domingo, 17 de junho de 2007

Medo e Coragem

A denúncia é importante, como nos diz António Balbino Caldeira na sua caixa de comentários:

Caros comentadores

Mas se, pelos motivos explicados, não aceito por agora o apoio financeiro, agradeço muito a vossa ajuda em iniciativas de ajuda que contribuam para denunciar os abusos praticados contra a liberdade de expressão em Portugal.

Agradeço muito as iniciativas das petições - se bem que nesta última não posso concordar com a expressão hipotética do "delito de opinião" que não pratiquei e os leitores sabem que não pratiquei - factos, factos, factos. As petições tem três problemas principais em Portugal: as petições supõem o efeito da vergonha na outra parte, ora num regime que tende para totalitário, não existe vergonha e, portanto, não tem emenda por essa via; o direito de petição está na Constituição, mas o parlamento desprezou, e desprezará, petições com mais de 80 mil assinaturas (!), por isso alguns milhares de assinaturas não comovem os deputados da Nação; as petições podem ser sabotadas com a inscrição de tarados, que chegam ao cúmulo de pagar anonimizadores - por exemplo, o Domains By Proxy, aqui já exposto como servidor de um tarado, é a pagar e teve de ser pagar com cartão de crédito que identifica o cliente ou quem lho emprestou - e o preenchimento de dados a gozar com o fim nobre da iniciativa (isso já foi usado no passado e agora creio que novamente).

E julgo ainda mais importante, sem desprimor para quem apresentou estas duas iniciativas - até porque útil é haver várias e sobre vários alvos e meios - a sugestão do Dr. José Maria Martins do envio de mails de protesto para a presidência da República (relativamente à AR, pelas razões que são conhecidas, não creio que tivesse eficácia), outros órgãos do Estado e, ainda, organizações internacionais - já vi por aí um texto solidário escrito em inglês neste blog - http://nunojsilva.wordpress.com -, nomeadamente o presidente do Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e embaixadas estrangeiras de países de influência, denunciando a perseguição da liberdade de expressão em Portugal relativamente a factos demonstrados sobre José Sócrates.

Não se limitem a um acto só, pois aqui vale a variedade dos actos, meios e formas, sendo extremamente eficaz a espontaneidade.

Por isso, aceito a vossa ajuda na denúncia do abuso.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Bom senso

No GAAIRES apresenta-se esta sugestão:


Como já escrevi uma vez, parece-me que a inclusão da nota de Educação Física na média para ingresso no ensino superior penaliza um número indeterminado de alunos que, quando iniciaram o seu percurso escolar não podiam adivinhar que as regras do jogo iam ser mudadas. Mas também me parece injusto que os alunos com bom desempenho na disciplina não possam tirar proveito disso. Por isso mesmo, entendo que deveria ser adoptada uma de duas soluções sugeridas pela Comissão de Avaliação:

a) que o aluno possa optar por uma das duas médias (com ou sem Educação Física) - é a minha preferida e a de mais fácil concretização;

b) que cada aluno possa excluir da média a disciplina com pior nota (desde que não seja específica, claro).


Quando fiz o 12º (foi a primeira vez que existiu) teve de ser com aulas à noite, pois a escola não tinha espaço para nós. Tive três disciplinas. Posso dizer que não fiz absolutamente nada. Foi um ano divertido a jogar matrecos num café próximo do liceu... Fiz o ano «com uma perna às costas» e não sofri qualquer pressão com a «média» para entrar aqui ou ali...

Agora vejo pelos meus alunos e pela minha filha mais velha o esforço que têm de fazer para conseguir «lutar» pela média. É tão disparatada a quantidade de matéria que têm de empinar, que me irrita um bocadinho quando vejo a minha a estudar quem inventou o andebol...

Os programas são extensíssimos, inenarráveis, nascidos e criados por mentes ilustres que julgam estar a formar universitários, com incongruências várias de articulação entre eles que não lembram ao diabo.

Coitados dos miúdos «certinhos». Crescem mais cedo, mas só podem «viver» mais tarde.
Os outros esquecem a escola porque não conseguem. (Bem, agora, com os RVCC, sempre podem por vias travessas fazer de conta.)

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Os «Charruas» não param!...

A IC chamou a atenção para isto... Eu transcrevo-o, porque acho fantástico:


A APM saiu da Comissão de Acompanhamento do Plano da Matemática

Em Setembro de 2006, a APM aceitou integrar a Comissão de Acompanhamento (CA) dos Planos da Matemática (ver página Representações - Plano da Matemática).

Em 11 de Maio de 2007, a CA reuniu com os professores acompanhantes numa escola de Lisboa. A Sr.ª Ministra da Educação esteve presente em parte da reunião, para a qual convidou a comunicação social, e onde fez várias declarações que foram publicadas no dia seguinte nos jornais.

No dia 15 a APM enviou para a comunicação social, e deu conhecimento à DGIDC e ao gabinete da Sr.ª Ministra, este comunicado em que discorda das afirmações proferidas no dia 11 pela Sr.ª Ministra.

Na sequência destes acontecimentos, o Director Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Dr. Luís Capucha, convidou a APM a sair da CA, alegando que a APM não podia criticar publicamente o programa do Ministério, uma vez que fazia parte dele.

A direcção da APM considera como um princípio fundamental e inquestionável a sua independência e liberdade de expressão, para garantir a fidelidade aos seus objectivos, definidos nos estatutos, aos seus ideais de educação e aos seus sócios. Por isso, a partir do dia 30 de Maio, a APM deixou de integrar a Comissão de Acompanhamento do Plano da Matemática.

A APM continua disponível, como sempre tem estado, para apoiar os professores e os seus projectos nas escolas e para promover as aprendizagens matemáticas dos alunos.

A direcção da APM está disponível para esclarecer qualquer dúvida sobre estes acontecimentos.


quinta-feira, 31 de maio de 2007

Irritação

Estou zangada.

Em processo de mudança de Executivo a decorrer na minha escola, acho piada aos argumentos.
Quem muito ladra, nunca morde. Falam, criticam, mas alternativas ninguém apresenta. Com uma reduzida amostra de candidatos elegíveis, acontece aparecer alguém que «quer». E é tão importante querer... nada se faz quando se está «por estar». E, se alguém quer, há que lhe dar as condições para «reinar». Porque mais ninguém quis. Eu, sendo «elegível», não quero. Mas, como não quero, apoio quem quer. Os outros, não apoiam nada, mas criticam tudo.

Faz-me pensar na greve. Todos falam mal do Governo. Todos criticam tudo. Ninguém vê o mínimo de coerência. Mas quantos fizeram greve? (e não me conotem com partidos!.... fiz greve e sou «tradicionalmente» inclinada para a direita, porque sei que somos todos muito iguais, mas todos MUITO diferentes.... Quero lá saber de partidos!)

Não me chateiem. Sejam coerentes.

Adenda:
Mas por falar de partidos... Por que razão a UGT não aderiu à greve? Que outras estratégias de luta estão a desenvolver? Serei eu que estou completamente enganada e a ver tudo mal? Este governo está lúcido?

Agora, sinto-me cada vez mais a tombar para a esquerda... Será porque uma extrema direita está no governo?

terça-feira, 29 de maio de 2007

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Prémio Nacional de Melhor Professor


Há realmente ainda quem seja absoluta e completamente coerente.
Quando se ouvem os sindicatos a aconselhar todos a concorrer, «senão....», há pessoas como a
Teresa Marques, do Tempo de Teia. Porque basta ler o ECD para se perceber o «serviço» dos titulares. E nada daquilo tem a ver com alunos. Mas fica-se «parado» no bolso. Pois é. Só mesmo os mais corajosos podem ser coerentes. Provavelmente, se pudesse concorrer, apesar de em nada me rever nas funções dos ditos cujos, a parte que entra no bolso talvez me levasse a baixar a cabeça e, servilmente, acabasse por preencher a inscrição.
Mas a Teresa pode concorrer e, diante do problema que para ela não é apenas virtual, diz:



Ah, e aproxima-se o concurso para professor titular... a prova de fogo à minha obstinação pela coerência e pelo direito a optar pelo percurso que entendo ser o mais ajustado às minhas características profissionais (tenho queda para soldado, o que é que querem?). Pagarei, sei, por esse direito à escolha, que, portanto, direito não é. Serei penalizada daqui para a frente, marcando passo na coisa financeira, na coisa da carreira, mas pronto. Alma serena.

Ah, e agora hei-de andar congelada até 2009... eu, que em teoria deveria ter passado para o 9º, processo concluído, apenas por uma semana a expectativa gorada de mais um aconchego mensal no salário. Duplamente penalizada agora que optarei por, mais uma vez, me autocongelar no 5º da nova carreira... aguardando o descongelamento um dia, sabe-se lá quando, que me permitirá receber o tal vencimento a que tenho direito (teria) correspondente ao escalão real em que devia estar colocada.

