro modo, não quero gastar mais cera com tão ruim defunto. Só o farei se a isso me sentir obrigado (sans rancune, pois estará a rodear as reais questões quem pensar em conflitos pessoais).
(...)
Quero de novo acentuar que fiquei com a impressão geral de que a TLEBS tem partes que, após revisão cuidada, são de acolher. Tenho pena de que não sejam todas, porque preferiria poder escrever um texto de elogio ao trabalho dos meus colegas, que passaria a usar e a difundir com muito gosto. Porém, perante o que me foi dado observar, não tenho dúvidas em declarar publicamente, com plena convicção e sentido da responsabilidade que assumo, que, independentemente das partes válidas que a TLEBS contém, o conjunto que abrange a Morfologia, as Classes de Palavras, a Sintaxe, a Semântica Lexical e a Semântica Frásica – que constitui precisamente o cerne do sistema linguístico – apresenta deficiências e lacunas de uma gravidade tal que fazem desta terminologia, tomada na sua globalidade, um objecto que não merece crédito científico, que envergonha a Linguística portuguesa e o próprio país e que não se entende como pode estar a ser introduzido no sistema de ensino. Se alguém tivesse como objectivo contribuir para tornar o ensino do português algo de odioso para os alunos, não poderia ter dado melhor ajuda.

(...)
Texto de 30 páginas, onde o autor faz uma análise do discurso hermético da TLEBS, das falhas e incoerências várias que apresenta e comenta as vozes que a têm defendido e atacado. Sem 'partidarices'.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Ainda...


GramáTICa


Análise Sintáctica
por
Filomena Viegas - quarta-feira, 29 Novembro 2006, 01:02

Q:Na frase "Dormi miseravelmente esta noite.", qual a função sintáctica, à luz da nova terminologia, atribuída a "esta noite"?
Carla Pereira Profesora Braga

R:Na frase que apresenta ocorre o verbo intransitivo “dormir”, cuja grelha temática não apresenta argumento interno na predicação. Em “Dormi miseravelmente esta noite.”, o constituinte sublinhado tem a função de modificador do grupo verbal. Esta função sintáctica é desempenhada por constituintes não seleccionados pelo núcleo do grupo sintáctico que modificam. Podemos considerar “esta noite” como modificador preposicional, substituível por “durante esta noite”. Passa-se o mesmo em relação a frases do tipo “Domingo dormirei bem.”, onde “domingo” é igualmente substituível por “no domingo”.

Re: Análise Sintáctica
por
Virgílio Dias - segunda-feira, 4 Dezembro 2006, 08:40


Concordo inteiramente com a análise da Filomena. À luz da TLEBS - e é essa que, agora, nos ilumina - perfeita!
Mas...será que esta noite modifica, realmente, o predicado dormi miseravelmente, ou, antes, lhe acrescenta informação?
Devo confessar que seria para mim muito mais correcta uma descrição que respeitasse a verdade da frase e classificasse esta noite como complemento à informação dada pelo predicado: um complemento não argumental que se chamasse circunstancial, ou suplemento...mas que não fosse, apenas, modificador. Neste caso, modificador fica aquem da necessidade descritiva. Ninguém me convence de que esta noite, nesta frase, modifica seja o que for.
Continuo a pensar que não podemos abdicar do recurso aos complementos circunstanciais. Que inconveniente é que terão visto no seu uso? Teremos que os distinguir dos complementos preposicionados, teremos de diferenciar complementos argumentais de circunstanciais...façamo-lo. Mas é um erro querer eliminar esta ferramenta da descrição gramatical.