Ao ouvir a notícia de manhã... ocorreu-me este pensamento perverso... que tal congelar um pouco a minha actividade no que respeita aos extras que ofereço ao sistema, por conta do tempo da componente individual que deixei de ter mas que insisto em roubar à vida para que o desempenho se mantenha nos níveis de exigência que são os meus padrões?
O que me faz dar, dar, dar, dar, quando a recompensa recebida é ver desaparecer aquilo a que tenho direito? Quando me tratam assim tirando, tirando, tirando?

Apreciando o estado de anormal cansaço em que me encontro neste final de ano lectivo, vou fazer um balanço sério nestas férias e verificar realmente como poderei fazer para ser a melhor professora para aqueles que precisam de mim, não me esgotando em ofertas ao sistema que o não merece. Não é amargura, ou desalento, não. É clareza de espírito. É constatação de que se continuar a este ritmo, os alunos acabarão por sofrer as consequências das minhas limitações físicas. Isso, dê lá por onde der, nunca deixarei acontecer. Sacrificarei o que tiver de ser sacrificado, nunca a minha total disponibilidade e o meu completo envolvimento com os pequenitos colocados a meu cargo.

Mais atrás diz também:
Ah, é verdade, falava eu da greve um destes dias e ouvi, algures entre a brincadeira e alguma apreensão: olhe que se fizer pode ser despedida! Despedida? Sim. Não sabe que têm de dar o seu nome lá para cima? Para que acha que é? Fica na lista negra...

Antes na lista negra... que na lista inócua e branca.

Eu também vou para a famosa «listinha»...

Feche-se! :-)

Da caixa de comentários do 4R - Quarta República

Pinho Cardão said...

Pois eu, durante algum tempo, e há muitos anos, ainda julguei que o Ministério da Educação era reformável, no sentido de se poder renovar.
Falando a sério, há muito que não penso assim . Pelo que a solução é mesmo fechar, e não digo isto com ironia. É fechar mesmo, acabar, terminar!...
E pôr na rua sem justa causa todos aqueles que advogam os novos métodos de leitura global, que constituem exercícios de adivinhação e não levam ninguém a saber ler, todos os que desaconselham a tabuada, todos os que se opõem aos exames para efeitos de classificação dos alunos, e desde o 3º ano, todos os que dizem que o primeiro ano é para a criança se aclimatar à escola, todos os que confundem o aprender com uma actividade lúdica, pois aprender custa sempre e não diverte, todos os que apenas querem fazer bacharéis, com umas luzes tecnocráticas e sem qualquer espírito crítico, todos os que recomendam o TLEBS e dizem que é uma conquista científica, todos os que inventaram os exames que não são para avaliar alunos, todos os que desaconselham os trabalhos de casa, todos os que favorecem a linguística em relação à literatura, todos os que desprezam os exercícios de memória...eu sei lá!...Este simples apanhado, ao correr da pena, dá ideia do completa loucura que grassa pelo ministério e a que os ministros não conseguem pôr cobro, antes são arrastados pela onda. Feche-se, pois, que o ministério da educação é o maior deseducador nacional.
Feche-se e crie-se outro, a milhas, com um vigésimo do pessoal, completamente diferente!...

domingo, 20 de maio de 2007

Delicioso :-)

Mail da Amélia

Sinfonia Inacabada de Franz Schubert


Um administrador, adepto de primeira hora da doutrina neoliberal, ganhou um convite para assistir a um concerto da Sinfonia Inacabada de Franz Schubert. Como estivesse impossibilitado de comparecer, deu o convite ao seu gerente de Organização, Sistemas e Métodos.

Na manhã seguinte, o administrador perguntou-lhe se tinha gostado do concerto. Ao invés de comentários sobre o que ouvira e vira recebeu o seguinte relatório:

Circular Interna nº 13/03

De: Gerência de Organização, Sistemas e Métodos
Para: Directoria

Ref: Sinfonia Inacabada

1-Por um período considerável de tempo, os músicos com oboé não tinham nada para fazer. O seu número deveria ser reduzido e o seu trabalho redistribuído pelos restantes membros da orquestra, evitando-se assim estes picos de inactividade;

2-Todos os violinos da primeira secção, doze ao todo, tocavam notas idênticas. Isso parece ser uma duplicação desnecessária de esforços e o número de violinos nessa secção deveria ser drasticamente reduzido.
Se fosse necessário um volume de som alto, isso poderia ser obtido através do uso de um amplificador;

3- Muito esforço foi despendido ao tocarem semitons. Isto parece ser um preciosismo desnecessário e seria recomendável que as notas fossem executadas no tom mais próximo. Se isso fosse feito, poder-se-iam utilizar estagiários em vez de profissionais;

4-Não há utilidade prática em repetir com os metais a mesma passagem já tocada pelas cordas. Se toda esta redundância fosse eliminada, o concerto poderia ser reduzido de duas horas para apenas vinte minutos;

5-Enfim, resumindo as observações dos pontos anteriores, podemos concluir que, se Schubert tivesse dado um pouco de atenção a estes pontos, talvez tivesse tido tempo para acabar a sua Sinfonia Inacabada.

Sonho dos Outros

Estive a ouvir isto ao vivo pelas mãos do Laginha e do Sassetti





Neste momentos, depois desta simplicidade perfeita, quero lá saber da complexidade imperfeita de tudo o resto...

Esta música lembra-me a suavidade das palavras da Soledade e leva-me para outras paisagens...

sábado, 19 de maio de 2007

Anedotário

Professor de Inglês suspenso de funções por ter comentado licenciatura de Sócrates
19.05.2007 - 10h09 Mariana Oliveira

Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário – que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto – à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates.

A directora regional não precisa as circunstâncias do comentário, dizendo apenas que se tratou de um "insulto feito no interior da DREN, durante o horário de trabalho". Perante aquilo que considera uma situação "extremamente grave e inaceitável", Margarida Moreira instaurou um processo disciplinar ao professor Fernando Charrua e decretou a sua suspensão. "Os funcionários públicos, que prestam serviços públicos, têm de estar acima de muitas coisas. O sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal", disse a directora regional, que evitou pormenores por o processo se encontrar em segredo disciplinar. Numa carta enviada a diversas escolas, Fernando Charrua agradece "a compreensão, simpatia e amizade" dos profissionais com quem lidou ao longo de 19 anos de serviço na DREN (interrompidos apenas por um mandato de deputado do PSD na Assembleia da República).

No texto, conta também o seu afastamento. "Transcreve-se um comentário jocoso feito por mim, dentro de um gabinete a um "colega" e retirado do anedotário nacional do caso Sócrates/Independente, pinta-se, maldosamente de insulto, leva-se à directora regional de Educação do Norte, bloqueia-se devidamente o computador pessoal do serviço e, em fogo vivo, e a seco, surge o resultado: "Suspendo-o preventivamente, instauro-lhe processo disciplinar, participo ao Ministério Público"", escreve.

A directora confirma o despacho, mas insiste no insulto. "Uma coisa é um comentário ou uma anedota outra coisa é um insulto", sustenta Margarida Moreira. Sobre a adequação da suspensão, a directora regional diz que se justificou por "poder haver perturbação do funcionamento do serviço". "Não tomei a decisão de ânimo leve, foi ponderada", sublinha. E garante: "O inquérito será justo, não aceitarei pressões de ninguém. Se o professor estiver inocente e tiver que ser ressarcido, será."


Neste momento, Fernando Charrua já não está suspenso. Depois da interposição de uma providência cautelar para anular a suspensão preventiva e antes da decisão do tribunal, o ministério decidiu pôr fim à sua requisição na DREN. Como o professor, que trabalhava actualmente nos recursos humanos, já não se encontrava na instituição, a suspensão foi interrompida. O professor voltou assim à Escola Secundária Carolina Michäelis, no Porto. O PÚBLICO tentou ontem contactá-lo, sem sucesso.

No entanto, na carta, o professor faz os seus comentários sobre a situação. "Se a moda pega, instigada que está a delação, poderemos ter, a breve trecho, uns milhares de docentes presos políticos e outros tantos de boca calada e de consciência aprisionada, a tentar ensinar aos nossos alunos os valores da democracia, da tolerância, do pluralismo, dos direitos, liberdade e garantias e de outras coisas que, de tão remotas, já nem sabemos o real significado, perante a prática que nos rodeia."

sexta-feira, 18 de maio de 2007

De Sttau Monteiro

Redacções da Guidinha
O ensino superior comprido e o ensino superior curto

Ora vejam lá se não se está mesmo a ver que esta gente é doida sim ora vejam lá que digo isto porque agora como não tinham mais nada a fazer criaram o Ensino Superior Curto ora com as faltas as greves as férias os sarilhos e mais isto e mais isto o ensino superior já estava tão curto que se lhe tirassem um bocado deixava de se ver mas eles a essas coisas não ligam como não ligam à lógica sim porque das duas uma ou o ensino superior é comprido em demasia e então deve ser encurtado porque é estúpido manter os meninos a estudar mais tempo do que o necessário ou tem exactamente o tamanho necessário e não pode ser encurtado e nesse caso o tal ensino novo é o que quiserem menos curto o que ele não é com certeza é superior de qualquer forma o que isso prova é a riqueza bestial deste país que tem uma universidade velha uma universidade nova e que agora passa a ter também uma universidade curta o meu Pai diz que a universidade curta foi criada para dizer com o cabaz das compras com os ordenados e que estão cada vez mais curtas por causa da inflação de qualquer forma isto vai dar uma confusão danada porque nós já tínhamos os doutores por extenso os drs. sem ser por extenso e agora vamos ficar com os drs. curtos porque mais dia menos dia os drs. curtos reivindicam o direito de ter o mesmo tratamento dos drs. compridos e vão para a rua berrar que a diferença é uma discriminação que não se admite numa democracia não sei se o regime vai mudar todo ou se fica tudo na mesma cá por mim apresento uma sugestão como as aulas da Universidade Comprida duram 50 minutos proponho que as aulas das Universidades Curtas durem 10 minutos como os professores da Universidade Comprida são normais proponho que se cortem as pernas dos professores da Universidade Curta para eles ficarem mais curtos como os alunos da Universidade Comprida estudam por livros normais proponho que a direcção da Reader's Digest seja incumbida de resumir os textos para o ensino curto onde os alunos da Universidade Comprida por exemplo estudam que o valor de pi (passe a ortografia mas a minha máquina não tem o símbolo) é 14,16 etc. os alunos da Universidade Curta devem estudar que total de pi vale 10,15 aos cursos de humanidades da Universidade Curta também se deve facilitar a vida aos licenciados curtos da seguinte forma onde os da Universidade Comprida dizem D. Pedro V os da Universidade Curta devem dizer D. Pedro II é certo que isso pode dar uma certa confusão mas é igualmente certo que os desgraçados não têm tempo para estudar mais porque se começarem a estudar acaba-se-lhes o curso antes de chegarem ao fim do estudo no meio disto tudo o que eu digo é que inventaram esta Universidade Curta por o Cardia da Educação ser tão pequenino se ele fosse mais comprido nada disso acontecia agora lá como é que ele vai se amanhar com tanta Universidade é que ninguém sabe porque se está mesmo a ver que ele nem com a Comprida se safa quanto mais com a comprida e com a curta e como nestas coisa de demagogia não há rei nem roque eu cá por mim proponho que se acabe mesmo com as universidades e que se introduza na Constituição uma regra dizendo Cada português é doutor por direito próprio se seguissem este meu plano acabavam os complexos punha-se termo aos privilégios e poupava-se muita lata nos canudos que na Universidade Curta passam a ter o tamanho das pasta de pomada para lavar os dentes uma coisa que vai ter é piada é arranjar nome para as coisas da Universidade Curta os lentes por exemplo passam a ser o quê nessa universidade? vidrinhos sem graduação? e os doutores honnoris causa? será que vão passar a chamar nessa universidade doutores honnoris causita? ou doutores honnoris curta? e quem vai ser o director? o Marcelo Curto? bem sei que este último problema não é grave porque não faltam por aí curtos de toda a espécie para leccionar e as cátedras? passarão a chamar-se bancos de cozinha? enfim se isto tudo tem uma moral essa moral é que ter um ministro da educação que dá pela cintura da gente acaba por se reflectir no tamanho dos cursos e dito isto aqui vão as notícias da Graça como é natural a Graça vai bem e recebem a notícia da Universidade Curta com grande entusiasmo para dizer a verdade e para que se possam avaliar esse entusiasmo informo que já se organizou uma comissão incumbida de propor ao dr. Mário Soares que instale a Reitoria da Universidade Curta aqui no bairro é certo que não temos edifícios apropriados mas numa rua cujo nome não revelamos há um vão de escada desocupado e como a Universidade é curta talvez lá caiba a ministra da educação pode lá entrar sem bater com a cabeça no vão da porta disso estamos certos deve ser a única portuguesa que consegue isso mas antes conseguir isso que não conseguir nada

In O Jornal, 12 Agosto 1977.

O que está a bold foi feminizado...

sábado, 5 de maio de 2007

Demolidor

Artigo de João Peres

(...)O segundo reparo respeita à não aplicação da suspensão da TLEBS ao Ensino Secundário, já referida na comunicação social.

(...)

O primeiro caso reporta-se à autoria dos programas do Básico em vigor, aprovados em 1991. Não faço a mínima ideia de quem foram os “especialistas de reconhecido mérito” que produziram um trabalho tão caótico relativamente à gramática, mas, como pelos frutos se vê a árvore, estiveram decerto longe de constituir a melhor selecção possível. O segundo caso respeita aos já referidos programas do Secundário, em vigor desde 2003, os quais têm seis autores, três que julgo serem docentes do Secundário e três universitários, dos quais apenas um doutorado (em 2000); a presença dos primeiros é inquestionável (assim tenham sido os mais indicados para a função); quanto aos três universitários, fica-se atónito, não só perante a modéstia dos currículos, mas também pelo facto de dois deles trabalharem na área do ensino de português como língua não materna (sobre o terceiro, nem consigo obter informação, para além da aparente ligação a uma universidade privada)

(...)

Parece-me, pois, indiscutível que há casos em que o Ministério não se preocupa com a transparência das suas escolhas de colaboradores junto das universidades e outros em que ou não procura o tal “reconhecido mérito” ou, se procura, pouco acerta.

(...)

Acredito que as dificuldades específicas do trabalho linguístico a que acabo de aludir podem ser ultrapassadas pelo trabalho colectivo, pela discussão e confrontação de perspectivas e teorias, ou seja, entregando, efectivamente o trabalho à “comunidade científica”.
Curiosamente, a Senhora Ministra parece estar convencida de que isso já aconteceu, pois afirmou que “a revisão da gramática (...) foi devolvida à comunidade científica, que tem de se entender sobre o assunto” (cf. ib.). Tem de ser devolvida, claro, mas ainda não dei por que o tivesse sido (e já consultei alguns muito bons linguistas, insuspeitos de serem meus apoiantes incondicionais nesta luta) e acho que a Senhora Ministra ou está mal informada ou está iludida. Se se pensa que tal devolução consiste em entregar a revisão a um linguista e a um especialista de Estudos Literários, nos termos conhecidos, ou se está a tornear a questão ou existem planos secretos de alargamento da discussão que a mesma comunidade científica ainda desconhece. Se, por outro lado, se imagina que a referida devolução passa por uma Conferência generalista, em que em simultâneo se tratam questões de gramática e de cânone literário, de multilinguismo e de identidade do professor de português, então quando acabarem tais interessantes trocas de ideias, cujo relato certamente não deixará de ser de grande proveito para quem se interessa pelo ensino do Português genericamente entendido, avisem a comunidade científica que tem a gramática por seu objecto para que o trabalho que está em causa com a TLEBS tenha finalmente início.

(...)
Generalizando para além do problema que motiva este escrito, entendo que o ME deveria ter com o Ensino Superior uma relação transparente sobre prestação de serviços, em particular os respeitantes a programas e questões afins.

(...)

Se tiver vida e saúde, tenho planos de produção bibliográfica para os próximos dez anos (não, não incluem rendosas gramáticas didácticas), com uma equipa de qualidade que não procura nem as luzes da ribalta, nem poder nem quaisquer benesses.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Inquisição

http://quartarepublica.blogspot.com/2007/04/de-novo-mtodos-da-inquisio.html

Adenda 1:
http://jn.sapo.pt/2007/04/30/opiniao/dos_beneficios_denuncia.html

(...) De que tem mais medo, padre Bartolomeu Lourenço, do que poderá vir a acontecer, ou do que está acontecendo, Que queres dizer, Que já o Santo Ofício acaso se está aproximando como se aproximou de minha mãe, conheço bem os sinais, é como uma aura que envolve aqueles que se tornaram suspeitos aos olhos dos inquisidores, ainda não sabem do que vão ser acusados e já parecem culpados (...)

Memorial do Convento - Saramago


Adenda 2:

O inimitável Baptista-Bastos no DN

Adenda 3:

No Paulo Guinote a mesma área temática...



.

Eu, me, mim, migo

A propósito da notícia no DN e dos respectivos comentários em vários blogues, reparei que nunca aqui reflecti sobre os «meus» alunos. E nem é por isso que por aqui ando. O que aqui me trouxe inicialmente foi a TLEBS e a estupidez da sua estouvada implementação. Depois fui ficando e postando ao sabor das raivas que vou sentindo por quem nos desgoverna.

Que me apetece dizer das turmas deste ano? Dois 12ºs e um CEF equivalente a um 10º com estágio no final do ano. Da noite nem falo de tão pacífico que é lidar com adultos – embora os haja que algum trabalho dão, há pois há, os poucos que tentam salvar-se a copiar para terem menos trabalho que os outros.