Re: Análise Sintáctica
por
Assunção Caldeira Cabral - quarta-feira, 29 Novembro 2006, 12:17

Bom dia, Virgílio, deixe-me meter a minha colherada: a análise da Filomena, «perfeita», não nos pode levar a concluir que "miseravelmente" tem um estatuto diferente de "esta noite". O que ela diz, e estou perfeitamente de acordo, é que o v. DORMIR, núcleo do predicado, não selecciona qualquer complemento e que, portanto, quer "miseravelmente", quer "esta noite" são modificadores do grupo verbal o qual, na frase em apreço, é constituído apenas pelo seu núcleo ("dormi"). Ambas as expressões têm o mesmo estatuto.Do ponto de vista da «sintaxe tlébica», o critério a aplicar em primeiro lugar é o da estrutura argumental do verbo porque é aí que se gera a gramaticalidade/agramaticalidade da frase. Os restantes constituintes são opcionais. Quando realizados sintacticamente alteram, naturalmente, o valor semântico da estrutura frásica, o qual pode/deve ser estudado à luz da semântica frásica (subdomínio B6). Daí o considerar-se que a função sintáctica desempenhada por qualquer dos constituintes não seleccionados pelo núcleo do grupo sintáctico é a de modificador. No documento TLEBS, na entrada MODIFICADOR, há uma chamada de atenção que esclarece as diferenças terminológicas: «Na tradição gramatical, os modificadores também se denominam adjuntos ou circunstantes.»Esta é a minha maneira de ver as coisas. Foi bom ter insistido na ideia dos complementos circunstanciais. Um abraço. Assunção



Re: Análise Sintáctica
por
Virgílio Dias - quinta-feira, 30 Novembro 2006, 09:43

Dormi miseravelmente esta noite
O predicado desta frase é dormi miseravelmente.
O verbo dormir poderá, eventualmente, ter usos de valor absoluto. Tentemos, no entanto, construir frases em que coloquemos aquele verbo como predicado, e veremos que, habitualmente, se trata de um verbo de dois lugares:
João dorme muito, pouco, bem, mal, na casa dos pais - ou: dorme tranquilo, agitado...
O constituinte esta noite, nesta frase, é, estrutural e funcionalmente, diferente do advérbio adjunto miseravelmente que, sintacticamente, é um modificador.
Há uma estratégia, a que recorro, em casos de dúvida: verificar se um constituinte é coordenável com um outro de que eu conheça claramente a função. Se o for, ele desempenham a função conhecida. Se o não for, estamos perante uma função diferente.
Nesta frase, miseravelmente e esta noite não são coordenáveis. Logo miseravelmente é um modificador; esta noite é outra coisa.
Mas, se formos tão TLEBISTAS que nos sintamos forçados a uma interpretação dentro dos seus cânones, há uma possibilidade de não ofendermos gravemente a gramática: classificaríamos esta noite como modificador de frase - e, como tal, já não integraria o predicado - como me parece desde a primeira leitura.


Re: Análise Sintáctica
por
Assunção Caldeira Cabral - quinta-feira, 30 Novembro 2006, 15:29

Não posso de maneira nenhuma concordar com a análise que defende mas, como não estou a ser capaz de me fazer entender, sugiro-lhe uma consulta detalhada da Gramática de M.H.Mateus...:
1. Para a determinação do esquema relacional do v. DORMIR: p.300;
2. Para a análise da estrutura interna do grupo verbal: p.409 (11.5.2.);
3. Para o estudo dos adjuntos: p.414 (11.5.3.). Na p.417 há uma síntese desta questão que me parece bastante esclarecedora, nomeadamente em relação aos circunstanciais;
4. Para a apresentação dos advérbios de modo: p.422;
5. Para a distinção entre o estatuto argumental/não argumental dos advérbios: p.425.
Por agora, penso que a leitura destes 5 pontos o deixarão mais esclarecido evitando, assim, perdermos tempo com divagações de um lado e do outro. Se não for o caso, sempre ao dispor.
Assunção
(...)
Re: Análise Sintáctica
por Virgílio Dias - segunda-feira, 4 Dezembro 2006, 08:40
Não imagina a Assunção a graça que eu encontrei no seu conselho: estude! É que muitos amigos, desde pequeno, têm tentado limitar o meu gosto pelo estudo. O meu Prefeito, nos Jesuítas (com quem, durante 9 anos, aprendi gramática e latim), não permitia que eu faltasse aos recreios para estudar; o meu médico limita-me, agora, a 2 horas o estudo diário; também a minha mulher vai tentando desviar-me daquilo que eu mais gosto: estudar.
Por isso, achei imensa graça ao seu conselho: estude! Até que enfim, alguém reconhece a minha necessidade de estudar mais, e mais...porque cada vez tenho a certeza de saber menos. Fico-lhe agradecido.