Uma das turmas de 12º (a minha DT) é recheada de alunos interessados, aplicados, participativos. Esperam-nos já à porta da sala (...não têm inveja?). Não me lembro de uma turma assim. Disse-o hoje aos pais na reunião. E disse-lhes também (e sorri ao ver os sorrisos) que provavelmente a culpa era dos pais. Se nos rimos um bocado de alguma coisa e é necessário voltar ao trabalho, que o tempo é curto, imediatamente põem os pés no chão e voltam à labuta. Já a outra turma é mais descontraída com uma aluna excelente e vários bons alunos, mas com conversas cruzadas nas aulas que com elas nada têm a ver e a quem se tem de chamar a atenção várias vezes antes de se conseguir «obrigá-los» a voltar à terra. Mas são todos simpáticos, bem-educados, tranquilos e cooperantes. Em suma, não dão qualquer tipo de problemas. Vão ser provavelmente bons trabalhadores para onde quer que se virem.

Depois.....(ai jesus!)....... vem o CEF. Há duas semanas que os não vejo devido aos feriados. E que bem me sabe não ter aulas com eles! Não têm o mínimo sentido de esforço. Trabalho!? Qué isso? Pa que serve? Nicles batatóides. Não são má gente, mas eu não sei lidar com eles. Um fala sempre como se o interlocutor estivesse a 100 metros de distância. Quando o advirto dos modos como se comporta pede desculpa e 2 segundos depois vira-se para um qualquer colega e faz uma qualquer pergunta disparatada. No início do ano tratei-os como trato os de 12º - como adultos. Só que estes não o são, nem lá perto chegam, embora tenham a mesma idade, fora duas ou três excepções. Depois de duas aulas a tentar a bem controlá-los, explodi e fiz renascer o Hitler (salvo seja!) que há em mim – ditadura e da dura.
–Quem der um pio vai imediatamente para a rua!
–Quem não fizer o trabalho que indiquei vai para a rua!
É que as faltas podem impedi-los de ir para estágio. Remédio santo! Mas já não me lembrava de «funcionar» assim. E como me custa! Com regime militar começaram a melhorar. Mas eu sorria ou dizia uma qualquer piada para espairecer e aligeirar o ambiente e a agitação imediatamente rebentava qual vulcão adormecido. E depois era impossível voltar a puxá-los à terra sem ser à bruta. Só entendem a lei do machado. Não vão lá com conversa. Ainda tive uns discursozitos ao coração daqueles que usava para os mais miúdos, mas o ar deles é «que quela tá práli a dizere!?» Desisti de os tratar como trato os outros. Entro séria e ali estou feita generala a guardar os prisioneiros. Acabam por fazer os exercícios todos, mas sem o cérebro. Acho piada a um, enorme, daquelas vozes que quando se ouvem ecoam, que não sabe sussurrar. É um miúdo esperto (como outros que lá estão) e depois de eu lhes explicar o funcionamento das relativas numa aula, e de terem feito exercícios, ele diz-me que não entendeu ainda muito bem. Volto a explicar e o ar dele iluminou-se (tem uma cara castiça) e de braços enormes esticados no ar, como é seu costume, exclamou com o formato de felicidade à americana: Yes! Já percebi! (-Precisas de pôr os braçps no ar- pergunto. Oh stôra, tou contente, pá! Pá, não! Desculpe, stôra!) A seguir fez, radiante, os exercícios todos bem à primeira. Na aula seguinte, ficha igual à dada na aula anterior. Resultado? 5,2 (de 0 a 20). Ou seja, entrou-lhe naquele dia, mas uma semana depois faz parte do passado. Quando, sorrindo, lhe perguntei se se lembrava da exclamação da aula anterior, respondeu: -Tem razão,stôra. Devia ter olhado pra isto. Tem razão! Pois tenho. E adianta-me de alguma coisa? Oh, stôra, desculpe lá!
Pois é. Irão para estágio agora, no final do ano. Raramente escrevem mais de uma linha sem erros. Não são burros, mas não têm qualquer noção do que é trabalhar. É a minha primeira experiência (desagradável, sem dúvida) com estes cursos. Pode ser que as próximas sejam melhores. E os meus colegas não se queixam deles. Há outros muito piores, dizem. Piores!? Eu sei,... eu sei que estou destreinada dos mais novos, quer seja em idade física ou mental. Já tinha deposto as armas há muito tempo.


Daí que aplauda PELA PRIMEIRA VEZ uma medida da senhora ministra – as alterações efectuadas ao Estatuto do Aluno que permitem PELO MENOS ter o poder de os ameaçar com a falta por estar a perturbar uma aula e as implicações que daí poderão advir - o tal exame no final do ano. Porque é impossível dar aulas a quem as não quer ter sem ter algum tipo de chantagem que possa ser feita, que não existia. Porque se com alguns a conversa ao coração chega, há os a quem só outro alguém, que não eu, poderá orientar. Eu não tenho paciência nem vocação para entreter quem não quer aprender. O que gosto é de ensinar. Educar, educo as minhas filhas. O que eu gosto é que eles aprendam. Entretê-los? Nã!

sábado, 28 de abril de 2007

Manipulação, (Des)informação

Nos títulos de quase todos os jornais online surge-nos:
RTP - Sócrates "satisfeito" com comunicado do TC
Público - Sócrates "satisfeito" por TC reconhecer que Governo só fez 53 nomeações

Não há dúvida de que este PM é inteligente (com ou sem curso superior) ou está muito bem assessorado.
É que o Tribunal de Contas não disse nada disso.

Os dados que lhes foram facultados (devem ser do tipo das contas de que eu falava no post anterior...) é que foram alterados. E dizem nada mudar nas suas declarações sem uma nova auditoria.

Mas, e aqui se revela a inteligência propagandística deste governo, enganam, ludibriam e desqualificam QUEM QUER QUE SEJA, para fazer passar a sua mensagem. Começou connosco, os professores, mas os tentáculos vão-se estendendo.


O que é que os mais incautos ouvirão? Só o título, claro - O TC enganou-se! Tadito do Governo. Tão sério! Tão rigoroso! É tudo uma cabala!

Eficiência, Rigor...

Enquanto não corrigem os dados (como fizeram com o currículo do PM) deleitemo-nos com a engenharia da matemática do ME no Paulo Guinote.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Isenção

Candidata a concurso para psicóloga queixa-se de favorecimento pessoal
Uma candidata a um concurso externo para o cargo de psicóloga promovido pela Câmara Municipal de Mesão Frio queixa-se de ter havido favorecimento pessoal na escolha do júri. A escolhida foi a filha de Marco Teixeira da Silva, presidente da autarquia, que em Fevereiro passado promoveu a mulher, Florbela Silva, a sua chefe de gabinete. "Têm tanto direito como os outros. É tudo legal", defende o autarca.

A escolha de Patrícia Silva para o lugar de psicóloga, contratada pelo prazo de um ano, renovável, motivou uma reclamação de Diana Brandão, a outra candidata concorrente, que se mostra "em total desacordo" com a classificação de 12,35 atribuída pelo júri. "Fui penalizada por não terem sido levados em conta os certificados de formação profissional que tenho, com o argumento de que não apresentei comprovativos. Tenho as cópias de três certificados que de nada valeram enquanto a outra candidata teve um ponto pelo único que possui", disse ao DN.

Além disso, Diana Brandão, que estranhou logo a "familiaridade" da outra candidata com os funcionários municipais, não percebe como teve pior pontuação na entrevista pessoal nos itens de motivação e capacidade de resolução de problemas. "O peso da entrevista não era referido no anúncio do concurso", alega.

Duvidando da legalidade, já fez chegar uma reclamação à Câmara de Mesão Frio. "Não tive resposta e se nada se resolver, tenciono prosseguir para o tribunal administrativo." O júri foi constituído pelo vice-presidente da câmara e dois técnicos de acção social.

Marco Teixeira da Silva disse ao DN que "há pouco a dizer" sobre o assunto. "A pessoa que ganhou, ganhou", sentenciou, sustentando que a sua filha "tem tanto direito como os outros de concorrer". O autarca argumenta que a filha já "tinha trabalho feito na área social, com menores em risco", mercê de um estágio de nove meses realizado na câmara. "Se a outra concorrente acha que foi lesada, pode recorrer para o tribunal administrativo", concluiu.

O eleito do PSD considera mesmo que o caso é normal em Portugal: "Acho estranho que o caso de Mesão Frio seja assim tão amoral, com tantas situações iguais que se vivem em muitos gabinetes ministeriais."


Quando tivermos as autarquias a «tomar conta» das escolas, salve-se quem puder!

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Abril? Nova PIDE?

Comentários ao post O esplendor do sistema anti-democrático - Do Portugal Profundo de onde destaco as palavras finais do autor e dois comentários:

  • esta gente não aprende que os recados, directos e indirectos, os avisos, mais ou menos insidiosos, e as ameaças de violência são contraproducentes para os seus objectivos de calar o povo e provocam ainda mais vontade de resistir aos cidadãos activos...

25 De Abril! Dia de comemoração! Comemoração e, no entanto, já quase nada resta desse dia. Ou melhor, restam duas coisas. Por agora e, talvez, por muito pouco tempo! Hoje, 25 de Abril de 2007, podemos ainda comemorar a liberdade de poder dizer, publicamente, que o PM de Portugal é aldrabão e que é o produto de vários lapsos desvalorizados pela maioria da classe política e…e não ir para a cadeia! Não sei por quanto tempo mais isso será possível! Hoje, 25 de Abril de 2007, podemos ainda comemorar o direito à greve e a existência dos sindicatos. Por quanto tempo mais? Quanto ao resto, desse dia histórico, tudo acabou. Todas as conquistas do povo desapareceram ou estão, a passos cada vez mais largos, em vias de extinção. Justiça, Saúde e Educação deveriam ser, mais do que direitos dos cidadãos, um dever do Estado! Não se devia procurar tirar dividendos de nenhuma destas áreas! Justiça, Saúde e Educação são investimento no país e no seu futuro! Eram um investimento em Portugal! Era um direito de todos nós e uma obrigação do Estado Português! Eram os alicerces fundamentais de qualquer país democrático! Hoje, foi feriado e dia de comemoração. O Senhor Presidente da República, já sem cravo na lapela, diz que os jovens desconhecem o valor desse dia. E nós? Nós que o vivemos… que conclusões podemos tirar? E o que poderemos fazer? E podemos, ainda, fazer alguma coisa? Quanto tempo nos resta? Por quanto tempo mais teremos a liberdade de poder fazer e alterar, mais uma vez, o curso da história? Quanto tempo nos resta?


Sr. Carlos Ribeiro, vive em Marte?

Não tem lido este blog e os comentários?
Não viu vários DRs com a nomeação do Engenheiro José Sócrates, desde há anos?
Não viu biografias oficiais do Engenheiro José Sócrates?
Não viu que a biografia do PM no portal do governo já foi emendada duas vezes?
Não viu as pautas, ou melhor, 4 papéis a que chamaram pautas?
Não viu o trabalho doméstico de inglês técnico classificado com 15 valores, enviado com um cartão oficial do governo?
Não viu os 2 certificados com datas diferentes?
Não lê os jornais?
Não ouviu a entrevista do PM e a conferência de imprensa da UNI?
Não viu os “Gatos Fedorentos”?
Não ouviu a história do “brinde” do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa?
Etc., etc., etc….

Acha tudo isto natural, ou uma cabala contra o PS o PM e o governo? Considera que o prestígio e a credibilidade do PM são questões pouco importantes, tanto a nível nacional como internacional?

Ou admite condescender que, como alguém afirmou, tudo isto é afinal um exercício de democracia?

E, já agora, só mais uma pergunta, sente-se tranquilo com a acusação que algum organismo ou funcionário do Estado anda a vigiar o que escreve e a vasculhar o seu computador?
Acha que estarão em causa segredos de Estado ou actos “subversivos”?

Com esta política, o agravar das desigualdades, o desemprego, a pobreza, o encerramento de escolas e serviços de saúde, o ataque a direitos fundamentais conquistados com o 25 de Abril e uma luta prolongada e muitas vezes bem dolorosa, o que é que falta? Caxias ou exílio?

Não se esqueça que hoje festejamos o 33 aniversário do 25 de Abril que derubou a ditadura e convém relembra, a propósito, o poema de Brecht:

“Primeiro, vieram buscar os comunistas.
Não disse nada, pois não era comunista.
Depois, vieram buscar os judeus.
Nada disse, pois não era judeu.
Em seguida foi a vez dos operários, membros dos sindicatos.
Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado.
Mais tarde levaram os católicos.
Nem uma palavra pronunciei, pois sou protestante.
Agora, vieram buscar-me.
E, quando isso aconteceu, não havia mais ninguém para falar.”

Roberto

segunda-feira, 16 de abril de 2007

RVCC

RVCC = Regras, Viste-las? é Coro, Claro!

Alguns comentários no Público:

Por AA - Lisboa
Primeiro pompa e circunstância dizendo aos portugueses que todos podem ser doutores - é só cumprir umas formalidades... elaborar uns currículos (há quem já tenha prática disso e cobre barato)... e depois logo se há-de ver quem vai certificar isso tudo! Eu fui convidado a integrar uma dessas equipas e recuso-me a contribuir para a "bandalheira" nacional. Estudo implica esforço. Estudo implica gosto. Canalizador não precisa diploma nenhum para fazer o seu trabalho honrada e honestamente, nem eu vou pedir-lhe o certificado do ensino secundário - eu só pretendo que ele saiba e faça o seu serviço a meu contento. E o mesmo diria de outras profissões tão importantes para o bem estar social. Cada um tem sua função: só tem que saber cumpri-la adequadamente. Mas como tudo isto é para consumo externo - Portugal gosta muito de mostrar canudos e boas estatísticas para "botar" figura de provinciano no estrangeiro. Chega de pacovice! Assumamos de uma vez por todas o país que somos, com os nossos defeitos e virtudes. Construamos um país de que nos orgulhemos e deixemo-nos de engravatar a miséria. Construa-se hoje um país não para as estatísticas, mas para que não tenhamos vergonha no futuro.
Por Amélia Freitas - V.N.Famalicão
Que exista este sistema RVCC e as outras medidas Novas Oportunidades que envolvem as qualificações profissionais com ou sem certificação escolar, para jovens e adultos, ainda sou capaz de louvar, apesar dos pesares. Agora que o governo anuncie e reanuncie estas medidas de que o País precisa como do pão para a boca, desde 2005 e saiba perfeitamente que só poderá arrancar no fim de 2006 quando o QREN enviar os dinheirinhos é o que se chama atirar areia para os olhos do Zé Povinho. Desde 2005 que não temos feito outra coisa senão guardar os nomes dos candidatos até que venham os financiamentos que permitem que os cursos arranquem. Isso a notícia do Público não diz nem nenhum meio de comunicação social. Têm medo de quem? Além disso, a publicidade das Novas Oportunidades da TV é um insulto. Não sei se o Abrunhosa tem algum diploma,mas o que eu sei é que não é preciso ser muito engenheiro para se ser 1ºministro...
Por Ana Ramos Sa - Coimbra
E os/as técnicos RVCC? Alguem se lembra do facto de que estas pessoas trabalham, na sua maioria, a recibos verdes, há anos e anos???
Por Maria - Madeira
Habilitações "Simplex" são a melhor e mais garantida forma de resolver o insucesso escolar e a exclusão social, em três tempos. Se soubesse o que sei hoje...mãos à obra e esperem sem se esforçarem muito. Não aturem os professores e aguardem pelo...Simplex!!! Desta forma contribuirá para um maior absentismo às aulas, desemprego do Professores, relatórios cheios para a UE e o governo só lhe agradece.
Por Anónimo, Bragança
Se não houver algum rigor e conhecimento científico, torna-se um incentivo ao abandono de estudos e concluír mais tarde o 12ºano, através deste meio muitíssimo mais simplificado e facilitador.
Por José Santos - Aveiro
Mais um processo de facilitismo de "habilitações" está em curso! O que interessa são as reais qualificações das pessoas, DAR um diploma, sem a que este correspondam reais competências e qualificações académicas, é simplesmente uma manobra estatística! Ao 12º ano deveriam corresponder 12 anos efectivos de ESCOLA efectiva e de qualidade, e não o reconhecer de competências profissionais e assumir como equivalentes! Se a pessoa for competente, então tem a capacidade de obter um REAL 12º em regime pós laboral!
Por assessor - Lisboa
Este ensino alternativo ao secundário, para concessão rápida de diplomas com base em competências profissionais pretensamente adquiridas (a chamada escola da vida), tem pouca credibilidade e vai originar o aumento do insucesso e do abandono escolar. De facto, os alunos que tiveram esse comportamento tem ao fim de apenas três anos num emprego não ao qualificado, uma via mais fácil e rápida para o canudo(neste sistema as reprovações serão residuais).Mas quem estuda a valer no secundário,é prejudicado, à partida, com este modelo igualitário! Com mais desemprego para os Prof.!Para o Governo, melhoram as péssimas estatísticas e a imagem do País, atraindo assim o investimento estrangeiro!
...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

TVI



José Sócrates possui dois certificados de licenciatura na Universidade Independente (UnI). Um, publicado nos jornais, diz que o primeiro-ministro acabou a licenciatura a 8 de Setembro de 1996. Esta é a data que Sócrates referiu na entrevista à RTP. O outro, que consta no ficheiro pessoal de Sócrates na Câmara Municipal da Covilhã (CMC), foi emitido em 26 de Agosto de 1996 e atesta que o chefe do Executivo acabou a licenciatura em 8 de Agosto do mesmo ano.