Fui revisitar todos os pontos que a Assunção me indicou. Nenhum me desviou da minha interpretação: esta noite e miseravelmente são dois constituintes tão diferentes que não lhes pode ser atribuída a mesma classificação sintáctica.
Mas não me limitei a cumprir o seu conselho. Fui ainda reler Los complementos adverbiales temporales. La subordinación temporal do Prof.Luis Garcia Fernandez (Univ.Castilla-La-Mancha) na Gramática Descriptiva de la Lengua Española, pág. 3129 a 3202. E não deixei de voltar a estudar o que nos diz o Prof. Leonardo Gómez Torrego na sua Gramática Didáctica. E sabe o que lhe digo? Fiquei ainda mais convencido do que tenho afirmado: miseravelmente pertence ao predicado; esta noite é outra coisa. Mas não se admire! Já o Prof.Malaca Casteleiro, que foi meu orientador de Mestrado, dizia que eu, nas questões de análise gramatical, sou demasiado teimoso - mas ia acabando por me dar razão. Espero que o mesmo venha a acontecer agora.

Forum GramáTICa

adjectivos?
por Eva Pires - sábado, 18 Novembro 2006, 23:57

Olá...
Queria aproveitar este espaço para colocar a seguinte questão: a que classe de palavras pertencem as palavras destacadas a seguir?

Ele foi o segundo aluno a chegar. Tu foste o primeiro.

Obrigada
Eva




Cara colega
as palavras destacadas na sua questão pertencem à classe dos adjectivos, e à subclasse dos adjectivos numerais. Assim: um, dois, três... são quantificadores numerais, 1º, 2º ... são adjectivos.
Espero ter ajudado
Glória



Re: adjectivos?
por Eva
Olá novamente...
A minha dúvida era em relação à palavra primeiro, por não surgir acompanhada por nenhum nome...
Obrigada pela rápida resposta



Re: adjectivos?
por Filomena

Boa noite Eva,
Venho dar-lhe a minha opinião. Se em vez de Tu foste o primeiro a nossa 2.ª frase fosse Tu foste o último, diríamos que se tratava de nominalização do adjectivo último. Julgo que também neste caso do adjectivo numeral podemos considerar que houve elipse nominal de aluno, apresentando primeiro um comportamento nominal.
FV

sábado, 2 de dezembro de 2006

Tlebs ...

http://ciberduvidas.sapo.pt/controversias/311006.html

Aos defensores da dita, pergunto o seguinte:

  • Porquê dizer que nas frases 'O rapaz foi a Lisboa', 'O rapaz está em Lisboa' e 'O rapaz estuda em Lisboa' temos respectivamente um complemento preposicional, um predicativo do sujeito e um modificador preposicional?

Isto simplifica?
Não era mais simples dizer que nos três casos tínhamos UM complemento circunstancial de lugar?

Não há dúvida das vantagens de alguns aspectos da Semântica frásica ou da Pragmática, por permitirem uma reflexão sobre o 'texto'. O que não consigo entender é da necessidade de alterar conceitos que estão enraizados e que fazem todo o sentido.
Outro exemplo:
  • 'O primeiro homem foi Adão'. Se 'primeiro' é (agora) um adjectivo e se está colocado à esquerda do nome então é (de acordo com a semântica frásica) não restritivo. Não é restritivo? Claro que é! Porquê colocar os numerais ordinais como adjectivos?