As diferenças entre ambos não se ficam por aqui. O certificado que se encontra na CMC atesta que o primeiro-ministro teve equivalências a 24 cadeiras e que realizou sete na UnI. São elas Inglês Técnico, Computação Numérica, Análise de estruturas, Betão Armado e pré-Esforçado, Investigação Operacional, Estruturas Operacionais e Projecto e Dissertação.

No segundo certificado, o chefe do Executivo teve equivalências a 27 cadeiras e fez cinco durante o ano lectivo na Independente. Às cadeiras de Computação Numérica e Investigação Operacional Sócrates terá tido equivalência, ao contrário do que atesta o primeiro certificado.

Em entrevista à RTP, o primeiro-ministro reiterou ter tirado apenas cinco cadeiras na Universidade Independente, no ano lectivo de 1995/1996.

PS:
Faltam uns telefonemazitos para a TVI...

ADENDA (do Ricardo Araújo Pereira) :-)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Toda a verdade!

http://omundoperfeito.blogspot.com/2007/04/finalmente-toda-verdade-sobre.html


:-)

http://blogda-se.blogspot.com/2007/04/imaginem-l.html

Primeiro de Janeiro:
...Noutros temas de uma entrevista onde se mostrou pouco à vontade e desconfortável, como raras vezes tem acontecido na sua magistratura, ...

Público:
Na sequência dessa exposição, questionado por quatro vezes sobre as razões que o levaram a transferir-se do ISEL para a UnI, José Sócrates apresentou três razões: o ISEL dava equivalência a uma licenciatura enquanto o curso da Independente era uma licenciatura; a Independente “era perto do ISEL”; e a Independente “apostava no regime pós-laboral”.

O curso que José Sócrates frequentou no ISEL tinha, também, um regime pós-laboral. A licenciatura na UnI ia então apenas no segundo ano, não possuindo ainda prestígio.(...)

O primeiro-ministro salientou que fazia parte de uma turma “especial, criada por alunos oriundos de outras instituições, para explicar a razão pela qual o seu professor de Inglês Técnico, o reitor Luís Arouca, não terá sido o regente dessa cadeira do curso de Engenharia Civil.

CIDADANIAPT

Impõe-se-nos, pois, a incontornável realidade da "cadeira" de "projecto e dissertação". Embora sujeita ao mesmo regime de obrigatoriedade de conservação por cinco anos, como todas as outras peças de avaliação, é normal que se guardem cópias dum trabalho tão importante que normalmente coroa a caminhada para a licenciatura na biblioteca das instituições, no arquivo do orientador, da Direcção de Curso e, naturalmente, do próprio aluno . Tais relatórios ou monografias, que pomposamente a UnI designa por dissertações (fora do contexto de um mestrado), são normalmente objecto de análise pelas comissões de creditação dos cursos de engenharia, no sentido de verificarem o rigor e qualidade do trabalho aí produzido. Tendo em conta que esta cadeira de projecto era na UnI de apenas um semestre e não dois, ao contrário de outras licenciaturas (normalmente mais antigas), mesmo assim a monografia é um documento que se guarda na estante de honra - para não desaparecer.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Titulares

Titular? Para quê?
Quais as principais funções de um titular?
Concordo «tanto» com a Teresa: http://tempodeteia.blogspot.com/2007/03/medos.html

segunda-feira, 26 de março de 2007

Salazar

Foi Salazar que «ganhou»? Não acredito. Foi esta «democracia» que perdeu.

Adenda:
Se Aristides de Sousa Mendes tivesse recusado os vistos porque a isso o obrigavam, não teria salvo 30 mil pessoas. Pena que os deputados socialistas que votaram contra, «contrariados», sejam tão «disciplinados». Honra lhes seja feita: belas cópias dos funcionários da meteorologia...

quinta-feira, 22 de março de 2007

Hã?! Qual lei?

No Paulo Guinote a análise de um Powerpoint espantoso de que o Miguel Pinto duvida.

Ma veja-se o que há uns tempitos eu escrevi. Não está na lei, mas de apontamentos e com os CEs este ME faz lei.

Aqui quem manda sou EU!


Deputados PS votaram contrariados e com críticas estatuto dos professores
21.03.2007 - 18h10 Lusa

A disciplina de voto imposta na bancada do PS forçou na terça-feira quatro deputados socialistas a chumbarem todas as propostas de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, apesar de terem fortes reservas sobre o diploma do Governo.

Na Comissão Parlamentar de Educação, 13 deputados do PS reprovaram as propostas de alteração apresentadas pelo PCP e PSD ao Estatuto da Carreira Docente, mas, no final da reunião, quatro deles apresentaram declarações de voto individuais: João Bernardo, Teresa Portugal, Júlia Caré e Odete João.

Por estrita disciplina partidária, imposta pelo Grupo Parlamentar do PS, voto contra as propostas de alteração apresentadas pelo PCP e pelo PSD” ao Estatuto dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, refere João Bernardo na sua declaração de voto.

Em linhas gerais, os quatro deputados socialistas apresentaram-se em desacordo com o diploma do Governo em três pontos fundamentais: a diferenciação entre a carreira de professor e de professor titular; a compatibilização da carreira com o exercício de cargos públicos e sindicais; a participação dos pais e os critérios como o abandono e o sucesso escolar na avaliação dos professores.

Críticas de desvalorização da actividade docente

Entre outras críticas, este grupo de deputados do PS diz que o Estatuto da Carreira Docente contém normas “arbitrárias, discriminatórias, burocráticas, desvaloriza a actividade docente na sala de aula”, colide com a “salubridade pedagógica” e – acrescenta Teresa Portugal – poderá “violar o campo dos direitos, liberdades e garantias contemplados na Constituição da República”.

De acordo com deputados do PS, estas “fortes reservas” foram transmitidas “há várias semanas” ao secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, mas o executivo “entendeu não ceder em nenhum ponto”.

Na sua declaração de voto, o deputado socialista João Bernardo considera que “a divisão dos professores em duas categorias terá repercussões negativas na organização interna dos estabelecimentos de ensino”.

“A determinação do número de vagas para professor titular e o consequente concurso para a respectiva categoria não reconhece a dimensão mais relevante na actividade docente: a sala de aulas”, lamenta o deputado.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Anedota do ano

É claro que houve outras medidas do ME que me fizeram sorrir pela imbecilidade, mas esta?... Bem, esta é a melhor. E quem melhor para a comentar? Paulo Guinote, claro:
http://educar.wordpress.com/2007/03/20/uma-rave-gotica-sei-la/

terça-feira, 20 de março de 2007

Excelente

Baptista Bastos

O mistério do cérebro dos portugueses

b.bastos@netcabo.pt


Parece que o cérebro dos portugueses surpreende cientistas. A tal ponto que investigadores das universidades de Coimbra, Aveiro, Porto e Minho vão debruçar-se sobre esse órgão misterioso, vistoriando, com tenaz denodo e um pouco de apreensão, o que nos faz assim.

Eis um empreendimento difícil, por avançar em terreno fértil de interpretações. É inumerável a lista de obras de todos os géneros e ramos que têm vasculhado a idiossincrasia do indígena nascido cá no brejo. Não se chegou a conclusão alguma. O português escapa-se como enguia ao catálogo, correspondendo, desse modo, às dificuldades erguidas a todos os que procuram desvendar o que se passa naquela inaudita massa cinzenta.

"O cérebro é o génesis", proclamou Jung. "Mas o que domina a vida é o sexo", afirmou Freud. Afinal, quem dá ordens? Citei dois; e coloque lá mais este, que, como os outros, dá para todas as circunstâncias, quando precisamos de muleta: Fernando Pessoa. Aí vai: "O português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados. Partimos a cara a todos os ausentes, conquistamos de graça todas as mulheres sonhadas, e acordamos alegres, de manhã tarde, com a recordação colorida dos grandes feitos por cumprir (?) É difícil distinguir se o nosso passado é que é o nosso futuro, ou se o nosso futuro é que é o nosso passado. Cantamos o fado a sério no intervalo indefinido. O lirismo, diz-se, é a qualidade máxima da raça. Cada vez cantamos mais um fado".

Afinal, em que ficamos? Cabeça, sexo ou fadistice?

Um facto é incontroverso: cada vez somos mais ignorantes, cada vez somos mais atraídos para os alçapões do facilitismo, cada vez somos mais afastados de estudar, de reflectir, de analisar e, por decorrência, impedidos de decidir bem. "Como nação estamos condenados", disse-me, há anos, o prof. dr. Oliveira Marques, durante uma entrevista para a SIC. A terrível afirmação não obteve eco na Imprensa. O que encontra repercussão na Imprensa são futilidades da política, discussões filosóficas acerca de futebol, e aquelas parvoeiras sobre a "popularidade" do Sócrates, sem se indagar, cientificamente, a natureza específica das "sondagens".

O que se passa na estimável cabeça portuguesa é que não a usamos porque não a sabemos usar, e não a sabemos usar porque a isso não fomos instigados – pelo contrário. Tudo se opôs a que repelíssemos a servidão. A partir de Dom João III (o tal de procedeu ao desenvolvimento das universidades e, depois, pediu ao Papa a purificadora labareda da Inquisição) até aos dias "democráticos" de hoje, sem esquecer o querido Salazar, estivemos entregues a conclaves de malandros que acumulavam a patifaria com comovente inépcia. Dir-se-á: mas houve, e há, excepções. Em desacordo. Quem se cumplicia com a regra da infâmia é tão biltre quanto os que a estabelecem.

Sabe-se: a ignorância é destemida. E espalhou-se, endemicamente, a todos os sectores da sociedade. Há "escritores" manifestamente desconhecedores do significado de elipses, elisões, aliterações, cacófatos; de que se pode obter a concordância com o nome predicativo do sujeito e também não sabem o valor do nome predicativo do sujeito. Tropeçam na preposição e estatelam-se nos fonemas, com divertimento e galhofa. Há jornalistas que o não são, nem nunca o serão à força de o quererem ser. Plagiadores, também os há. Não só de temas: de frases, de locuções inteiras. Conheço alguns; a outros, ferrei em público. As escaramuças com a conjugação dos tempos do verbo haver transformaram-se num conflito armado. O desconhecimento de História, de Literatura, de Cinema, de Teatro, de Artes Plásticas, de Ciências, de Geografia, de Gramática, atinge níveis assustadores.

Perante este cenário, não se estranha que, na TVI, um programa, "A Bela e o Mestre", seja uma desgraça monumental. O "apresentador", esse, revela-se o mimetismo da imbecilidade galopante. Carrega no riso, soletra dificultosamente pequenas frases, formula horrores convencido de que faz filigranas. As raparigas que lá aparecem expõem alegremente as coxas e apresentam currículos profissionais adequados às capacidades. Boas de perna, más de meninge. No "Diário de Notícias", Fernanda Câncio, com inclemente crueldade, caustica as oito meninas, subordinando-as a este título medonho: "Nascidas para Ignorar".

Realmente, as meninas são fragorosamente ignaras. Riem muito e exteriorizam as suas pequeninas ambições trocando a parda chatice do espírito pela jubilosa tentação das pernas e dos seios. O "apresentador" demonstra alucinante contentamento, facilmente explicável: os tolejos delas constituem a imagem devolvida da sua pessoal cretinice.

Estas manifestações de debilidade mental pouco ou nada me espantam. Gerações de matóides, sucederam-se a gerações de mentecaptos. O País foi assaltado por levas e levas de gente inepta, e não só nos Governos consecutivos. O apelo aos mais rasteiros instintos chegou, até, a amarinhar pela RTP, onde alguns dos mais tremendos "formatos" tiveram calorosa guarida. Os responsáveis dessa miséria continuam impunes. A dança dos directores de jornais não é de hoje. Logo a seguir a Abril, os Governos colocaram pessoas da sua confiança na Imprensa, na Rádio e na Televisão estatal. Foi o que se viu: sargentos políticos converteram a criatividade, o talento, uma certa dose de anarquia, comum às grandes Redacções, numa ordenança burocrática, sob o império do servilismo. Todos os partidos, todos, são culpados de manobrismo e manipulação. Consoante a valsa dos partidos, assim se bailava nos postos directivos e afins. Não se inquiria sobre o talento do recém-vindo; pedia-se-lhe o cartão do partido. Houve um local que chegou a registar sessenta "chefes" na prateleira.

Aquele desgraçado "A Bela e o Mestre" reflecte um País em colapso. E o colapso é de natureza cultural e não, exclusivamente, de ordem económica, como pretendem fazer-nos crer. O amolecimento moral dos portugueses só é proveitoso para o grupo possidente. A crítica ao poder deixou de existir. O que se combate é o Governo, ou os Governos, mesmo assim com a subtileza dos que esperam, um dia destes, ser beneficiados com sinecuras. O poder deixou de estar nas mãos dos Governos. Quem manda são os grandes grupos económicos. Basta reparar nos governantes que estiveram, estão e irão, certamente, estar nas grandes empresas privadas: banca, seguros, energia, saúde, educação. A análise do "sistema" ausentou-se dos media. E aqueles que ousam beliscar, ao de leve, o corpo coriáceo desse "sistema" pagam caro a pessoal exigência de rigor e de honestidade.

Dilectos: podem crer que sei do que falo. E, às vezes, interrogo-me: até quando?



(encontrada, claro, na caixa de comentários do Paulo Guinote...)

segunda-feira, 19 de março de 2007

Felicidade é isto!

Hoje estou manifestamente feliz. De uma forma estóica desde 2005 que pago mais 2% em cada artigo que compro. Desde Agosto de 2006 que cedo mensalmente 150 €, que me eram devidos pela mudança de escalão - por ter 18 anos de serviço e ter cumprido o melhor possível o meu papel - aos cofres do estado. Todos os anos o meu aumento salarial é inferior à inflação. Todos os anos aumentam exponencialmente as actividades extra-curriculares que insisto em proporcionar às minhas lindas. MAS felizmente há resultados. Graças a mim, o deficit desceu. Graças a mim, a Ministra pôde-se deslocar a uma escola do meu agrupamento e deixar 6 bólides estacionados durante UMA HORA E MEIA a tapar a passagem numa via pública de sentido único. Ainda bem que contribuí para isto. Estou feliz.

Tenho só mais um desejo - que construam a OTA e ponham a circular o TGV com que sonho todas as noites...

sexta-feira, 16 de março de 2007

No bom caminho?

Este Ministério reage à opinião publicada. Valha-nos ao menos isso.

No Paulo Guinote, este artigo de Carlos Fiolhais vem na sequência deste, do «Gato Fedorento».

É natural que MLR diga isto, mas mais importante ainda que não se fique pela conversa, como foi o caso da TLEBS...

Hoje no DN, Amélia Pais chamou-me a atenção para esta...

Vou voltar aos testes... Estão ali à volta de 160 páginas a chamar-me...

segunda-feira, 12 de março de 2007

quarta-feira, 7 de março de 2007

CNE

Conselho Nacional de Educação pede melhoria "drástica" do ensino secundário 06.03.2007 - 18h02 Lusa

A necessidade de melhorar "drasticamente" a qualidade do ensino secundário, através da revisão dos programas das disciplinas e de mais exames nacionais, é uma das principais conclusões da análise ao sistema educativo realizada pelo Conselho Nacional de Educação, a pedido do Governo e Parlamento.
Por ocasião dos 20 anos da publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo, a Assembleia da República e o Executivo lançaram um debate nacional sobre como melhorar a educação nos próximos anos, realizando cerca de 150 seminários regionais cujas conclusões são hoje divulgadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que organizou a iniciativa.No relatório, o CNE defende "uma urgente e profunda reestruturação dos planos de estudo e programas, considerados demasiado extensos, desconexos e inadequados aos respectivos grupos etários a que se destinam".O documento salienta, no entanto, que esta revisão deve basear-se num prévio trabalho de avaliação, uma vez que a existência, nos últimos anos, de "reformas permanentes e não avaliadas" foi responsável por um clima de instabilidade e "por muita desorientação" que hoje atinge escolas, professores e famílias.
Sublinhando "a necessidade de se melhorar drasticamente a qualidade do ensino e da formação de nível secundário", o debate que envolveu cerca de dez mil portugueses, por via electrónica, concluiu que as escolas "precisam de mais avaliação interna e externa".
Assim, os exames nacionais são entendidos como instrumentos de certificação do progresso, favorecendo a comparação entre estabelecimentos de ensino que, através das provas, prestam contas do seu desempenho."
Precisamos de escolas que fomentem uma cultura de exigência, de rigor, de disciplina, de trabalho e de esforço de aprendizagem", sintetiza o relatório do CNE.
Além dos resultados dos alunos, os processos de avaliação devem incidir igualmente sobre os professores, os processos de ensino e os contextos em que se inserem as escolas.
O relatório aponta ainda para a necessidade de diversificar as ofertas de formação e reforçar o papel do ensino profissional nas escolas, um processo que deve ser gerido "com o maior cuidado", para que não sejam encaminhados para estes cursos os alunos considerados indesejados em turmas ditas normais, o que favoreceria a discriminação social.
No debate, que decorreu por todo o país entre Maio de 2006 e Janeiro deste ano, a educação pré-escolar foi também apontada como uma das principais prioridades do sistema educativo.
Alargar a educação das crianças até aos três anos, que actualmente abrange uma cobertura de apenas 15 por cento, deve ser uma das apostas mais importantes, "seja através das creches, das amas ou de outras modalidades". "Importa, para isso, valorizar as redes já existentes, recuperar experiências bem sucedidas como a rede de amas supervisionada e garantir uma boa coordenação entre os Ministérios da Educação e da Solidariedade Social", recomenda o CNE.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Até o PS...

PS: Governo deve garantir que maternidade não prejudica professores
02.03.2007 - 17h17 Lusa

O PS pediu hoje ao Governo que impeça que a avaliação dos professores seja prejudicada pela maternidade ou paternidade, devido às faltas por motivo de doença ou o exercício do direito à greve.

Na apreciação parlamentar do decreto-lei que altera o Estatuto da Carreira Docente, o deputado socialista Luís Fagundes Duarte pediu ao Governo que deixasse claro que os decretos regulamentares desse diploma vão salvaguardar "direitos fundamentais como a maternidade".

Em causa está uma proposta de regulamentação apresentada pelo Governo, ainda não aprovada em Conselho de Ministros, que determina que todas as faltas, licenças ou dispensas, independentemente da sua natureza, contam para a classificação da assiduidade dos docentes.

Na sua intervenção, o deputado socialista frisou que o Estatuto da Carreira Docente, no artigo 103º, considera as faltas justificadas por assistência a filhos menores, doença e exercício do direito à greve, entre outras, "ausências equiparadas a prestação efectiva de serviço".

Os decretos regulamentares do Estatuto da Carreira Docente deverão ter "inequivocamente plasmado" que essas faltas "não serão, em caso algum, obstáculo à progressão na carreira", defendeu Fagundes Duarte, pedindo ao Governo "um sinal bem claro" nesse sentido.

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, respondeu que ninguém será prejudicado pelas situações referidas, reforçando a posição transmitida em comunicado pelo seu ministério de que as faltas por maternidade "não prejudicarão nenhum docente".

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

PARA QUANDO?

«O trabalho de revisão já está neste momento a avançar (...) e o trabalho deverá decorrer até ao final deste ano lectivo, o que quer dizer que a suspensão far-se-á brevemente com a publicação de uma portaria a ser publicada até ao final do mês de Fevereiro e teremos durante o próximo ano condições para preparar a experiência pedagógica TLEBS já revista do ponto de vista cientifico e pedagógico», disse à Lusa Jorge Pedreira.

O secretário de Estado acrescentou que para ser possível a aplicação da TLEBS durante o próximo ano lectivo, o processo de revisão científica deverá decorrer até Junho.

Envolta em polémica, a nova terminologia, aprovada pelo Ministério da Educação em 2004, começou este ano a ser leccionada de forma generalizada no 3º, 5º e 7º anos, estando previsto que abrangesse todo o sistema de ensino em 2009.

Para já, o objectivo mantém-se, mas Jorge Pedreira admite que o cumprimento desta meta possa ter ficado comprometido com a suspensão hoje anunciada do processo.

A nova terminologia foi alvo de fortes críticas por parte de encarregados de educação e professores de linguística e literatura, que contestam a complexidade dos novos conceitos, tendo hoje sido entregue no Parlamento uma petição com mais de oito mil assinaturas.

A título de exemplo, a Confederação Nacional das Associações de Pais apontou casos de palavras como «paciência», actualmente classificada como «nome comum abstracto» e que passa a designar-se por «nome não contável e não massivo», ou «peixe-espada», que passa de «palavra composta por justaposição» a «composto morfo-sintáctico coordenado».

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Relatório de Avaliação da Reforma

Já o disponibilizaram....
http://www.min-edu.pt/hit/?newsId=301&fileName=2_relatorio_avaliacao_gaaires.pdf


Articulação entre ensino básico e ensino secundário
Para os diversos interlocutores, a preparação do ensino básico é insuficiente, criando-se um “fosso” entre ciclos, o que tem a sua manifestação mais visível nas taxas de reprovação no 10º ano. A conclusão do 3º ciclo do ensino básico por alunos que não fizeram uma aprendizagem consolidada, a dispersão e pulverização de um currículo do ensino básico e ainda a implementação de reformas em ambos os ciclos realizada sem sequência ou articulação, que resulta na desarticulação vertical de programas, serão os factores enunciados mais responsáveis por aquele fosso. O módulo inicial presente nos programas do 10º ano e concebido para detectar e colmatar estas lacunas, ou não é implementado ou, quando o é, não é suficiente.
(...)
Foi, entretanto, assinalado pelos interlocutores nas escolas visitadas que existe uma falta de definição rigorosa da natureza e finalidades dos cursos tecnológicos e dos cursos profissionais, o que, aliado à aproximação das suas matrizes curriculares, poderá vir a provocar uma sobreposição dos mesmos.
(...)

(O tempo.... sempre o tempo...)
Os vários actores referiram também a excessiva carga horária de todos os cursos de todas as modalidades, salientando-se o ensino recorrente. Nesta modalidade, este aspecto pode colocar grandes constrangimentos à consecução do seu objectivo fundamental, o de constituirse como uma segunda oportunidade de formação para aqueles que têm de conciliar a frequência de estudos com uma actividade profissional.
(...)
Todavia, a consideração da nota da disciplina de Educação Física no cálculo da nota de acesso ao ensino superior não reúne consenso entre os vários interlocutores. Mesmo entre os docentes da disciplina, encontram-se posições discrepantes: por um lado, a defesa da inclusão da disciplina no calculo da nota por uma questão de coerência e igualdade de circunstâncias com outras disciplinas; por outro lado, a preocupação de que não estão reunidas ainda as condições necessárias em todas as escolas para garantir a equidade do aproveitamento de todos os alunos do ensino secundário. Em particular, no caso dos encarregados de educação, existe o receio de que condições não modificáveis dos alunos (e.g. morfologia do corpo) possam influenciar o seu desempenho na disciplina.
(...)
Embora as experiências de articulação com as Direcções Regionais de Educação (DRE) sejam bastante distintas, e nalguns casos isentas de problemas, existe uma reivindicação geral por parte das escolas de maior autonomia no processo de decisão da oferta. Por vezes, são feitas referências a processos impositivos, confusos, pouco justificados e compreendidos e ressalta-se como assunto fracturante desta relação a abertura de turmas de continuidade com menos de 24 alunos. Na perspectiva de algumas escolas, as DRE com que contactam apenas retêm como critério a adequação da proposta aos recursos materiais e humanos e a existência de procura, não tendo em conta o ajustamento da proposta às necessidades do mercado de trabalho e dos alunos que se pretende que guiem a oferta educativa.
...
Outras questões surgem como relevando de tensões entre a escola e outros níveis do sistema. É o caso do processo de definição da oferta educativa pela escola e do papel nele desempenhado pelas Direcções Regionais de Educação. A intervenção destes serviços do Ministério da Educação é aqui muitas vezes vista como arbitrária e como coarctando a capacidade das escolas se adaptarem aos seus públicos e aos contextos socio-económicos particulares em que agem (e.g. abertura de cursos) ou de promoveram práticas pedagógicas mais eficazes (e.g. desdobramento de turmas).
(...)
Surge como recorrente no discurso dos professores entrevistados a referência à inadequação da organização por departamentos. Em escolas de grande dimensão, o elevado número de professores que os compõem é considerado um factor impeditivo da realização de um trabalho estruturado. Noutros casos é a arbitrariedade do conjunto de disciplinas que compõem o departamento que coloca em questão o seu contributo na promoção da interdisciplinaridade.
(Os titulares previstos englobam áreas completamente diversas...)
No que diz respeito ao trabalho dos grupos disciplinares, são identificados dois tipos de problemas. Um primeiro, referido por professores de escolas pequenas, relaciona-se com a existência de grupos de dimensão muito reduzida, compostos por um ou dois elementos, leccionando diferentes anos de escolaridade ou diferentes vias de ensino. O segundo prende-se
com a inexistência de espaços de trabalho, equipamentos, materiais e compatibilização dos horários dos professores do grupo, podendo concorrer para o subaproveitamento da componente não lectiva.


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

No Educare

Entretanto o Ministério da Educação rejeitou já qualquer acusação e justifica a sua proposta para o acesso à categoria mais elevada da nova carreira dos docentes, considerando que pretende "valorizar a assiduidade e penalizar o absentismo". A tutela defende que a sua prioridade é premiar os professores que cumprem o dever de assiduidade e investem na formação própria.

Para Lucinda Dâmaso, da FNE, a reunião de hoje foi "inconclusiva". Ainda assim, três rondas depois, a responsável sindical adianta que o ME já assumiu passar de 120 para 95 pontos a classificação necessária para a aprovação do professor no concurso, bem como aceitar a pontuação do exercício de outros cargos na assembleia de escolas, além da presidência. Apesar destes dois aspectos positivos, há ainda muito para fazer uma vez que, nas palavras de Lucinda Dâmaso, "não pode haver uma subversão do papel dos professores".

Para a FENPROF, que será recebida amanhã, a proposta apresentada pelo ME vem "confirmar as piores expectativas" deixando de fora a maioria dos docentes do 8.º, 9.º e 10.º escalões, quer pelo número de vagas que serão estabelecidas quer pela classificação, inatingível pela esmagadora maioria dos docentes devido aos critérios estabelecidos pela tutela.